Projeto reduz custos para instalar redes
Planejar a instalação de novos trechos de fibra óptica pode exigir semanas de levantamentos em campo para identificar postes disponíveis e definir as melhores rotas para os cabos. Uma solução desenvolvida para a empresa de telecomunicações MAXX, no Maranhão, propõe usar drones, imagens de satélite e inteligência artificial para reduzir esse trabalho e apoiar o planejamento da expansão da rede.
O projeto foi elaborado pelo Núcleo Estadual da Nova Indústria Brasil (N-NIB) no Maranhão, no âmbito do Programa NE 4.0, coordenado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
Com sede em São Luís, a MAXX trabalha na ampliação da rede existente e avalia a chegada a novos municípios. Quando os cadastros disponíveis não oferecem informações suficientes sobre a infraestrutura local, a empresa precisa realizar levantamentos diretamente em campo. A proposta busca reduzir essa etapa e direcionar as equipes para a validação das informações obtidas por meios digitais.
O projeto prevê o uso de diferentes tecnologias de acordo com as características de cada área. Drones serão utilizados em áreas menores ou que exigem maior nível de detalhamento. Imagens de satélite poderão apoiar o levantamento de bairros, cidades de menor porte e municípios avaliados para receber novos trechos da rede. A inteligência artificial será utilizada para identificar postes nas imagens e auxiliar na indicação de possíveis rotas para a instalação dos cabos.
As informações coletadas deverão formar uma base de dados georreferenciada da MAXX. O sistema poderá ser atualizado e reaproveitado em novos projetos de expansão, reduzindo a necessidade de refazer todo o levantamento a cada nova etapa.
O estudo prevê uma redução de 62% a 76% no custo dos levantamentos, dependendo do tamanho da área analisada. O retorno do investimento é estimado entre 14 e 18 meses. Esses números são projeções iniciais. A economia efetiva será verificada durante a implantação e comparada com os custos dos levantamentos realizados pelos métodos atualmente utilizados pela empresa.
O investimento inicial para colocar a solução em funcionamento está estimado em R$ 105,5 mil. O valor inclui drone, computadores para processamento das imagens, equipamentos de armazenamento, tablet para validação em campo e capacitação. O custo anual de operação foi estimado em aproximadamente R$ 31,5 mil, considerando despesas com imagens de satélite, manutenção, licenças e atividades de campo. Os valores ainda serão confirmados por meio de cotações.
Teste com pilotos – A implantação inicial foi planejada para aproximadamente 18 semanas. O projeto prevê dois testes, um com drone, em um bairro de São Luís, e outro com imagens de satélite, em um município que ainda será definido. Também fazem parte dessa etapa o treinamento da inteligência artificial, a validação das informações em campo, a estruturação da base de dados e a avaliação dos resultados técnicos e econômicos.
A MAXX será responsável pelos custos de implantação e deverá contar com a participação da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) no desenvolvimento da solução. A empresa também pretende avaliar a possibilidade de enquadrar os investimentos na Lei do Bem, que prevê incentivos fiscais para empresas que realizam atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica, desde que atendidos os requisitos estabelecidos pela legislação.
O projeto foi estruturado a partir de uma demanda apresentada pela própria MAXX. Para a professora da UFMA e coordenadora do N-NIB no Maranhão, Mikele de Sant’Anna, o trabalho busca aplicar tecnologias disponíveis a uma necessidade específica da empresa. “A solução proposta vai reduzir custos e acelerar a passagem de fibra por locais que ainda não são atendidos, além de comunidades isoladas”, afirmou.
O CEO da MAXX, José Augusto Diniz, disse que a proposta será avaliada no contexto de ampliação e adensamento da rede da empresa. “Percebemos uma preocupação em compreender uma necessidade real da empresa e transformá-la em uma solução tecnológica que possa efetivamente ser incorporada à nossa operação”, destacou.
Programa voltado à indústria – O Núcleo Estadual da Nova Indústria Brasil (N-NIB) integra o Programa NE 4.0, iniciativa que reúne empresas, instituições de ensino e pesquisa e outros parceiros para identificar demandas do setor produtivo e estruturar projetos de inovação. A iniciativa é uma parceria da Sudene com instituições maranhenses, como a UFMA e a Federação das Indústrias do Estado do Maranhão.
Os núcleos estaduais estão alinhados à Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial que estabelece diretrizes para o desenvolvimento e a modernização da indústria brasileira. A proposta combina diagnóstico da maturidade tecnológica das empresas, formação de profissionais e elaboração de projetos de modernização, aproximando o setor produtivo de universidades e instituições de ciência, tecnologia e inovação.




