Local onde foram jogados não tem movimento de gente
AQUILES EMIR
Na entrevista concedida ao Bom Dia Mirante, da TV Mirante, na manhã desta segunda-feira (19), o promotor de Justiça Cláudio Guimarães, responsável pela operação de sexta-feira (16) que retirou bancas de revistas instaladas na Avenida Luís Pinho, no bairro do Renascença, em São Luís, disse não entender o clamor público que isto causou em alguns segmentos sociais. Já os donos das bancas que foram proibidos de ficar onde estavam, não entendem por que, se iriam sair, a Prefeitura renovou, no início do ano, os alvarás de funcionamento, autorizando permanecerem onde estavam estabelecidos há 18 anos.
De acordo com o promotor, a única coisa que houve foi o deslocamento das bancas de um local para outro, numa distância de no máximo 200 metros, em obediência ao ordenamento urbano, o que, na verdade, é uma atribuição do Poder Executivo Municipal. Já os comerciantes dizem que foram surpreendidos e suas bancas foram deixadas onde hoje estão após uma intermediação do juiz Douglas Martins, pois sem ele, não saberiam nem para onde iriam.
Leonete de Jesus, dona da Banca do Chagas, que ainda está pagando um empréstimo para custear a recuperação de sua banca após um atentado a fogo, diz que quando a Blitz Urbana chegou o prazo para se retirarem foi de apenas cinco minutos, ou seja, não haveria como juntar estoque de mercadorias, equipamentos (prateleiras, geladeiras, expositor de cigarros etc), e para tornar a situação mais dramática, os funcionários da Prefeitura usaram marretas para danificar as bancas.

Com a banca jogada ao lado do estacionamento de uma loja do McDonald´s e em frente ao Monumental Shopping, Leonete disse que ainda depende da Equatorial para instalar a energia a fim de poder trabalhar. Situação pior é dos que tiveram seus bens destruídos, pois os funcionários da Blitz Urbana usaram marretas e picaretas para tirá-las de onde estavam, o que vai provocar custos para serem recuperadas.
A dona da Banca do Chagas acha o local para onde foi levada inadequado, pois não há circulação de pessoas, só de veículos, ao contrário de onde estava, onde sempre havia alguém consumindo jornais, revistas, água, chips de celular, balas etc. Segundo ela, uma situação difícil para quem passou boa parte do ano impedida de trabalhar em cumprimento às normas de isolamento social e só agora vinham tentando reequilibrar os negócios.
Para a empresária, a Prefeitura deveria pelo menos permitir que se instalasse na pista auxiliar que ficam em frente ao Tropical Shopping Center, pois, mesmo sendo cercada pelo centro comercial, que dela se apropriou, trata-se de via pública, portanto seria melhor nesse local, pois há muita gente transitando. Nessa via há duas bancas, uma delas já bateu as portas.

Desativação – A operação que retirou as bancas do Renascença foi uma continua do desmonte desse tipo de comércio na cidade, pois a cada praça reforma, uma a menos. Foi assim nas praças Pedro II, Benedito Leite, São João, Deodoro, Panteon, Odorico, Alegria e está sendo na João Lisboa e Largo do Carmo.
Cláudio Costa, proprietário de uma banca em frente à Igreja Nossa Senhora da Conceição, teme pela continuidade do seu negócio, pois acredita que isto será tolerado até uma reforma da praça em que se encontra.
Segundo ele, a próxima ofensiva será no Barra Mar, onde os comerciantes já foram notificados de que terão de se retirar. Eles estão operando no lugar em que a Prefeitura determinou, inclusive com suas lojas – bancas de revista e lanchonetes – no padrão estabelecido pela Secretaria Municipal de Urbanismo.




