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    Home»Bem-estar e saúde»Medicamentos de uso humano podem ser fatais para cães e gatos
    Bem-estar e saúde

    Medicamentos de uso humano podem ser fatais para cães e gatos

    Aquiles Emir25 de julho de 202507 Mins Read
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    Medicamentos manipulados consideram as necessidade individuais de cada pet, o peso, a espécie e a prescrição do médico-veterinário (Melvin Quaresma)
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    Veterinária alerta para riscos da automedicação

    Um simples comprimido deixado sobre a mesa ou uma pomada aplicada na pele sem o devido cuidado pode representar sérios riscos à saúde de cães e gatos. Muitos tutores, por desconhecimento ou na tentativa de agir rapidamente diante de um desconforto do animal, recorrem à automedicação utilizando princípios ativos indicados para seres humanos, sem compreender que, mesmo quando o fármaco é o mesmo, as doses, as vias de administração e os efeitos colaterais podem ser extremamente diferentes entre as espécies. Além disso, há substâncias que são seguras para nós, mas que causam intoxicações severas em pets, mesmo em quantidades mínimas.

    Medicamentos comuns, riscos imensos

    Entre os medicamentos que lideram os casos de intoxicação acidental em animais de estimação, analgésicos e anti-inflamatórios de uso humano estão entre os mais perigosos. Substâncias como paracetamol, ibuprofeno, diclofenaco e ácido acetilsalicílico (aspirina), tão presentes nos lares brasileiros, podem causar desde danos gastrointestinais até falência hepática ou renal em cães e gatos.

    “No caso do paracetamol, por exemplo, basta uma dose considerada segura para um ser humano adulto para provocar necrose hepática grave e alterações hematológicas severas, principalmente nos gatos, que são extremamente sensíveis a essa substância”, explica a médica-veterinária e consultora da rede de farmácias de manipulação veterinária DrogaVET, Farah de Andrade.

    Outro grupo preocupante é o dos antidepressivos e ansiolíticos, como fluoxetina, sertralina, diazepam e clonazepam. Apesar de alguns desses princípios ativos serem utilizados em tratamentos veterinários, o uso sem prescrição e, principalmente, com dosagens inadequadas pode desencadear reações adversas graves, como alterações neurológicas, convulsões, arritmias e até coma.

    O mesmo vale para antibióticos de uso humano, como a amoxicilina com clavulanato ou a ciprofloxacina, que, embora usados em tratamentos veterinários, precisam ser prescritos com base no peso, na espécie e na condição clínica do animal. “Não é apenas a substância em si, mas a dose exata e a forma de administração que definem a segurança e a eficácia de um medicamento. A bula destinada a humanos jamais pode ser utilizada como referência para um pet”, reforça Farah.

     Medicamentos de uso tópico ou dermatológico também podem causar intoxicação nos animais de estimação (Foto Edjane Madza)

    Aparentemente inofensivos – Além dos medicamentos tradicionais, outro grupo que merece atenção especial é o dos suplementos, vitaminas e nutracêuticos de uso humano. Por terem uma imagem associada à promoção da saúde, muitos tutores acreditam que a administração seja segura ou até benéfica para os animais de estimação — o que pode ser um equívoco perigoso.

    O grande problema está, mais uma vez, na diferença metabólica entre humanos e animais. A vitamina D, por exemplo, é essencial para a regulação do cálcio e do fósforo no organismo, mas, quando administrada em doses acima do necessário — o que pode ocorrer facilmente com produtos de uso humano — pode provocar hipercalcemia, levando à calcificação de órgãos, insuficiência renal aguda e até à morte do animal.

    Já a vitamina A, se fornecida de forma crônica e em doses elevadas, pode causar dores articulares, letargia, perda de apetite e alterações ósseas, especialmente em gatos. O excesso de ferro pode gerar lesões gastrointestinais e hepáticas severas, e o zinco, comum em pastilhas e cápsulas para imunidade em humanos, quando ingerido por cães e gatos, pode provocar vômitos, diarreia, anemia hemolítica e outros distúrbios graves.

    “O erro de pensar que o que faz bem para humanos fará bem para pets é um dos principais fatores por trás das intoxicações por vitaminas e suplementos. A farmacocinética e as necessidades fisiológicas dos animais são diferentes e qualquer adição deve ser prescrita por um médico-veterinário”, alerta Farah.

