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    Home»Mundo»Empresa anglo-francesa ameaça indígenas isolados na Amazônia peruana para exploração de petróleo

    Empresa anglo-francesa ameaça indígenas isolados na Amazônia peruana para exploração de petróleo

    Aquiles Emir18 de agosto de 20220
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    Imagens mostram aéreas indígenas em Napo-Tigre

    A petrolífera anglo-francesa Perenco está pressionando o governo do Peru para acabar com os planos de demarcar um território de indígenas isolados. A empresa entrou com uma ação judicial contra a demarcação pois pretende continuar explorando petróleo na região.

    Se essa ameaça se concretizar, os povos indígenas isolados de Napo-Tigre, na região norte da Amazônia peruana, estarão em uma situação de extremo perigo.
    A empresa é comandada pelo piloto de corrida amador François Perrodo, um dos homens mais ricos da França. A petrolífera tem sido alvo de denúncias por causar graves danos ao meio ambiente e às populações locais na África e na América Latina, bem como pela falta de transparência em suas operações.
    A recente ação judicial da Perenco não é um ato isolado. Há anos a empresa vem se opondo à criação da reserva indígena. A petrolífera, juntamente com o governo da região de Loreto e outros atores do setor do petróleo, está por trás de uma campanha pública contra a criação e proteção de reservas indígenas.
    Francois Perrodo em encontro com o então presidente peruano Alan Garcia. © Sepres

    Em abril, eles pediram ao governo que revogasse a lei nacional de proteção dos povos indígenas isolados (conhecida no Peru como Lei PIACI). Eles negam consistentemente a existência de povos isolados e em uma carta do início de agosto, o governador regional de Loreto solicitou ao governo a “anulação de todo o processo PIACI”.

    As organizações indígenas do Peru ORPIO e Aidesep, juntamente com a Survival International, expressaram extrema preocupação com esses ataques:

    Acompanhe nosso canal do YouTube!
    “A Perenco viola e menospreza os direitos humanos de nossos irmãos e irmãs em situação de isolamento”, diz Apu Jorge Pérez, presidente da Aidesep.
    François Perrodo, presidente da Perenco, com um dos carros de sua extensa coleção. © Facebook
    Em 25 de julho, após anos de luta das organizações indígenas, a comissão do governo encarregada de criar a reserva indígena finalmente reconheceu a existência de povos indígenas isolados em Napo-Tigre. Esse reconhecimento, fundamental para a demarcação da terra, levou quase 20 anos para acontecer.
    A ação legal da Perenco e a campanha do governo regional colocam em risco extremo a sobrevivência dos povos indígenas isolados, os mais vulneráveis do planeta.
    A pesquisadora da Survival International Teresa Mayo disse hoje: “O governo do Peru finalmente reconheceu a existência de povos indígenas isolados em Napo-Tigre. Agora, não pode virar as costas para eles. O Estado peruano tem a obrigação de agir de forma rápida e consistente na criação e proteção da reserva indígena. Não vamos permitir que cedam novamente às pressões de empresas, por mais poderosas que sejam”.

    (Comunicado de Imprensa da Survival International)

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    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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