Ensino Médio e qualificação profissional
Pedreiros, pintores, serventes de obras, rejuntadores e bombeiros hidráulicos passaram a dividir a rotina entre o canteiro de obras e a sala de aula em um empreendimento da Canopus, em São Luís. A iniciativa integra o Programa Trilhar Canopus, lançado na segunda-feira (18), em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), e transforma um contêiner climatizado dentro da obra em espaço de aprendizado e novas oportunidades.
A primeira turma reúne 23 trabalhadores da construção civil — entre eles, três mulheres — que irão concluir o Ensino Médio por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) Profissionalizante do Sesi e, ao mesmo tempo, realizar o curso de qualificação profissional na área de Acabamento, pelo Senai. Com duração de um ano, as aulas serão ministradas pelas equipes do Sesi e Senai de Rosário, uma das unidades de referência no desenvolvimento da EJA no Maranhão.
Nunca é tarde para aprender – Aos 57 anos, o pedreiro Edmilson Ribeiro Caldas voltou a estudar após décadas longe da escola. Há 30 anos na construção civil e 26 deles na Canopus, ele conta que precisou interromper os estudos para trabalhar e sustentar a família.
“Antes de eu concluir o ensino médio, chegou o tempo de arranjar família, filho, dificuldade. Aí resolvi parar para trabalhar”, disse.
Edmilson afirma que já havia tentado retornar aos estudos anos atrás, mas desistiu por falta de documentação. Agora, vê no projeto uma nova oportunidade. “Aprender sempre é bom. A gente tem que agarrar a oportunidade que a vida dá. Nunca é tarde para aprender mais e ter conhecimento”, afirmou.
Ele diz que o fato de a sala de aula funcionar dentro da obra facilita a permanência dos trabalhadores no curso. “Não precisa nem sair daqui. A gente termina o trabalho e já entra na sala de aula. Daqui eu vou pra casa depois de já ter aprendido alguma coisa”.
A história do meio oficial de bombeiro hidráulico Irlam dos Santos, de 37 anos, também se mistura à de milhares de trabalhadores que deixaram a escola cedo para ingressar no mercado de trabalho. “Eu estudei até a oitava série. Depois decidi parar porque só queria trabalhar”, contou.
Segundo ele, a dificuldade de conciliar trabalho e estudo fazia com que muitos desistissem no meio do caminho. Agora, a realidade parece diferente. “Na obra tem a oportunidade de concluir os estudos e ainda ganhar uma nova oportunidade de trabalho, de se profissionalizar. Está dentro da obra, não é mais nem difícil. A gente tem que agarrar com determinação e ir até o fim”.
No EJA Profissionalizante do Sesi, os 23 industriários irão concluir o Ensino Médio e participar de formações complementares em Inclusão Digital (vinte horas), Empreendedorismo (doze horas) e Competências Socioemocionais (oito horas). Além disso, também realizarão o curso de qualificação profissional em Acabamento, ofertado pelo Senai.
Para a gerente do Sesi Rosário, Leidyane Coelho, a EJA Profissionalizante amplia oportunidades e permite que trabalhadores retomem os estudos sem precisar se afastar da rotina de trabalho.
“O principal benefício da EJA é permitir que esses trabalhadores concluam os estudos com mais rapidez e flexibilidade, conciliando educação e trabalho. Além do diploma, eles ampliam oportunidades profissionais, fortalecem a autoestima e se preparam melhor para o mercado de trabalho”, destacou.
Para o vice-presidente do Grupo Canopus, Parmênio Jr., o projeto pode ultrapassar os limites da própria empresa e inspirar outras iniciativas semelhantes na construção civil.
“Eu acho que a Canopus tem capacidade de trazer mais gente. Outras empresas, quando verem esse projeto, vão se interessar também”, afirmou. Segundo ele, o espaço criado para as aulas deve permanecer aberto para visitas de empresários e representantes de outros setores interessados em replicar a experiência. “Esse espaço não é só da Canopus, é de todos vocês”, disse.
Parmênio Jr. também destacou a conexão construída entre a empresa e o Sistema FIEMA para viabilizar o projeto. “A gente tem muita conexão com o Sistema e isso estava meio parado. Graças a Deus, chegou gente com vontade de fazer essa ponte e criar oportunidades para vocês”.




