Recursos ajudaram a ginástica rítmica
O Comitê Olímpico do Brasil (COB) repassou R$ 13.734.011,48 à Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) no ano passado por meio da Lei Agnelo-Piva (nº 10.264/2001), que destina parte da arrecadação das loterias federais para financiar o esporte no país. Com base nessa lei, foram repassados para a CBG um total de R$ 109.677.208,95 entre 2002 e 2024. Os dados foram levantados pelo Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva (IPIE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Esse recurso garantiu uma fonte contínua e estável de financiamento que impulsionou o desenvolvimento da modalidade no país. Sua importância se destaca em várias frentes, como a melhoria da infraestrutura, a construção e manutenção de centros de treinamento de alto nível e a aquisição de equipamentos modernos, essenciais para o esporte de alto rendimento.
Como reflexo desse aumento dos investimentos na ginástica brasileira, os atletas da modalidade conquistaram bons resultados nas últimas edições dos principais eventos esportivos da área. Na última edição do Mundial de Ginástica Rítmica realizada em 2023, na Espanha, por exemplo, o Brasil terminou a final dos cinco arcos na quarta posição, ficando atrás da Itália, medalhista de bronze, nos critérios de desempate.
Neste ano, o Mundial de Ginástica Rítmica será realizado no Brasil, entre 20 e 24 de agosto, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. Essa será a primeira vez que o país receberá o Mundial de Ginástica Rítmica, principal competição da modalidade reunindo as melhores ginastas do mundo em disputas individuais e em conjunto. A seleção brasileira se prepara para buscar a medalha inédita na história do torneio, que deve contar com mais de 400 atletas de 70 países diferentes.
No panorama dos campeonatos mundiais de ginástica rítmica, o histórico do Brasil é marcado por uma evolução recente e significativa. Em 2022, o Brasil fez sua melhor campanha, ficando em quinto lugar no conjunto geral, um resultado que colocou o país entre as potências mundiais da modalidade. A equipe brasileira também tem conquistado resultados expressivos em outras competições internacionais, como a Copa do Mundo, na qual, recentemente, obteve uma medalha de ouro inédita no conjunto geral.
Mais dados sobre o investimento na modalidade
Segundo dados apurados pelo IPIE, a quantidade de projetos relacionados à modalidade ainda é limitada, resultando em uma baixa captação de recursos. Apesar disso, a equipe brasileira de ginástica possui resultados expressivos em competições internacionais.
O levantamento do Instituto no período de 2015 e 2019 revela que a modalidade obteve apenas 96 projetos aprovados, com um total arrecadado de R$ 1.840.092,72 e 1.120 beneficiários. Esses valores refletem uma dificuldade em atrair patrocinadores, mesmo com o incentivo fiscal.
Além disso, a maior parte dos projetos (57) concentra-se na região Sul, e todos se enquadraram na categoria de manifestação educacional e do tipo desportivo, o que mostra uma atuação restrita da lei.A maior doadora nesse período foi a Nova Transportadora do Sudeste S.A, com uma contribuição de R$ 320 mil, enquanto a Associação Estação da Luz foi o principal proponente, com R$ 686.787,44.
Esses dados apontam que, apesar de ser uma ferramenta importante, a Lei de Incentivo ao Esporte ainda não alcança todo seu potencial na ginástica, com um número reduzido de projetos e um valor total arrecadado que ainda é pequeno para as necessidades de desenvolvimento da modalidade em nível nacional.
A Lei de Incentivo ao Esporte (11.438/06), é um mecanismo do governo federal que permite que pessoas físicas e jurídicas destinem parte do valor devido do Imposto de Renda a projetos esportivos aprovados pelo Ministério do Esporte. O principal objetivo é estimular e fomentar a prática esportiva, utilizando a renúncia fiscal como forma de atrair o investimento privado. A lei busca promover o esporte em suas diversas manifestações (educacional, de participação e de rendimento) e consolidá-lo como ferramenta de inclusão social e desenvolvimento humano.




