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    Home»FERNANDO CALMON»Cortes de empregos no exterior afetam até fabricante de baterias
    FERNANDO CALMON

    Cortes de empregos no exterior afetam até fabricante de baterias

    Aquiles Emir6 de outubro de 202507 Mins Read
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    Production Volkswagen Tayron - Body shop Hall 3
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    Preços entre os elétricos provocará falências

    Trata-se de panorama previsto, quando se inicia um ciclo de mudanças nos meios de propulsão dos veículos. Mas esta transição, além de lenta, está sujeita ao pior dos cenários: os dolorosos cortes de empregos tanto na indústria de autopeças quanto nos fabricantes de veículos e que agora se somam ao hesitante mercado de modelos elétricos nos EUA e na Europa.

    Uma das afetadas é a gigante produtora de baterias CATL, instalada na Hungria. Embora o projeto deva criar de 8.000 a 9.000 empregos, por enquanto só foram contratados 800 funcionários, cerca de 10% do previsto. E ainda enfrenta resistências dos moradores de Debrecen, local da fábrica, sobre potenciais impactos das emissões tóxicas e alto consumo de água em uma região cada vez mais árida.

    As notícias se sucedem, principalmente na Alemanha: Ford cortou 1.000 empregos; VW e Audi interromperam produção e cortarão empregos; Porsche, uma das mais afetadas pela queda de vendas, informou que seu futuro SUV, acima do Cayenne, terá também versões com motores de combustão e híbridos; Bosch, maior fabricante mundial de autopeças anunciou 13.000 empregos a menos até 2030, seguida por anúncios semelhantes de Continental, Schaeffler e ZF (7.600 cortes); Fram e Trico, igualmente do ramo de autopeças, pediram proteção contra falência.

    E até na China, segundo a CNN, a guerra de preços entre fabricantes de veículos elétricos provocará falências. O cenário é resumido por He Xiaopeng, fundador da Xpeng: “A fase eliminatória na indústria automobilística da China continuará por mais cinco anos. Provavelmente restarão somente cinco marcas principais.”

    Na Itália, elétricos a preços de bicicletas premium

    Pode acreditar: notícia publicada no prestigioso site Automotive News Europe (ANE), em 30 de setembro. Mas, claro, há uma série de condicionantes porque o governo resolveu entregar um enorme subsídio de quase 600 milhões de euros (R$ 3,7 bilhões), entre outubro deste ano e junho de 2026, para tentar aumentar o interesse por automóveis elétricos na Itália. Apenas 5,2% dos carros novos vendidos naquele país são elétricos, enquanto a média na Europa sobe para 15,8%.

    As exigências do programa italiano são grandes. Objetiva retirar veículos de circulação com 10 ou mais anos de uso que se enquadram em leis de emissões Euro 5 de 2011 ou menos (hoje o padrão é Euro 8) e entregá-los para desmanche. Aplica-se a famílias com renda mensal inferior a 2.500 euros (R$ 15.600) e que morem em áreas urbanas com mais de 50.000 habitantes. O bônus é tentador: 11.000 euros (R$ 68.640).

    Leapmotor, associada à Stellantis, e Dacia, do grupo Renault, importam da China os hatches subcompactos T03 e Spring, respectivamente. E por conta própria deram desconto adicional de 3.000 euros (R$ 18.700). Assim, ambas as marcas baixaram os preços ainda mais: 4.900 euros (R$ 30.500), uma pechincha no bloco europeu. Leapmotor ainda provocou: “Este preço é menor do que vocês pagam por uma bicicleta premium”. Demais fabricantes descartaram essa estratégia.

    “Os 597 milhões de euros alocados podem não ser totalmente utilizados, quando o programa terminar em junho de 2026, devido ao limite de baixa renda e à cobertura geográfica restrita”, disse um executivo de um fabricante não chinês sob condição de anonimato. Em outras palavras, o programa de incentivos apresenta tantas limitações que podem resultar em fracasso parcial.

    Destaques no preço e desempenho: Jaecoo 7

    Trata-se de marca chinesa irmã da Chery, mas o SUV médio Jaecoo 7 chama atenção pela enorme grade de elementos verticais que lembram uma cachoeira. Há um contraste evidente com a discreta parte traseira, de lanternas interligadas e defletor de teto. A área envidraçada relativamente pequena pode fazer falta no tráfego do dia a dia. Há teto solar panorâmico. Maçanetas são embutidas, solução que está sob críticas até na China por dificultar acesso externo em acidentes, mesmo que vários modelos as adotem.

