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    Home»Negócios»Dos biscoitos artesanais à exportação: a jornada empresarial de Ana Alhadeff, fundadora da Doce Pedaço
    Negócios


    Dos biscoitos artesanais à exportação: a jornada empresarial de Ana Alhadeff, fundadora da Doce Pedaço

    Aquiles Emir10 de janeiro de 202605 Mins Read
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    Marca nascida de necessidade familiar

    A história da maranhense Ana Luzia Frazão Alhadeff, CEO da Doce Pedaço Biscoitos Finos, começou dentro de casa, em 2014, entre receitas improvisadas e a maternidade. Professora universitária por muitos anos, ela se afastou das salas de aula após a segunda gestação para cuidar da filha Sofia, que exigia cuidados especiais de saúde e alimentação devido a intolerância à lactose.

    Foi nesse período que, por recomendação médica, ela decidiu preparar um biscoito caseiro para a filha. Assim, deu início, sem imaginar, ao negócio que mudaria seu destino. O primeiro biscoito foi de maracujá. “Era bem ruim”, Ana relembra, rindo. O biscoito, que era apenas uma solução doméstica, conquistou outros paladares. “Ajustei. Testei. Até que ficou bom o suficiente para ser levado numa festa da escola”, conta.

    Na festa da escola, a receita ganhou visibilidade e, para sua surpresa, dias depois recebeu a ligação de uma joalheria de São Luís que lhe rendeu o primeiro pedido formal. O que era apenas lanche para Sofia, virou encomenda. Assim, nasceu a marca, batizada com o carinho infantil: a filha, ainda pequena, pedia “doce”, e não “biscoito”. Nascia ali, a Doce Pedaço.

    Da cozinha doméstica à formalização – No início, os primeiros equipamentos cabiam em uma bancada doméstica: uma bacia, uma colher de pau, um forno e R$ 300,00 de investimento. Com os pedidos crescendo, Ana adaptou o quintal da casa da mãe e improvisou sua primeira cozinha industrial.

    “Eu trabalhava ali entre cuidar da Sofia, da casa, da alimentação dela. Era exaustivo e bonito ao mesmo tempo. Os primeiros lotes saíram de madrugada, enquanto todos dormiam”, ela lembra.

    Em 2015, veio o divisor de águas. Convidada a participar de uma Feira MEI na Praça Maria Aragão, Ana recebeu incentivo do Sebrae para formalizar a empresa. “O Sebrae acreditou em mim quando eu mesma não acreditava. Ele foi o primeiro a dizer ‘vai, dá certo’. Posso afirmar que a Doce Pedaço é filha do Sebrae”, conta Ana agradecida.

    Após formalizar, a empresária mergulhou em cursos, consultorias e programas como Comércio Brasil, Empretec, Sebraetec que moldaram a marca, identidade, embalagem e gestão e o Programa de fortalecimento do empreendedorismo feminino, Sebrae Delas.

    O ponto sem retorno – O momento em que Ana percebeu que o negócio era, de fato, o futuro de sua vida, está guardado com nitidez em sua memória. “O dia que meus biscoitos começaram ser vendidos  nos supermercados eu entendi: não tinha mais volta. A demanda crescia, precisava melhorar processos, criar padrões, garantir qualidade. Era caminhar para frente, mesmo com medo”, revelou.

    A partir dali, o ritmo acelerou. Hoje, a fábrica produz aproximadamente 600 kg de biscoitos por mês, ainda artesanais, moldados manualmente, sem conservantes. A marca está presente nos maiores supermercados de São Luís, em Teresina, Imperatriz e em aeroportos como Palmas e, a desde 2025, Guarulhos.

    A Doce Pedaço também ultrapassou fronteiras. O desejo de exportar começou em 2017, quando Ana participou do programa Exporta Brasil. Em 2019, a empresa ingressou na Apex Brasil e iniciou a adaptação de embalagens e ingredientes para padrões internacionais.

    “Eu não acreditava que alguém fora do Maranhão iria amar o biscoito. Mas quando coloquei para degustação numa feira, as pessoas voltavam para pegar mais. Ali eu entendi que o sabor do nosso estado podia cruzar oceanos”, contou.

    Hoje, a marca exporta para o México, negocia com Portugal e estrutura um plano de expansão para 2026.

    Reconhecimento e novos voos – Com dez anos de mercado formalizado em 2025, a Doce Pedaço coleciona importantes conquistas. É bicampeã do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, recebeu o título de Empresa do Ano 2025 – categoria Microempresa, pela Associação Comercial do Maranhão e em novembro de 2025 também recebeu a 1ª Medalha do Mérito Empreendedor pelo Sebrae. A primeira loja física foi inaugurada recentemente em São Luís e a segunda está prevista para Teresina.

    “Quando me formalizei, o mundo se abriu. O Sebrae me deu base, estrutura e visão. Não esqueço que foi no Sebrae que nasceu a certeza de que um sonho pequeno pode crescer e atravessar fronteiras”, manifestou agradecida.

    Para os próximos anos, Ana planeja ampliar a escala produtiva, expandir a venda de latas especiais para todo o Brasil e acelerar a presença internacional.

    “É emocionante olhar para trás. A Doce Pedaço pra mim, é luta, é renúncia, é recomeço. É o sonho de uma mãe que transformou o cuidado em negócio e que hoje sonha ainda mais alto”, afirma a empresária.

    Ao lado de quem empreende – A trajetória da Doce Pedaço reflete o trabalho do Sebrae em apoiar e fortalecer pequenos negócios no Maranhão. Desde a formalização do CNPJ até cursos, consultorias, programas de acesso a mercado e orientação para exportação, a instituição esteve presente nos principais passos da empresa,  incentivando o crescimento e abrindo portas para novas oportunidades.

    “A história da Ana inspira e mostra o quanto acreditar no próprio potencial pode transformar uma ideia em negócio. O Sebrae está aqui para apoiar esse crescimento e estimular mais empreendedores maranhenses a alcançarem novos mercados, assim como a Doce Pedaço vem fazendo”, ressalta Paula Waldira, Gerente da Unidade de Negócios do Sebrae em São Luís.

    FIEMA
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    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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