Fevereiro também foi o mês em que uma emissora de rádio chegou ao fim. Isso porque o veículo então chamado de 94 FM se despediu do dial carioca. O motivo? Pública, sendo vinculada ao governo estadual do Rio de Janeiro, a estação resgatou seu nome histórico — que havia sido abandonado por gestões anteriores em 2017 — e voltou a ser oficialmente chamada de Roquette Pinto (em alusão a Edgard Roquette-Pinto, considerado o pai da radiodifusão brasileira).
Em março e abril foram as vezes de jornais impressos locais se despedirem em definitivo dos leitores. Primeiramente, o Jornal A Cidade, de Santa Maria (RS), circulou pela última vez em data emblemática: 17 de março, dia em que completou 23 anos de história. Semanais depois, foi a vez do centenário Jornal do Commercio (JC), do Recife, desistir de seguir sua trajetória em papel e, assim, passar a focar somente no ambiente online.
A onda de fechamentos de veículos de comunicação brasileiros atingiu, em maio, à mídia televisiva. O canal Loading, então com apenas seis meses no ar, demitiu toda a equipe e passou a viver somente de reprises e “enlatados”. A emissora permaneceu no ar nesse formato, sem produção própria, até o fim de novembro, quando saiu do ar em definitivo, dando lugar a programação da Igreja Mundial do Poder de Deus, informou o Observatório da TV.
Maior conglomerado de comunicação do Brasil, o Grupo Globo não passou ileso na questão de veículos descontinuados em 2021. Em maio, a empresa da família Marinho anunciou o fim da Época enquanto redação própria. Dessa forma, o título encerrou a sua versão impressa (revista semana) e descontinuou domínio na web. A marca só não acabou de vez porque aparece como mera seção do jornal O Globo. O fim foi comemorado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (então sem partido e hoje filiado ao PL, do mensaleiro Valdemar Costa Neto).
A Época não é, contudo, a única revista na lista de veículos de comunicação descontinuados no país em 2021. Editada pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), a Sala Preta foi encerrada após 20 anos de história. Voltada a assuntos científicos e artísticos, a publicação teve a sua última edição rodando em dezembro de 2020, mas o fim só foi confirmado em junho deste ano.
Agosto, por sua vez, marcou o fechamento de mais um jornal impresso de alcance local. No mês, a direção da Folha da Região, de Araçatuba (SP), anunciou que daria “um passo ao futuro”. Sem eufemismos, a movimentação representou foco em 100% da operação da empresa no digital e, consequentemente, o fim da versão em papel.
Outubro foi a vez de um projeto nativo digital entrar para a turma de encerramentos. Em meio a denúncias contra um de seus idealizadores, o jornalista bolsonarista Allan dos Santos, que teve o pedido de prisão decretado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por causa de disseminação de notícias falsas e atuação em suposta organização criminosa, o Terça Livre saiu de cena. A despedida foi divulgada por Ítalo Lorenzon.
Depois de 62 anos circulando entre assinantes e bancas espalhadas por São Luís e outras cidades maranhenses, o jornal O Estado do Maranhão foi outro a migrar de vez para a internet. Com isso, a última edição impressa do título — que é controlado pela família do ex-presidente José Sarney — rodou em 23 de outubro. A manchete escolhida para o capítulo final foi sugestiva: “Papel cumprido…”.
O ano de 2021 também marcou o fim de um veículo de comunicação baseado na cidade de São Paulo e mantido por uma empresa centenária. Pertencente ao Grupo Folha, o Agora encerrou a sua história de 22 anos em novembro. Deixou as bancas (impresso) e parou de publicar novas notícias no online (site próprio, que segue no ar, mas sem atualizações).
Tradicionalmente marcado pelas festas de fim de ano, dezembro não foi de comemoração para a equipe do El País Brasil. Isso porque o comando do Grupo Prisa, da Espanha, anunciou de forma sumária o fim do projeto em português (que se resumia à versão brasileira, que desde 2013 mantinha um portal ativo na internet). A última notícia — justamente o comunicado sobre o próprio encerramento — foi publicada 11 dias antes do Natal.
(Do portal Comunique-se)




