Protótipo auxilia pessoas com deficiência visual
Aos dezesseis anos, Ana Clara Martins de Morais ingressou no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em Imperatriz, para estudar Automação Industrial. Entre 2023 e 2025, durante sua formação, teve contato com o Arduino e os recursos da programação eletrônica. Hoje, professora de Robótica em Senador La Rocque, município localizado a aproximadamente 26 quilômetros de Imperatriz, ela voltou à instituição acompanhada de estudantes para apresentar um projeto que aplica esses conhecimentos ao desenvolvimento de uma tecnologia assistiva.
A visita dos alunos da Escola Caminhos do Sucesso marcou a primeira apresentação do projeto no Senai. Desenvolvida pelos estudantes sob orientação de Ana Clara, a iniciativa reúne uma bengala inteligente e óculos com sensores próprios, concebidos para funcionar em conjunto e auxiliar pessoas com deficiência visual na identificação de obstáculos durante o deslocamento. A solução foi apresentada a alunos do Ensino Médio e do curso Técnico em Automação Industrial.
Alerta antes do obstáculo- A bengala utiliza um sensor ultrassônico conectado a uma programação em Arduino, plataforma de prototipagem eletrônica, para identificar objetos a aproximadamente vinte a trinta centímetros à frente. Quando detecta um obstáculo, o sistema aciona um buzzer, componente responsável por emitir um alerta sonoro. Os óculos também possuem sensores próprios e integram a proposta como recurso complementar. O projeto teve o custo de desenvolvimento entre R$ 100 e R$ 150 na construção do protótipo.
A ideia é ampliar os recursos de percepção de obstáculos por meio de dispositivos que trabalham em conjunto. O desenvolvimento permite aos estudantes aplicar conhecimentos de eletrônica e programação em uma situação concreta, explorando possibilidades da robótica voltadas à acessibilidade. Por se tratar de um protótipo, sua segurança e eficácia ainda dependem de testes e validação em condições reais de uso.
Para Ana Clara, apresentar o projeto tem um significado especial, justamente por ter sido ali que começou a construir o conhecimento que hoje compartilha com seus alunos.
“Foi no Senai que tive meu primeiro contato com o Arduino. Hoje, poder levar esse conhecimento para meus alunos e apresentar o projeto na instituição onde estudei é muito significativo”, afirma Ana Clara.

A iniciativa de procurar a escola partiu do desejo de ensinar o que havia aprendido. O contato com o Arduino, iniciado ainda no curso técnico, passou a fazer parte das aulas e dos projetos desenvolvidos com os estudantes, entre eles a bengala inteligente e os óculos com sensores voltados ao auxílio de pessoas com deficiência visual.
Para o gerente do Senai Imperatriz, Deglison Xavier, receber a ex-aluna com seus estudantes representa uma oportunidade de aproximar a formação profissional das experiências desenvolvidas em outros ambientes educacionais.
“É gratificante receber uma ex-aluna que retorna ao Senai compartilhando os conhecimentos adquiridos em sua formação e incentivando outros jovens a explorar as possibilidades da tecnologia”, destaca Deglison Xavier.
Durante a visita, os estudantes da Escola Caminhos do Sucesso demonstraram o funcionamento do protótipo a alunos do Ensino Médio e do curso Técnico em Automação Industrial do Senai, compartilhando a experiência de desenvolvimento da bengala inteligente e dos óculos com sensores.




