Morientes defende Carlo Ancelotti
A Copa do Mundo 2026 chegou ao fim e a Espanha foi coroada campeã com um futebol que prioriza o jogo coletivo. A metodologia é aplicada desde as categorias de base e se estende até o futebol feminino, de forma que os jogadores e jogadoras revelados se tornam profissionais com uma maneira de jogar definida e que tenha encaixe na seleção nacional.
Na opinião de Fernando Morientes, multicampeão com o Real Madrid e goleador da La Roja, em entrevista à plataforma Reviant, o Brasil poderia seguir os passos do sucesso e focar na formação de novas gerações.
“O foco deve estar nas novas gerações, porque são elas que vão formar a seleção principal e conquistar títulos no futuro. Eu não diria que a Espanha é pioneira nisso, mas trabalhamos muito bem. Fazemos esse trabalho há bastante tempo, e acredito que a federação acertou ao escolher como treinador da seleção principal alguém que já havia trabalhado com todas essas gerações de jogadores.
Ninguém conhece esses atletas melhor do que ele. Muita gente duvidava da qualidade de alguns jogadores, mas ele os acompanha há muito tempo e sabe exatamente o que eles podem produzir no contexto da seleção, e não apenas nos clubes. Foi aí que ele conseguiu os resultados, e isso é o que realmente importa no fim das contas”, indica Morientes.
Ele destaca que a seleção espanhola está colhendo os frutos de um projeto que começou com as categorias mais jovens da base.
“O sucesso da Espanha nas últimas duas décadas veio muito mais da Europa do que da Copa do Mundo: o Mundial de 2010 e depois as Eurocopas. Acho que é justamente o que eu estava dizendo: trata-se muito das gerações, de trabalhar corretamente com as gerações que estão surgindo, desenvolvendo a estrutura da seleção desde o Sub-15. A Espanha, por exemplo, acaba de conquistar o título europeu Sub-19.
Acho que, se existe algo que o Brasil pode aprender com a Espanha, é exatamente isso: trabalhar da mesma forma que a federação espanhola trabalha nas categorias de base, com uma visão de médio e longo prazo voltada para o desempenho. Agora esse trabalho está dando frutos”, pontua.
Pressão em Carlo Ancelotti – O goleador espanhol não concorda com a pressão recebida por Carlo Ancelotti na eliminação do Brasil. Para ele, a equipe não estava em uma fase de preparação que permitisse chegar longe na Copa do Mundo e o treinador italiano teve pouco tempo para trabalhar a equipe.
“Precisamos colocar em perspectiva o momento atual da seleção brasileira. Eu entendo que, pela história que o Brasil tem, os torcedores obviamente queiram e esperem ver a seleção na final. Mas também é preciso entender em que estágio essa equipe está, no seu processo de amadurecimento, e reconhecer que ela não era uma favorita clara para vencer esta Copa do Mundo. A realidade é que o Brasil foi eliminado pela Noruega, que fez uma excelente campanha. Os torcedores precisam entender o que está acontecendo.
Acho que o contexto não foi levado em consideração. Eles pensaram mais na rica história e no talento das seleções brasileiras do passado e, nessas situações, a culpa normalmente recai sobre o treinador e sobre alguma estrela que não tenha rendido bem. Então acabaram culpando o treinador, que era um técnico novo e que chegou cercado de confiança. Mas o Carlo não pode fazer milagres”.
Algum brasileiro entraria na seleção da Espanha?
Na opinião de Morientes, somente três brasileiros entrariam na seleção espanhola – e todos eles, por coincidência, atuam no país que acabou de se tornar campeão do mundo.
“Existem jogadores brasileiros de quem eu gosto muito: Vinícius e Raphinha, que jogam por Real Madrid e Barcelona. Pelo que têm mostrado em seus campeonatos nacionais, ambos atuam em um nível muito alto poderiam entrar (na seleção da Espanha). Também destacaria jovens como o Endrick. Eles não tiveram muito impacto nesta Copa do Mundo e também não receberam muitos minutos em campo, mas são jogadores dos quais se espera que se tornem grandes atletas no futuro”, conclui.
Com o Real Madrid, Morientes conquistou três títulos da Liga dos Campeões (1997/98, 1999/00 e 2001/) e foi o artilheiro do torneio em 2003/04. Além do clube espanhol, o ex-atacante atuou por outros de peso como o Liverpool, Monaco, Olympique de Marselha e Valencia. Pela seleção espanhola, disputou duas Copas do Mundo e anotou 27 gols em 47 jogos.




