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    Home»Maranhão»Ocupação de sítio pelo povo Gamela provocou confronto de indígenas com posseiros em Viana
    Maranhão

    Ocupação de sítio pelo povo Gamela provocou confronto de indígenas com posseiros em Viana

    Aquiles Emir3 de maio de 201704 Mins Read
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    Os primeiros relatos ouvidos por representantes do governo do Maranhão no município de Viana dão conta de que o episódio violento do último domingo (30) foi motivado por um confronto entre os índios Gamela e moradores da região. Após os ataques, que culminaram com pelo menos seis indígenas feridos, autoridades da área de direitos humanos no estado e membros da Fundação Nacional do Índio (Funai) seguiram para o local, assim como agentes da Polícia Federal e de órgãos responsáveis pela investigação dos crimes.

    De acordo com o ouvidor de Direitos Humanos, Igualdade Racial e Juventude do Maranhão, Maurício Paixão, uma equipe da Secretaria de Direitos Humanos visitou o povoado Taquaritiua, onde vivem os Gamela. Integrantes das secretarias municipais de Educação e Saúde também estiveram no local para garantir a prestação de serviços públicos à comunidade.

    “O confronto aconteceu primeiramente porque tinha um grupo de pessoas tentando a retomada de um território. A população ficou sabendo e foi até o local onde os índios estavam, daí surgiu o conflito entre índios e não índios”, afirmou o ouvidor à Agência Brasil. Segundo Paixão, as pessoas que chegaram para impedir a ocupação se desentenderam com os indígenas que estavam no local e, como as versões são divergentes, não é possível saber quem começou os ataques.

    “Alguns dizem que indígenas estavam armados, outros que os trabalhadores estavam armados. Pelo que a gente apurou, ambas as partes não entraram em acordo. Inclusive tinha uma pessoa com problema de saúde que queria sair do local”, informou Paixão.

    De acordo com a Secretaria dos Direitos Humanos e Participação Popular do Maranhão, a área em questão, uma espécie de sítio de 22 hectares que fica no Povoado de Bahias, é ocupada por um fazendeiro. Os representantes do governo também estiveram na localidade e conversaram com um caseiro. O clima na região, segundo o Conselho Indigenista Missionário, continuou tenso até a chegada dos policiais federais no início da semana.

    De acordo com o ouvidor, o objetivo das visitas é elaborar um relatório técnico com as principais políticas públicas que devem ser desenvolvidas para a solução de todos os conflitos na área, e não somente o ocorrido no último dia 30. Para isso, foram feitos contatos com a Secretaria de Educação de Viana com o intuito de fornecer transporte para as crianças da aldeia.

    00673_foto_5_sedhipop_governo_fiscaliza_violacoes_de_direitos_humanos_em_area_de_conflito_indigena_2636580620336357272Visando garantir o atendimento médico aos indígenas, a Secretaria de Saúde municipal também foi visitada pela equipe, composta pelo representante da Assessoria Especial de Assuntos Indígenas, Danilo Serejo, e pela coordenadora do Programa Estadual de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, Luama Alves.

    A demanda pela demarcação de territórios pelos Gamela é histórica. Segundo os índios, uma área no norte do Maranhão foi doada a eles pela Coroa portuguesa no século 18 e, posteriormente, ocupada por fazendeiros ao longo dos anos.

    Ainda hoje, os indígenas marcaram um encontro com a frente de trabalho da Funai enviada à localidade com o mesmo objetivo de produzir um relatório que embase as ações do órgão. De manhã, um dos líderes agredidos teve alta e foi recebido com festa e danças típicas pela comunidade.

    “Trata-se de uma situação que requer muita cautela. É preciso fazer um procedimento que permita identificar que posseiros e fazendeiros ocupam a região. A identificação do território indígena por eles reivindicado vai requerer um certo estudo de laudos antropológicos, que não se resolve de um dia para outro”, destacou Maurício Paixão.

    Nesta terça-feira (02), o presidente da Funai, Antônio Costa, reconheceu que a fundação não tem estrutura suficiente para acompanhar todos os pedidos de demarcação de terra, que envolvem grupos de trabalho para identificação, demarcação e delimitação do território. Já o governador do Maranhão, Flávio Dino, prometeu pagar os estudos necessários para “que haja paz” na região.

    Quatro indígenas continuam internados em um hospital de São Luís após o confronto. Dilma Cutrim Meireles, de 35 anos, precisou fazer novos exames após apresentar dores de cabeça e mal-estar. Os outros três permanecem em tratamento, mas estão se recuperando das lesões, de acordo com a Secretaria de Saúde do Maranhão.

    (Agência Brasil com imagens da Secap)

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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