Com apoio da Assembleia Legislativa, Marcha das Margaridas em protesto contra a retirada de direitos, machismo e qualquer tipo de violência. Em oitenta ônibus, elas percorreram mais de mil quilômetros, enfrentando quase 30 horas de estrada, para se unirem a outras milhares de mulheres de todos os cantos do Brasil e de 26 países, nesta terça e quarta-feira, 13 e 14 de agosto, para participar da 6ª Marcha das Margaridas, em Brasília (DF),
A índia Mariquinha, da tribo Guajajara, se preocupa com a futura geração de seu povo e pede que sua cultura seja mantida. “Queremos ter o direito de viver livres. Nossos filhos estão crescendo e tudo que queremos é nossa cultura viva. Queremos manter tudo o que conquistamos até hoje”. A grajauense falou ainda da valorização de suas terras:
“O significado da nossa terra é sagrado. Está tudo interligado. É pássaro, é água, é terra, é nossa vida, é rito, ritual, alimentação e a gente também quer ser ouvida. As políticas públicas precisam chegar às bases para lutarmos por nosso território, que é sagrado para nós. Quero saber onde é o nosso espaço, o quanto a mulher guajajara tem o espaço na política partidária, na ocupação de cargos públicos, ou até onde podemos dialogar com o governo municipal, estadual e federal Queremos ser ouvidas”.
Cíntia Mariquinha e mais 70 índios de sua tribo saíram do Parque da Cidade em direção à Esplanada dos Ministérios, nesta terça (13), na 1º Marcha das Mulheres Indígenas, onde se juntaram a outros milhares de índios de 300 etnias do Brasil, percorrendo cerca de 3 km, com pedidos de socorro em prol da saúde, educação e da defesa das terras indígenas que sofrem com a invasão e desmatamento.
Com o tema “Território: nosso corpo; nosso espírito”, pela primeira vez, tribos do Maranhão, Pará, Acre e de outros Estados percorreram ruas de Brasília com um único destino: chegar à sede do Governo Federal e do Congresso Nacional para pedir mais atenção e proteção às aldeias.
Mulheres indígenas – A ‘Marcha das Mulheres Indígenas’ marcou o início da Marcha das Margaridas, aberta oficialmente na noite desta terça, no Parque da Cidade, com a presença de mulheres de todos os cantos do país.
A maranhense quebradeira de coco Maria Antônia dos Santos, 67, uma das líderes do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu da Baixada (MIOCB) mostrou sua força e garra na Marcha: “sou quebradeira de coco reivindicando um direito que é de todas as mulheres que carregam essa bandeira pesada, de luta. É um prazer estar aqui, não de coração livre, mas de muita força e garra, para que tenhamos melhorias em termo de vida, principalmente com o governo de hoje. Temos sobrevivido, porque somos fortes e resistentes. Estaremos sempre na luta para melhorar de vida”.
Nesta edição, a Marcha, que é a maior da América Latina, teve como tema “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre violência”. Além de indígenas e quebradeiras de coco, a ação reuniu agricultoras, camponesas, sem-terra, acampadas, assalariadas, trabalhadoras rurais, artesãs, seringueiras, pescadoras, ribeirinhas, quilombolas e quem mais estiver no cenário rural, unidas em um grande clamor.
A Marcha das Margaridas fez o mesmo percurso da Marcha das Mulheres Indígenas, entre o Parque da Cidade e a Esplanada dos Ministérios, com encerramento nas proximidades do Congresso Nacional, consagrando-se como um importante espaço e uma importante estratégia para as “margaridas” conquistarem visibilidade, reconhecimento social, político e cidadania plena.




