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    Home»PONTO DE VISTA»Justiceiros de Copacabana são reflexos de uma lacuna deixada pelo Estado?
    PONTO DE VISTA

    Justiceiros de Copacabana são reflexos de uma lacuna deixada pelo Estado?

    Aquiles Emir10 de dezembro de 202303 Mins Read
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    Escalada da violência tem como resultado a criação de grupos para fazer justiça com as próprias mãos 

    POR RAQUEL GALLINATI*

    *Raquel Gallinati é delegada de polícia; pós-graduada em Ciências Penais, em Direito de Polícia Judiciária e em Processo Penal; mestre em Filosofia; diretora da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) do Brasil

    Em Copacabana, antes um refúgio sereno à beira-mar, a comunidade agora se destaca como protagonista em uma narrativa complexa de desespero e ação. Impulsionados pela crescente insegurança, grupos tornam-se desafiadores do status quo, transgredindo os limites legais, se tornando uma força de revolta contra a onda de crimes.

    Os roubos perpetrados por marginais em Copacabana acendem a centelha que desperta uma sociedade cansada de esperar por respostas efetivas do Estado. Diante da inanição do poder público, o vazio deixa os moradores à mercê do medo e da indignação, e a resposta toma um caminho perigoso.

    Os ‘justiceiros’ improvisados, em sua tentativa desesperada de restaurar a ordem, ultrapassam a fronteira ética e legal, enfrentando a complexa questão: até que ponto a necessidade de segurança pode justificar a transgressão da lei?

    A sociedade, ao reagir à falha do Estado, inadvertidamente entra em território legalmente indefensável. O dilema dos ‘justiceiros’ se desenha na luta contra a insegurança, porém comprometem valores fundamentais na preservação dos alicerces legais que definem uma democracia.

    A sombra dos ‘justiceiros’ não é apenas uma revolta, mas também uma condenação silenciosa da ineficácia do sistema em proteger seus cidadãos, em um palco de contradições onde a ausência do Estado se assemelha perigosamente aos caminhos dos milicianos.

    Na lacuna deixada pela ausência do Estado, os milicianos emergiram como figuras que inicialmente preenchiam o vazio de segurança e ordem. Em muitas comunidades, suas ações eram interpretadas como uma resposta às deficiências do aparato estatal. No entanto, à medida que o tempo avançou, essa percepção inicial de heroísmo cedeu lugar a uma realidade mais sombria.

    Hoje, os milicianos, longe de serem salvadores, revelaram-se tão perigosos quanto os próprios bandidos que inicialmente buscavam combater.

    A transformação desse grupo, de supostos protetores a ameaças, levanta questões profundas sobre a dinâmica complexa entre a sociedade e as estruturas de poder. A ausência de uma presença estatal eficaz pode abrir espaço para a proliferação de grupos autônomos, inicialmente bem-intencionados, mas que, com o tempo, podem sucumbir à corrupção e à violência.

    Dependência de alternativas informais, como justiceiros ou milicianos, revela não apenas falhas no sistema de segurança, mas também uma necessidade premente de reformas estruturais que reafirmem a autoridade do Estado e assegurem a justiça.

    A presença do Estado deve não apenas ser desejada, mas também efetivamente capaz de proteger e servir a população.

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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