O Grupo Mateus (GMAT3) vai fazer um aporte de R$ 378,4 milhões nos cofres da ex-concorrente Novo Atacarejo, de Pernambuco, com quem firmou acordo para uma combinação de negócios, conforme anúncio feito na sexta-feira (20), pelo empresário Ison Mateus, presidente do Conselho Administrativo da Empresa, ao inaugurar mais uma loja em São Luís. A união das duas empresas será para suas operações nos estados de Pernambuco, Paraíba e Alagoas.
Foram excluído dessa transação, os negócios de eletrodomésticos, já que o Grupo Mateus não abre mão do seu Eletro Mateus nesses estados, por isto continuarão sendo operados de forma independente pela companhia.
A transação foi aprovada pelo Conselho de Administração do Grupo Mateus, e como será efetuada por subsidiárias da companhia que são empresas de capital fechado, não depende da aprovação dos acionistas detentores dos papéis GMAT3.
O acordo entre Mateus e Novo Atacarejo prevê um aporte de R$ 378.481.704,48 pelo Grupo Mateus no caixa do Novo Atacarejo, valor sujeito aos ajustes usuais para esse tipo de operação, diz o fato relevante arquivado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Segundo reportagem de Júlia Wiltigem, de Seu Dinheiro, o aporte será feito em três parcelas anuais de mesmo valor, sendo que a primeira delas será desembolsada após a aprovação da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Já a segunda e a terceira serão pagas 12 e 24 meses, respectivamente, após o aporte da primeira parcela. “Esses valores serão corrigidos pela inflação medida pelo IPCA entre a data da assinatura do contrato de associação e a respectiva data de pagamento”, destaca a reportagem.
Como esta transação, o Grupo Mateus passará a deter 51% do capital votante do Novo Atacarejo (as empresas NSA e Ambapar), cujos sócios ficarão conjuntamente com os demais 49% restantes.
“No contexto da operação, o Novo Atacarejo será transformado em uma sociedade por ações”, observa o fato relevante do Grupo Mateus.
Ainda segundo o fato relevante, no fechamento da operação, será celebrado um acordo de acionistas, que irá prever que a empresa resultante seja administrada por um Conselho de Administração cuja maioria dos membros seja indicada pelo Grupo Mateus, incluindo o presidente do colegiado.
Já o diretor presidente (CEO) da nova companhia será o atual CEO do Novo Atacarejo, Daniel Luiz Guerra Costa. O Grupo Mateus, por sua vez, terá o direito de indicar e eleger o diretor financeiro (CFO) da sociedade resultante.

“Nos termos do contrato de associação, após o fechamento da operação, a sociedade resultante será o veículo exclusivo das partes para investimentos nos negócios de atacarejo, varejo e atacado de distribuição nos estados de Pernambuco, Alagoas e Paraíba”, conclui o documento.
Novo Atacarejo – Trata-se de uma importante rede de atacarejo que auferiu uma receita bruta de mais de R$ 5,6 bilhões nos 12 meses terminados em 30 de setembro de 2024. No mesmo período, as lojas e centros de distribuição do Grupo Mateus localizados nos estados de Pernambuco, Alagoas e Paraíba auferiram faturamento bruto de cerca de R$ 4,9 bilhões.
Assim, a combinação desses negócios na região resulta em uma companhia com receita bruta de cerca de R$ 10,5 bilhões por ano.
Atualmente, o Novo Atacarejo opera 32 lojas em Pernambuco, duas lojas na Paraíba e um centro de distribuição, e possui modelo de negócios e direcionamento similares aos do Grupo Mateus.
Seus acionistas de referência têm forte histórico no setor de varejo de alimentos no Brasil. “A família Assis, atual controladora do Novo Atacarejo, sempre se destacou por sua excelência na condução de negócios no setor de varejo alimentar, tendo sido fundadora da rede de supermercado Bretas, em Minas Gerais”, explica o fato relevante.
“A implementação da Operação representará o fortalecimento da estratégia de expansão regional do Grupo Mateus oferecendo para os clientes da região uma experiência de compra cada vez mais completa, com base nas bandeiras Mix Mateus, Mateus e Novo. Além disso, o movimento de consolidação está alinhado com o propósito de contribuir com o desenvolvimento econômico das regiões Norte e Nordeste do país por meio da geração de empregos formais diretos e indiretos”, diz o documento.



