Medida representa novo revés nas negociações
Os Estados Unidos revogaram nesta terça-feira (7) a licença geral que autorizava a produção, comercialização e exportação de petróleo iraniano. A medida representa um novo revés nas negociações entre Washington e Teerã e ameaça comprometer o acordo firmado entre os dois países há pouco mais de duas semanas.
A decisão foi anunciada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês), do Departamento do Tesouro dos EUA. Com isso, a Licença Geral X, emitida em 21 de junho, deixa de ter validade. O governo norte-americano permite apenas um período de transição até 17 de julho para que sejam concluídas operações previamente autorizadas.
A autorização fazia parte do memorando de entendimento negociado entre Estados Unidos e Irã, que previa um alívio parcial das sanções impostas a Teerã, incluindo a flexibilização das restrições às exportações de petróleo iraniano até 21 de agosto de 2026. Após o anúncio, o preço do barril chegou a subir 3% e superou US$ 75 (R$ 387), o maior valor desde 26 de junho.
A revogação ocorre em meio à retomada das tensões no estreito de Ormuz, após três navios petroleiros relatarem terem sido atingidos por projéteis nos últimos dias. Autoridades norte-americanas afirmaram haver indícios de envolvimento iraniano nos ataques, embora Teerã não tenha comentado as acusações.
Segundo Washington, as ações iranianas na região são “totalmente inaceitáveis” e terão consequências. Apesar disso, autoridades do país afirmaram que as negociações para um acordo mais amplo sobre o programa nuclear iraniano continuam.
O estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta e recebe cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, além de grandes volumes de gás natural liquefeito (GNL). Uma nova interrupção prolongada do tráfego na região pode voltar a pressionar os preços internacionais da energia e aumentar os custos para governos e consumidores.
A decisão também levanta dúvidas sobre a estabilidade do entendimento firmado entre os dois países. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, já havia indicado que o alívio das sanções poderia ser revertido a qualquer momento.
Na ocasião, Bessent pontuou que a medida era “uma cenoura que sempre podemos retirar”, sinalizando que a flexibilização estava condicionada ao comportamento de Teerã durante as negociações.