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    Home»Variedades»Fundo Brasil lança campanha “Povos indígenas pedem socorro” para apoiar luta de povos originários
    Variedades

    Fundo Brasil lança campanha “Povos indígenas pedem socorro” para apoiar luta de povos originários

    Aquiles Emir6 de junho de 202305 Mins Read
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    Objetivo é captar recursos para indígenas que estão enfrentando a retirada de direitos e ameaças à vida

    A aprovação pela Câmara dos Deputados da urgência para a votação do projeto de lei que estabelece o marco temporal para a demarcação de terras indígenas, no dia 24 de maio, ameaça ainda mais a vida, a saúde e as culturas dos povos indígenas no Brasil. Esses povos, que já sofrem com contaminação das águas e do solo pelo garimpo ilegal, devastação da biodiversidade, doenças, invasões por madeireiros, pescadores e outras atividades extrativistas predatórias, estão ainda mais ameaçados agora.

    Para apoiar as organizações indígenas no enfrentamento a essa sequência de violações, o Fundo Brasil de Direitos Humanos lança, em 1 de junho, a campanha “Os Povos Indígenas Pedem Socorro”. O objetivo é captar recursos para destiná-los às lutas autônomas dos povos originários.

    A iniciativa convida o conjunto da sociedade brasileira a conhecer – e reconhecer – os iminentes perigos que colocam em risco a vida de milhares de indígenas no país, o meio ambiente e, consequentemente, a saúde do planeta, e também a apoiar esses povos por meio de doações que serão destinadas a projetos de grupos e coletivos que lutam pela causa.

    Há cerca de um mês, os povos originários decretaram emergência climática durante o 19º Acampamento Terra Livre (ATL), mobilização que levou mais de seis mil indígenas a Brasília para, durante cinco dias, pedir retomada dos processos de demarcação de terras indígenas e efetivação de direitos previstos na Constituição de 1988.

    “Este é o segundo ano consecutivo que a campanha indígena busca mobilizar recursos para as lutas desses povos”, diz Ana Valéria Araújo, superintendente do Fundo Brasil. “Em 2022, destinamos recursos para 24 grupos e coletivos indígenas de todo o país, sem falar nos aportes emergenciais destinados a lideranças desses povos ameaçados por sua luta. Mas basta estar atento aos últimos fatos no país para saber que a emergência indígena está muito longe de ser superada, e por isso, retomamos a campanha”, explica a superintendente.

    “Essa luta exige recursos para deslocamentos, organização de encontros e reuniões estratégicas entre lideranças indígenas, para que esses povos possam mesmo pressionar as instituições brasileiras. Os povos indígenas correm contra o tempo. Essa luta é para salvar vidas”, completa Vania Schoemberner, Gerente de Relacionamento com a Sociedade do Fundo Brasil. “Por isso, convidamos todo mundo a doar e a compartilhar a campanha. Cada doação é muito importante, é urgente.”

    Para doar, basta clicar neste link.

    Marco temporal – O debate sobre demarcação de terras indígenas voltou à ordem do dia depois que a Câmara dos Deputados aprovou, em 24 de maio, a urgência da votação do projeto legislativo que estabelece o marco temporal como regra para essas demarcações. O texto da medida prevê que seja adotada a Constituição de 1988 como limite para o reconhecimento de uma área como terra indígena – ou seja, só seriam consideradas legitimamente indígenas as terras que estavam ocupadas por esses povos na data da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988.

    Isso em um país marcado pelos processos de expulsão de povos originários, que se perpetuaram durante os séculos da colonização.

    Se aprovado, o marco temporal reduziria em 63% o número de terras demarcadas ou em demarcação. Dados da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) apontam que atualmente mais de 200 territórios indígenas aguardam análise para demarcação. Hoje, o Brasil conta com 680 territórios regularizados.

    Segundo lideranças indígenas, a não-demarcação agrava ainda mais casos de invasões, garimpo ilegal e violência. De acordo com o Relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT), 2022 ficou marcado pela escalada da violência em decorrência de conflitos no campo. Foram 553 ocorrências e 1.065 vítimas, um número 50% maior do que o levantamento de 2021. Para esse estudo foram consideradas as seguintes ocorrências: assassinatos, tentativas de assassinato, ameaças, agressões, torturas e prisões. Os indígenas ocupam a primeira posição do ranking de principais vítimas de violência no campo. Das 47 pessoas mortas no campo, 18 (38%) pertenciam aos povos tradicionais.

    Os números também apontaram o aumento da violência contra crianças e adolescentes. De 2019 a 2022, foram 10 assassinatos no campo ao todo, sendo nove adolescentes e uma criança. Desse valor, metade eram jovens indígenas.

    Além dos problemas citados acima, o último levantamento do Monitor do Fogo, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), causou preocupação ao evidenciar que, em comparação com 2021, a área queimada de florestas cresceu em 93%, sendo que 85% dos incêndios aconteceram na região amazônica. Já o estudo “Isolados Por um Fio: Riscos Impostos aos Povos Indígenas Isolados”, também desenvolvido pelo IPAM, destacou que de 2019 a 2021, seis das 10 terras indígenas com maiores índices no aumento do desmatamento têm povos isolados.

    Fundo Brasil – O Fundo Brasil de Direitos Humanos é uma fundação independente, sem fins lucrativos, criada em 2006 por ativistas com a missão de promover o respeito aos direitos humanos no país, criando mecanismos sustentáveis, inovadores e efetivos para fortalecer organizações da sociedade civil e para desenvolver a filantropia de justiça social.

    A fundação faz isso captando recursos para destiná-los a organizações e comunidades que lutam por direitos fundamentais e combatem as desigualdades, a violência institucional e a discriminação em todo o país. Desta forma, a fundação atua como uma ponte, conectando investidores sociais a projetos que transformam o mundo.

    A instituição apoia a busca por justiça racial e de gênero, a luta por direitos dos povos indígenas, de populações quilombolas e tradicionais, por justiça socioambiental na Amazônia e fora dela, por direitos de crianças e jovens, de pessoas LGBTQIA+, de trabalhadores rurais e precarizados, de comunidades impactadas por obras de infraestrutura e empreendimentos urbanos, de vítimas da violência de Estado e seus familiares, a luta contra o encarceramento em massa e a tortura no sistema prisional, entre outras. Para saber mais, acesse o site.

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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