Criminalista foi mais uma vítima de complicações pela covid-19
O advogado e procurador do estado José Cláudio Pavão Santana (foto) publicou, em sua página no Facebook, o artigo “A Lágima que fica” em que presta homenagem ao também advogado Mozart Baldez, que faleceu vítima de complicações por infecção de covid-19.
Pavão destaca a atuação de Baldez como defensor da sua categoria, que, por duas vezes, tentou representar como presidente da OAB-MA. “Como advogado participou ativamente em defesa da classe, sem transigir com seus princípios e convencimentos para acomodar situações circunstanciais”, lembra.
Eis o artigo na íntegra:
A lágrima que fica
Hoje a Turma de 1976 do Colégio Batista “Daniel de la Touche” está triste. Fomos alcançados pela dor da morte de Mozart Baldez.
Negão, gigante, autoridade, irmão, jogador, atleta, muitos eram os tratamentos entre pessoas que o conheciam como todos nós. Carinho era a marca em cada um deles.
Inquieto, destemido, determinado, obcecado por um Judiciário democrático e um intransigente defensor da justiça, foi um advogado combativo, após encerrar sua carreira policial em Brasília e retornar a sua terra natal.
Como advogado participou ativamente em defesa da classe, sem transigir com seus princípios e convencimentos para acomodar situações circunstanciais. Apoiei desde o primeiro momento sua candidatura, ainda que me tenha distanciado da OAB.
Num dos nossos últimos encontros, para apreciarmos um bom vinho, em companhia de seu grande amor e mãe dos seus filhos – Ana – revelou-me que havia prometido a ela que retornaria ao Maranhão para descansar. Não conseguiu – disse-me a Ana. Que eu saiba foi a única promessa não cumprida.
Sinto que perdemos um dos colegas mais solidários na Turma de 1976. Empenhado sempre em ajudar os colegas sem importar as circunstâncias.
Se bem me lembro só tínhamos duas discordâncias que, entre gozações mútuas, eram ainda assim respeitadas: eu rubro-negro no Rio e aqui; ele, tricolor. No mais, o vinho nos reuniu várias vezes e sobre tudo falávamos, trocávamos impressões, mas sempre com muito respeito mútuo. Em uma ocasião, pelo menos, fomos os últimos clientes a sair. Justamente naquela noite ele me fez uma revelação e ao mesmo tempo indagação que me pôs a pensar: “Zé Cláudio, só se ama uma vez, né”?
É natural que a curiosidade do leitor queira saber minha resposta. A única coisa que posso deduzir é que o grande amor de sua vida foi e sempre será Ana, sempre ao seu lado, sempre solidária.
Muito mais poderia dizer, mas confesso: estou triste, muito triste, pela partida do colega de colégio.
Que Deus o receba com plena misericórdia e que sua família possa preservar seus ideias.
Minha lágrima escorreu, amigo, no instante em que, no escritório, vi cair um objeto e meu sincretismo tomou conta do ambiente, o que me fez, em viva voz, dizer: se és tu, irmão, siga em paz.
Fico com teu sorriso largo, deixo escorrer a lágrima da saudade, porque me fica tua eterna lembrança.

