Melhor tratar bem quem já nos visita há muito tempo
AQUILES EMIR
A imprensa local acaba de anunciar mais uma iniciativa da Prefeitura Municipal de São Luís com vistas à atração de turistas estrangeiros para a cidade, com o envio de uma equipe para atuar na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), maior evento turístico de Portugal. Na notícia, projeções otimistas sobre o retorno desse investimento, que, infelizmente, a exemplo de outras iniciativas semelhantes, nem sempre se confirmam.
A informação vem poucos dias depois do retorno do vice-governador, Felipe Camarão, de uma viagem aos Açores, onde teria ido fechar um acordo para criação de voos chaters ligando São Luís a esse pedaço do território português, o que seria um reforço, já que estava prometido um para começar a operar em dezembro passado, partindo da capital desse país.
Esforços assim são sempre bem vindos, pois mostram empenho das autoridades a fim de aumentar o movimento de um dos segmentos mais dinâmicos da economia nos tempos atuais, a chamada indústria sem chaminé, mas cabem algumas observações.
Não é de hoje que se fala na ligação de São Luís com o continente europeu pela via área, muito embora se saiba que pelo movimento de passageiros das duas partes é praticamente inviável a sustentação de um voo para atender os dois destinos. Muitas tentativas já foram feitas, e nenhuma deu resultado, até porque os poucos passageiros com vocação e condições financeiras para esse tipo de viagem têm duas opções bem próximas daqui: Belém (PA) e Fortaleza (CE).
Esperar para o dia que o avião vai partir é não pode ser, e se alguém se programar não terá certeza se a aeronave estará aqui na data pretendida para o embarque.
Sobre esse tema, vale ressaltar um dado importante: levantamentos junto às empresas de hotelaria de São Luís revelam que a grande maioria dos seus hóspedes vem das proximidades do Pará, Tocantins, Piauí e, principalmente, do interior do estado. Boa parte chega pela via terrestre.
Diante disso, chega-se à conclusão de que, antes de investir na busca de turistas que estão bem longe daqui, seja Europa, Ásia ou América do Norte, melhor tratar bem aqueles que já nos visita há muito tempo, e chega aqui com muito sacrifício, por falta de estradas bem conservadas e sinalizadas, péssimos serviços de gastronomia ao longo do trajeto, ônibus precários etc.
Se essa modalidade fosse melhor tratada, nosso movimento turístico poderia estar bombando, como se diz na gíria, e certamente a repercussão nacional e internacional traria gente de muito longe para nos visitar também. Infelizmente, procura-se tanto turistas a milhas de distância e não se estende o braço a quem está do lado.
Lembro do depoimento de um importante empresário de turismo no Piauí, que veio a São Luís na esperança de firmar parcerias com vistas a trazer piauienses para cá. Disse-me ele: o problema é que o Maranhão não é bem divulgado no Piauí e a associação que se faz de São Luís é de “coisa velha”, isto é, patrimônio histórico, porém a cidade tem muito mais a oferecer também em lazer, belezas naturais, gastronomia etc.
Pensando bem, turismo não é fácil, mas alguns gostam de complicar mais ainda, e debater a verdadeira vocação turística do Maranhão torna-se necessário no momento em que se inicia um novo governo.




