Organização foi criticada por descartar essa hipótese
A Organização Mundial da Saúde (OMS), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), finalmente concordou em abrir uma nova frente de investigação sobre a origem da covid-19 e recomendou estudos para se verificar se o vírus pode ter tido sua origem num acidente de laboratório. Segundo o jornal português Público, de Lisboa, a nova linha de investigação se dá um ano depois dessa possibilidade ter sido considerada “extremamente improvável”.
A Rádio e Televisão Portuguesa (RTP), com base em informações da agência francesa EFE, também ampla abordagem ao tema, segundo a Agência Brasil.
A mudança de posição ocorre após cientistas terem acusado a OMS de ter descartado com demasiada rapidez, ou ter subestimado a teoria de que o vírus pode ter tido origem no Instituto de Virologia de Wuhan, a cidade no centro da China, onde se deram os primeiros casos de covid-19 em finais de 2019.
De acordo com o Público, “a OMS concluiu, no ano passado, que a hipótese era “extremamente improvável”. Muitos cientistas defenderam ser mais provável que o novo coronavírus tenha sido transmitido para os humanos a partir de morcegos, possivelmente com outro animal como intermediário”.
Ainda em conformidade com o jornal português, num relatório divulgado nesta quinta-feira (09), o grupo de especialistas da OMS disse faltarem ainda “dados-chave” para apurar como a pandemia começou.
“Os cientistas disseram que “permanecerão abertos a toda e qualquer evidência científica que se torne disponível no futuro para permitir testes abrangentes de todas as hipóteses razoáveis”. E observaram que, como os acidentes de laboratório no passado provocaram alguns surtos, a teoria do laboratório, que foi altamente politizada, não pode ser descartada”, acrescenta o jornal.
A conclusão dos trabalhos não será imediata, já que identificar a fonte de uma doença leva anos. Para que se tenha ideia, demorou mais de uma década para os cientistas identificarem as espécies de morcegos que serviram como reservatório natural da síndrome respiratória aguda grave (SARS), um outro coronavírus, detectado no sul da China, no final de 2002.
Para o virologista Jean-Claude Manuguerra, que integra o grupo da OMS que vai investigar a origem da covid-19, alguns cientistas “podem ser avessos” à ideia de investigar a teoria do laboratório, mas é preciso manter a “mente aberta” para examinar esta hipótese.
O relatório pode ressuscitar acusações de que a OMS aceitou inicialmente, sem questionar, as explicações do Governo chinês, no início do surto em Wuhan.

O ex-Presidente dos Estados Unidos Donald Trum é um dos exemplos dos que acusavam a China de ter provocado a pandemia. Ele especulou repetidamente que a covid-19 seria originária de um laboratório chinês, e acusou a OMS “de conluio” com a China para encobrir o surto inicial.
Especialistas, citados pela agência de notícias Associated Press, disseram que nenhum estudo foi fornecido à OMS que avaliasse a possibilidade de a covid-19 ter resultado de uma fuga de um laboratório.
Jamie Metzl, que integra um grupo consultivo da organização não relacionado com as investigações, sugeriu que os países do G7 criassem uma equipa própria para pesquisar as origens do vírus, alegando que a OMS não tem autoridade política, experiência e independência para realizar uma avaliação tão crítica.




