Ex-juiz criticou afrouxamento no combate à corrupção
O ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro é, oficialmente, do Podemos e na cerimônia de filiação, nesta quarta-feira (10), em Brasília (DF), colocou-se à disposição dos brasileiros para, segundo ele, construir um Brasil justo para todos. “Nunca tive ambições políticas, quero apenas ajudar. Se for necessário assumir a liderança neste projeto, meu nome sempre estará à disposição do povo brasileiro”, discursou ele.
Antes dele subir ao palco, discursaram Alvaro Dias, líder do Podemos no Senado, e a deputada federal Renata Abreu, presidente nacional do partido. Alvaro fez uma convocação a Sergio Moro:
“Estamos aqui para convocar à luta ao enfrentamento da corrupção o ex-juiz Sergio Moro, que queremos que seja presidente desse país. O Brasil vive um momento de refundar a República” e, para isso, é preciso acabar com a corrupção. A filiação de Sergio Moro é um marco para o país”, disse o senador, que em seguida clamou “Sergio Moro presidente, o Brasil de volta. Viva o Brasil, viva Sergio Moro”.
Renata Abreu também enalteceu o novo filiado: “Moro teve coragem ao deixar uma profissão com estabilidade para lutar contra a corrupção. Esse é o homem que hoje assume uma grande missão. O Brasil precisa de um líder com coragem, com determinação, com responsabilidade”.
Movido pelo sonho de transformar o Brasil, Sergio Moro se filiou ao Podemos. O ato ocorreu nesta quarta-feira (10), em Brasília, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, para cerca de 2 mil pessoas.
Ao lado da presidente nacional do partido, deputada federal Renata Abreu (SP), do líder do Podemos no Senado, Alvaro Dias (PR) e de dirigentes partidários, Moro assinou ficha de filiação ao partido pelo diretório estadual do Paraná.
Em seu discurso, falou do combate à corrupção, mas foi além ao defender o pleno emprego, saúde, educação, combate à fome, meio ambiente, inclusão e enfrentamento à criminalidade.
“Precisamos recuperar a ideia de que vivemos e dividimos o mesmo País, de que somos todos irmãos, amigos e vizinhos. Podemos até divergir em alguns assuntos, mas temos, como brasileiros, mais pontos em comum do que diferenças. Então nosso projeto é forte, é vigoroso, mas não é agressivo. Nossas únicas armas serão a verdade, a ciência e a justiça”, afirmou.

Moro defendeu ainda o fim da reeleição para cargos do Executivo e aprovação de propostas como o fim do foro privilegiado e a volta da prisão após condenação em segunda instância. Ele também prestou homenagem aos mais de 600 mil mortos pela Covid no país.
“Jamais usarei o Brasil para ganho pessoal. Vocês sabem que podem confiar que eu sempre vou fazer a coisa certa. Ninguém irá roubar o futuro do povo brasileiro. Estou, portanto, recomeçando hoje, à disposição de vocês, por um Brasil justo para todos”, acentuou.
Discurso de Moro – Em seu discurso, Sergio Moro falou um pouco sobre sua história, seu ingresso na política e suas ideias para um projeto para construir o Brasil do futuro. Ele chegou a brincar com o seu timbre de voz, que muitos criticam, mas destacou que “se não sou a melhor pessoa para discursar, posso assegurar que sou alguém em que vocês podem confiar”.
Ao lembrar a Operação Lava Jato, disse que “a Petrobrás foi saqueada, dia e noite, por interesses políticos, como nunca antes na história deste País”, frisou citando uma das frases a que o ex-presidente Lula mais recorria quando queria falar de seus feito. Sobre sua ida ao governo, disse que tentou contribuir, pois “havia pelo menos uma chance de dar certo e eu não podia me omitir”.
Ele disse que seu desejo era continuar atuando, como ministro, em favor dos brasileiros, mas “infelizmente, não pude prosseguir no governo”. Sem detalhar o que seria esse boicoite, disse que “quando vi meu trabalho boicotado e quando foi quebrada a promessa de que o governo combateria a corrupção, sem proteger quem quer que seja, continuar como ministro seria apenas uma farsa”.
O discurso pode ser lido na íntegra aqui.
(Com informações e imagens do Podemos)




