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    Home»Brasil»Metade dos brasileiros que usam nomes de terceiros para compras tem amizades abaladas
    Brasil

    Metade dos brasileiros que usam nomes de terceiros para compras tem amizades abaladas

    Aquiles Emir8 de outubro de 201905 Mins Read
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    Um levantamento feito em todas as capitais do país pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que 36% dos consumidores brasileiros fizeram compras utilizando o nome de terceiros nos 12 meses anteriores a pesquisa, sendo que o hábito de pedir o nome emprestado é ainda maior entre as pessoas de mais baixa renda (38%) e entre os jovens (46%). E mais: 51% desses casos resultaram em rompimento ou abalo de amizade.

    De acordo com o estudo, a prática é utilizada, principalmente, por quem está com dificuldades de acesso ao crédito ou enfrenta imprevistos e não conta com uma reserva de emergência. Em cada dez pessoas que pediram o nome emprestado para realizar compras parceladas, três (30%) se encontravam com o limite estourado no cheque especial ou cartão de crédito. Outros 22% não tinham determinadas modalidades de crédito à disposição para uso, 18% estavam com o ‘nome sujo’ e 16% tiveram crédito negado.

    Na avaliação da economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o consumidor que empresta seu nome precisa refletir sobre as consequências do ato, pois a responsabilidade legal sobre a dívida é sempre de quem emprestou, já que, formalmente, ele é o titular da pendência financeira. “Caso o tomador do nome emprestado não consiga honrar o compromisso assumido, é a pessoa que empresta o nome quem arca com as consequências financeiras e jurídicas da situação. Recusar ajuda para familiares e amigos pode parecer cruel, mas muitas vezes, essas já apresentam um histórico desfavorável de pagamentos e há um risco real de que a dívida não seja paga e quem emprestou o nome será obrigado a arcar com o pagamento da quantia sozinho”, afirma a economista.

    O estudo revela ainda que na hora de pedir o nome emprestado, as pessoas mais procuradas são aquelas do círculo de convivência, como os pais (28%), os cônjuges (21%), amigos (17%) e irmãos (16%). Além disso, na maioria das vezes, quem solicita esse tipo de ajuda acaba obtendo uma resposta positiva, uma vez que 77% dos entrevistados sempre conseguiram o nome emprestado, mesmo que parte tenha enfrentado algum tipo de dificuldade (22%).

    A pesquisa revela que os argumentos de convencimento mais utilizados por quem pede o nome emprestado são a obrigação de pagar uma dívida (22%) e a necessidade de fazer compras em supermercados (17%). Há ainda 14% de pessoas que alegaram ter de comprar algo para o filho.

    De acordo com a pesquisa, 7% das pessoas que pediram o nome emprestado nem mesmo avisaram o dono do dinheiro sobre a quantia que seria usada e, entre aqueles que avisaram, o valor a ser gasto (87%), 11% acabaram consumindo algo acima do que estava combinado.

    “Em vários casos, quem empresta desconhece a finalidade daquele dinheiro, que pode acabar sendo usado para aquisições que não são de fato emergências ou importantes. Antes de emprestar o nome, é válido procurar entender o que motivou o pedido para tentar ajudar a pessoa de outra maneira. Para não se comprometer de imediato, a pessoa abordada pode dizer que consultará a família antes de dar uma resposta, por exemplo”, afirma o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli.

    A maioria (90%) dos entrevistados alega ter pago ou ao menos estar pagando em dia as parcelas das compras feitas em nome de outros, mas 12% reconhecem ter alguma prestação em atraso. Considerando os que estão com o pagamento pendente, 23% justificam que houve diminuição da renda, 18% se esqueceram de pagar e 17% estão com salário atrasado. No total, 12% dos empréstimos de nome resultaram em negativação do CPF de quem assumiu a dívida.

     

    Resultado de imagem para briga de amigos
    Ajuda pode acabar em desentendimentos e rompimento de amizades (fotos da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional)

    Amizade abalada – A pesquisa demonstra que, em diversas ocasiões, o empréstimo de nome deixou sequelas no relacionamento entre as duas partes. Em 51% dos casos a falta de pagamento do dinheiro emprestado fez com que a relação de amizade ficasse abalada. Outros 40% garantem que a amizade continua como antes, enquanto 9% não souberam responder.

    Um dado curioso é que, embora tenham sido beneficiados pela ajuda de outra pessoa, quase metade (49%) das pessoas que já pediam o nome emprestado não emprestariam o seu próprio nome, caso alguém fizesse o mesmo pedido. Dentre os que negariam o pedido, 30% têm receio de que a pessoa não pague e 28% são cautelosos porque conhecem pessoas que emprestaram o nome e tiveram problemas por isso.

    “Muitos dos que pedem o nome emprestado não fariam o mesmo por outra pessoa, justamente, por entenderem que é uma prática que envolve riscos. Uma alternativa para quem quer ajudar é oferecer dinheiro em espécie em vez de emprestar o cartão de crédito. Dessa forma, o provável prejuízo se restringirá apenas a quantia emprestada, sem que a dívida aumente por conta de juros ou gere negativação de CPF”, explica a economista Marcela Kawauti. 

    Outros detalhes revelados pelo levantamento é que o cartão de crédito é o meio de pagamento mais solicitado (74%) por quem pede o nome emprestado para fazer compras. Em seguida, aparecem crediário (13%), financiamento (10%) e empréstimo bancário (9%) no ranking de modalidades. Além disso, a maioria (69%) das pessoas ouvidas disse que não sentiu qualquer dificuldade por utilizar o nome de terceiros no momento da compra, enquanto 25% enfrentaram algum empecilho nesse procedimento.
     
    Metodologia – A pesquisa entrevistou 805 consumidores, sendo que continuaram a ser entrevistados somente aqueles que disseram ter pedido nome emprestado a terceiros. A margem de erro da amostra total é de 3,4 pontos percentuais, para uma margem de confiança de 95%. Acesse a pesquisa na íntegra e a metodologia em: https://www.spcbrasil.org.br/imprensa/pesquisas.

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    Aquiles Emir

      Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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