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    Home»Brasil»Alexandre de Moraes manda governador do Rio prestar esclarecimentos sobre operação
    Brasil

    Alexandre de Moraes manda governador do Rio prestar esclarecimentos sobre operação

    Aquiles Emir29 de outubro de 202504 Mins Read
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    Audiência marcada para 03 de novembro 

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (29) que o governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, preste esclarecimentos sobre a Operação Contenção, que deixou pelo menos 119 mortos. 

    O ministro também marcou para o dia 3 de novembro uma audiência, que será realizada na capital fluminense, para tratar do caso.

    A operação foi realizada na última terça-feira pelas polícias civil e militar do Rio de Janeiro, nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, para o cumprimento de 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão, sendo 30 expedidos pelo estado do Pará. Segundo o governo do Rio, o objetivo era conter a expansão da facção criminosa Comando Vermelho.

    De acordo com balanço apresentado pelas forças de segurança nesta quarta-feira, o total de mortes chegou a 119: 58 pessoas morreram em confronto com a polícia e tiveram seus corpos retirados dos complexos de favelas na terça; houve ainda a morte de quatro policiais durante o confronto; por fim, dezenas de corpos foram revelados na manhã de hoje e retirados da área de mata do Complexo da Penha.

    Houve ainda 113 prisões, sendo que 33 eram pessoas de outros estados que atuavam no Rio de Janeiro.

    Os confrontos e as retaliações promovidas pela facção criminosa impactaram vias expressas, serviços públicos e até mesmo o funcionamento de empresas na cidade, que fecharam as portas mais cedo e liberaram funcionários.

    O governador do Rio classificou a operação como “um sucesso”, mas defensores dos direitos humanos, organizações da sociedade civil e movimentos de favelas denunciam a ação como “chacina” e “massacre”. Familiares dos mortos apontam que os corpos encontrados tinham sinais de execução, como tiros na cabeça e até mesmo mutilações.

    Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil
    Dezenas de corpos foram levados por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro (Tomaz Silva/Agência Brasil)
    ADF das Favelas – A decisão do ministro foi proferida no âmbito do processo que é conhecido como ADPF das Favelas, ação na qual a Corte já determinou medidas para combater a letalidade policial na capital fluminense.

    Moraes foi escolhido para tomar decisões urgentes envolvendo o processo, diante da ausência de um relator para o caso. A ação era comandada pelo ex-ministro Luís Roberto Barroso, que se aposentou na semana passada.

    De acordo com a decisão, Claudio Castro deverá apresentar dezoito esclarecimentos sobre a operação:

    1. Relatório circunstanciado sobre a operação;
    2. Prévia definição do grau de força adequado e justificativa formal para sua realização;
    3. Número de agentes envolvidos, identificação das forças atuantes e armamentos utilizados;
    4. Número oficial de mortos, feridos e pessoas detidas;
    5. Adoção de medidas para garantir a responsabilização em caso de eventuais abusos e violações de direitos, incluindo a atuação dos órgãos periciais e o uso de câmeras corporais;
    6. Providências adotadas para assistência às vítimas e suas famílias, incluindo a presença de ambulâncias;
    7. Protocolo ou Programa de medidas de não repetição na forma da legislação vigente;
    8. Preservação do local para a realização de perícia e conservação dos vestígios do crime;
    9. Comunicação imediata ao Ministério Público;
    10. Atuação da polícia técnico-científica, mediante o envio de equipe especializada ao local devidamente preservado, para realização das perícias, liberação do local e remoção de cadáveres;
    11. Acompanhamento pelas Corregedorias das Polícias Civil e Militar;
    12. Utilização de câmeras corporais pelos agentes de segurança pública;
    13. Utilização de câmeras nas viaturas policiais;
    14. Justificação e comprovação da prévia definição do grau de força adequado à operação;
    15. Observância das diretrizes constitucionais relativas à busca domiciliar;
    16. Presença de ambulância, com a indicação precisa do local em que o veículo permaneceu durante a operação;
    17. Observância rigorosa do princípio da proporcionalidade no uso da força, em especial nos horários de entrada e saída dos estabelecimentos educacionais. Em caso negativo, solicita-se informar as razões concretas que tenham tornado necessária a realização das ações nesses períodos;
    18. Necessidade e justificativa, se houver, para utilização de estabelecimentos educacionais ou de saúde como base operacional das forças policiais, bem como eventual comprovação de uso desses espaços para a prática de atividades criminosas que tenham motivado o ingresso das equipes.

    (Agência Brasil)

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    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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