    Dimensões são próximas ao Tiggo 7: mesmo comprimento (4.500 mm) e entre-eixos (2.670 mm), largura, 1.865 mm, altura, 1.670 mm. Espaço para pernas no banco traseiro um pouco limitado. Porta-malas pequeno e com assoalho alto: só 340 L. Como se trata de híbrido plugável e o tanque tem 60 L o alcance em cidade é de 906 km e em estrada, 810 km, embora a marca declare até 1.200 km em trechos urbanos.

    Motor a combustão turbo de 1,5 L entrega 135 cv e 22,4 kgfm; o elétrico 204 cv e 31,6 kgf·m. Potência e torque combinados: 339 cv e 52 kgf·m. A bateria de 18,3 kW·h apresenta uma vantagem: aceita corrente alternada ou contínua. No segundo caso, recarrega entre 30 e 80% em 20 min.

    Logo ao entrar no Jaecoo 7 Prestige uma surpresa: não existe o tradicional botão de partida. O carro está pronto para arrancar em modo elétrico: após pisar no freio, é só acelerar. Tela multimídia vertical de 14,3 pol. impressiona. Menus e submenus são exagerados, mas pelo menos os ajustes do ar-condicionado ficam separados, na base da tela, onde se regulam os espelhos e cujo controle estaria melhor nas portas.

    Android Auto e Apple CarPlay espelham-se sem fio e há carregamento por indução para o celular. Para viagem mais longa, as tomadas USB e USB-C estão mal posicionadas na parte inferior do console. Muito boas câmeras de visão externa de 360° e também do solo abaixo do veículo.

    Em algumas voltas no circuito do Haras Tuiuti, arrancadas e retomadas foram convincentes. Aceleração declarada de 0 a 100 km/h em 8,5 s. Mas acertos tanto de direção quanto de suspensões poderiam ser um pouco melhores para os padrões de uso no Brasil. O banco do motorista oferece adequada sustentação lateral, sem prejuízo do conforto. Pedal de freio deveria ser mais firme: passa alguma incerteza.

    Preço: R$ 249.990 (versão Prestige)

    Tunland V7 e V9 miram em públicos diferentes

    A Foton, hoje subsidiária direta da marca chinesa, lançou suas primeiras picapes médias a diesel importadas. Na realidade usa sistema semi-híbrido com motor elétrico de 48 V, apenas 12 cv e 5,1 kgf·m. Potência combinada, 175 cv; torque, 45,4 kgf·m; câmbio automático epicíclico ZF de oito marchas; tração 4×4 temporária com bloqueio de diferencial traseiro e controle de descida. Dimensões um pouco maiores do que a líder Hilux: comprimento, 5.617 mm; entre-eixos, 3.355 mm; largura, 2.090 mm; altura, 1.955 mm; tanque, 76 L.

    Cada versão tem foco distinto. A V7 aposta na robustez, suspensão traseira por eixo rígido com feixes de molas semielípticas, estilo inspirado em picapes de grande porte. Já a V9, mais voltada ao uso urbano e lazer, suspensão traseira independente multibraço, teto solar panorâmico e pacote completo de assistência ao motorista.

    O interior, um destaque, traz quadro de instrumentos digital de 12,3 pol., central multimídia de 14,6 pol. com Apple CarPlay nativo (Android Auto exige o aplicativo Carbit), seis bolsas infláveis e câmeras 360°. Na versão V9, há bancos dianteiros ventilados com memória, teto solar panorâmico e pacote ADAS.

    Primeiro contato em viagem entre São Paulo e Paranapiacaba. No asfalto, ambas se destacaram pela dirigibilidade precisa, conforto ao rodar e baixo índice de ruído. Contudo, em ultrapassagens e retomadas perde para concorrentes. Na terra, a Tunland mostrou boa tração e comportamento previsível em pisos irregulares. Ângulo de entrada de 28°, saída de 26° e vão central do solo de 249 mm permitem enfrentar trilhas leves e vencer obstáculos de estradas de terra sem maiores dificuldades.

    A V9 absorve melhor as irregularidades e transmite rodagem mais macia. Já a V7 privilegia robustez para o trabalho, mas entrega uma experiência ligeiramente mais áspera no uso urbano e em longos trechos pavimentados.

    Preços: V9, R$ 309.900; V7, R$ 289.900

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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