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    Home»Maranhão»Deputadas federais do PSOL lançam campanha em defesa de quilombolas de Alcântara
    Maranhão

    Deputadas federais do PSOL lançam campanha em defesa de quilombolas de Alcântara

    Aquiles Emir12 de agosto de 201903 Mins Read
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    Áurea Carolina e Talíria Petrone defendem os direitos de comunidades tradicionais ameaçadas pela ampliação do CLA

    A fim de garantir os direitos das comunidades quilombolas, que estariam ameaçadas a ampliação do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), as deputadas federais pelo PSol Áurea Carolina (MG) e Talíria Petrone (RJ) lançam uma plataforma online. Ali, os cidadãos podem exigir que os parlamentares cobrem do Executivo o cumprimento da Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e realize uma consulta prévia, livre e informada às comunidades antes que o Congresso decida sobre o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), firmado em março entre Brasil e EUA para a exploração comercial do CLA.

    De acordo com a norma da agência da ONU, da qual o Brasil é signatário e que tem força de lei no país, os povos e comunidades tradicionais devem ser consultados previamente sempre que qualquer decisão impactar seus territórios e modos de vida. Até o momento, não há movimentação do governo Bolsonaro para cumprir a Convenção 169. Por outro lado, os quilombolas da região elaboram, por conta própria, um protocolo que permitirá referendar – ou não – a legitimidade da consulta promovida pelo poder público, caso ela ocorra.

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    “Não podemos permitir que o governo remova as famílias quilombolas do seu território ancestral. A consulta prévia determinada pela Convenção 169 da OIT é um instrumento para proteger os direitos dessas comunidades. Impedi-las de ter livre acesso ao mar, de onde tiram seu sustento e geram renda, é uma forma de decretá-las à morte”, declarou Áurea Carolina.

    Desinformação e desencontros – Os Ministérios da Defesa e da Ciência e Tecnologia (MCT), responsáveis técnicos pelo acordo, apresentam respostas contraditórias sobre a ampliação da base. Enquanto o MCT nega que haverá ampliação territorial do CLA, a pasta da Defesa afirma, em resposta a requerimento de informação feito pela bancada do PSOL na Câmara dos Deputados, que a “população quilombola, que ora habita a área a ser futuramente utilizada, será reassentada em outra área da mesma região”.

    Outra questão preocupante para as comunidades é que, até o momento, o Executivo não apresentou nenhum estudo sobre as vantagens que o acordo trará ao Brasil. Além disso, as empresas envolvidas nos lançamentos do CLA, assim como entidades privadas internacionais, poderão ter controle sobre o uso da base e a circulação de pessoas na área, incluindo nos corredores de pesca que os moradores da região utilizam para acessar o mar.

    Ameaças históricas – Há quase 40 anos as comunidades quilombolas de Alcântara têm suas vidas impactadas pela instalação da base de lançamentos espaciais. Em 1983, centenas de famílias foram remanejadas da área, sob o argumento de garantia da segurança dessas pessoas, sofrendo os mais diversos tipos de violências e privações de direitos.

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    “É muito preocupante o que poderá acontecer com essas comunidades quilombolas de Alcântara, considerando o histórico  de violações desde o início do processo de instalação da base. São várias violências em questão, incluindo simbólica, física e cultural, por tudo que a história representa para um povo, cujo território é condição para sua existência e reprodução. Com essa campanha, exigimos respeito e que haja consulta prévia junto às comunidades”, ressalta a deputada Talíria Petrone.

    Atualmente, muitas famílias ainda residem na localidade e correm o risco de perder seus territórios, caso o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas seja aprovado pelo Congresso e a expansão da área do Centro de Lançamento de Alcântara, prometida pelo Ministério da Defesa, se confirme.

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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