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    Home»Mundo»Donald Trump pode usar mecanismo legal para tirar Jair Bolsonaro do Brasil
    Mundo

    Donald Trump pode usar mecanismo legal para tirar Jair Bolsonaro do Brasil

    Aquiles Emir18 de julho de 202503 Mins Read
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    Presidente Donald Trump com Jair Bolsonaro num dos encontros na Casa Branca quando o brasileiro era presidente da República
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    Especialista detalha cenários que permitiriam fuga do ex-presidente 

    A crescente articulação política de Donald Trump em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro pode ter consequências jurídicas concretas que deixariam o Brasil praticamente impossibilitado de impedir uma eventual fuga do ex-presidente. Segundo análise da advogada criminalista Jacqueline Valles, mestre em Direito Penal, os Estados Unidos dispõem de instrumentos legais e diplomáticos que tornariam ineficazes as medidas cautelares impostas pela Justiça brasileira, como a retenção do passaporte de Bolsonaro e a proibição de deixar o país.

     “Caso os EUA deem asilo político e Bolsonaro entre em território americano, o Brasil não poderá fazer nada porque, mesmo que peça a extradição, ela não será aceita”, explica.

    A especialista fundamenta sua avaliação no princípio internacional de não-extradição por crimes políticos, que oferece proteção robusta a indivíduos que recebem asilo sob alegação de perseguição política no país de origem.

    O cenário mais preocupante, segundo a advogada, envolve o refúgio na embaixada americana. 

    “Se Bolsonaro entrar lá, os EUA podem pedir um salvo-conduto para tirá-lo do Brasil, mesmo que legalmente ele esteja impedido de deixar o país e com o passaporte apreendido”, detalha.

    Este mecanismo diplomático se baseia na imunidade das embaixadas, consideradas extensão do território do país que representam, o que confere aos americanos prerrogativas especiais para proteger pessoas sob sua custódia diplomática.

    O instituto do salvo-conduto, explicado pela advogada, representa um dos mecanismos mais poderosos à disposição dos Estados Unidos. Trata-se de uma garantia diplomática que permite a retirada segura de uma pessoa do território de outro país, mesmo quando há impedimentos legais locais. 

    “É um instrumento reconhecido pelo direito internacional e que, uma vez concedido, cria obrigações diplomáticas para o país receptor”, esclarece Jacqueline.

    Segundo a jurista, nesse cenário, o “Brasil enfrentaria um dilema entre respeitar as normas diplomáticas internacionais e fazer valer suas decisões judiciais internas”. Precedentes históricos demonstram que, em conflitos entre soberania judicial nacional e proteção diplomática internacional, frequentemente prevalecem os instrumentos diplomáticos, especialmente quando envolvem potências como os Estados Unidos.

    A advogada e mestre em Direito Penal (Jacqueline Valles Divulgação)

    A advogada destaca ainda que as recentes declarações de Trump, caracterizando Bolsonaro como vítima de “caça às bruxas” e “perseguição política” seguem um padrão estratégico de construção de justificativas legais.

     “Essas declarações criam o substrato jurídico necessário para fundamentar um eventual pedido de asilo político”, explica.

    “No direito internacional, a caracterização de perseguição política é muitas vezes subjetiva e pode ser interpretada de forma ampla pelo país que concede proteção.”

    Do ponto de vista técnico, a advogada identifica limitações significativas nos instrumentos disponíveis ao Brasil para prevenir ou reverter uma eventual proteção americana a Bolsonaro. 

    “Uma vez que os EUA decidam proteger Bolsonaro por asilo político, o Brasil teria poucos recursos jurídicos eficazes”, adverte Jacqueline.

    A especialista cita precedentes internacionais que ilustram a eficácia desses mecanismos. Casos como o de Julian Assange, Evo Morales e outros líderes políticos que receberam proteção internacional demonstram como questões políticas internas podem gerar proteção efetiva em outros países.

     “O direito internacional de asilo é robusto e oferece proteção real contra perseguição, mesmo quando o país de origem contesta a caracterização”, conclui Jacqueline.

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    Aquiles Emir

      Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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