    Os nutracêuticos — compostos naturais utilizados para prevenir ou tratar doenças, como ômega 3, condroitina, glucosamina, probióticos, colágeno e fitoterápicos — também têm sido cada vez mais populares entre os tutores. No entanto, quando comprados em farmácias convencionais e destinados ao consumo humano, não possuem dosagem adequada para animais e, muitas vezes, contêm excipientes, corantes, adoçantes ou conservantes que são tóxicos para os pets, como o xilitol, adoçante comum em suplementos mastigáveis, mas que em cães pode causar uma queda abrupta de glicose no sangue, levando a convulsões, coma e morte.

    Da mesma forma, a melatonina, muito utilizada por humanos para indução do sono e regulação do ritmo circadiano, tem sido usada em animais em casos de ansiedade, distúrbios hormonais ou queda de pelos. Porém, a dose segura para animais é muito inferior àquela encontrada nos comprimidos disponíveis no mercado humano, além de exigir pureza farmacêutica e ausência de substâncias aditivas.

    Perigos que vão além da ingestão

    A intoxicação medicamentosa em pets não ocorre apenas pela ingestão oral. Medicamentos de uso tópico ou dermatológico, como minoxidil (indicado para tratamento de alopecia em humanos), representam um risco silencioso, mas letal, especialmente quando aplicados em regiões que o animal possa lamber ou com as quais possa entrar em contato direto. Apenas a exposição cutânea já pode provocar efeitos colaterais severos, como taquicardia, hipotensão, prostração e, em casos extremos, óbito.

    Outros medicamentos hormonais de uso tópico, como estrógenos e testosterona em gel, também oferecem riscos quando absorvidos acidentalmente pela pele ou lambedura. O acúmulo dessas substâncias no organismo do animal pode interferir no sistema endócrino, provocar alterações comportamentais e até distúrbios reprodutivos.

    Medicação segura só com prescrição veterinária

     Analgésicos e anti-inflamatórios de uso humano estão entre os medicamentos que lideram os casos de intoxicação acidental em animais de estimação (Foto Edjane Madza)

    Dados da pesquisa Radar Pet 2023, realizada pela Comissão de Animais de Companhia (Comac), do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), apontam que ao perceber que o pet não está normal, 37% dos entrevistados prefere observá-lo por três dias, 35% leva diretamente ao veterinário e 22% entra em contato com o veterinário. No entanto, o índice de pessoas que buscam outros meios é preocupante: 22% pedem orientação a conhecidos, 19% medicam por conta própria e 9% procuram informações na internet.

    A automedicação é sempre contraindicada, mesmo quando o tutor já tenha ouvido falar de determinado medicamento sendo usado em pets ou quando o animal já tenha usado anteriormente em outro tratamento. Cada caso exige uma avaliação criteriosa, e somente o médico-veterinário pode indicar a substância correta, a dose exata e o tempo de tratamento adequado.

    “Ainda que alguns princípios ativos possam ser compartilhados entre humanos e animais, como antibióticos ou ansiolíticos, isso não significa que a apresentação, a posologia e a forma de administração sejam as mesmas. Utilizar medicamentos humanos sem ajuste específico é um risco que nenhum tutor deveria correr”, afirma Farah.

    Medicamentos manipulados exclusivamente para pets

    A escolha por medicamentos manipulados para uso veterinário oferece não apenas mais segurança, mas também maior adesão ao tratamento. Na DrogaVET, cada formulação é desenvolvida de acordo com a prescrição do médico-veterinário, considerando o peso, a espécie, a condição clínica e as necessidades individuais de cada pet, o que garante precisão no tratamento e reduz risco de intoxicação.

    Outro diferencial importante da manipulação veterinária é a possibilidade de personalização das formas farmacêuticas. A DrogaVET oferece soluções como biscoitos, pastas orais, molhos e caldas flavorizadas com sabores como leite condensado, frango, carne, picanha ou atum. Essas opções facilitam a administração, reduzem o estresse do tutor e do animal e contribuem para a continuidade do tratamento de forma mais eficaz.

    “Um pet medicado corretamente tem mais chances de se recuperar, e um tutor orientado faz toda a diferença nesse processo. Por isso, sempre recomendamos que a primeira atitude, diante de qualquer alteração no comportamento ou no estado de saúde do animal, seja procurar um profissional habilitado”, finaliza Farah.

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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