Jejum de 24 anos aumenta pressão
Às vésperas da estreia do Brasil na Copa do Mundo, o ex-atacante da seleção brasileira Paulo Sérgio admite que o Brasil ainda precisa evoluir para se consolidar entre os principais candidatos ao título. Em entrevista exclusiva ao Wettbasis, site parceiro do Somos Fanáticos, o campeão mundial em 1994, ex-jogador do Corinthians e do Bayern de Munique, avaliou que a equipe comandada por Carlo Ancelotti vive um momento de construção, mas ressalta que a história da seleção mostra que o favoritismo prévio nem sempre foi determinante para o sucesso.
França mais estável – Ao analisar o atual estágio da seleção brasileira, Paulo Sérgio citou a recente derrota para a França como um indicativo de que a equipe ainda busca maior consistência, especialmente no setor ofensivo.
Segundo o ex-atacante, os franceses demonstram hoje um nível de estabilidade superior ao do Brasil, embora isso não diminua o peso histórico da camisa verde e amarela.
“Espero, como todos os brasileiros, uma boa Copa do Mundo. Vimos o jogo contra a França, não fomos tão bem. A França está mais estável no ataque do que nós no momento. Mas, de qualquer forma: Brasil é Brasil”, afirmou.

Longo jejum – Paulo Sérgio também chamou atenção para o longo período sem títulos mundiais da seleção. O Brasil não conquista uma Copa desde 2002 e chegará ao torneio de 2026 acumulando exatamente 24 anos de espera — o mesmo intervalo que separou os títulos de 1970 e 1994.
Para o ex-jogador, a pressão sobre o elenco será enorme, tornando fundamental a união em torno do trabalho de Carlo Ancelotti.
“Esperamos muito tempo para ser campeões mundiais novamente. Esperamos 24 anos antes de 1994, exatamente como agora. Mas os rapazes precisam estar altamente concentrados. A pressão no Brasil é gigantesca. Eles precisam apoiar firmemente o treinador”, disse.
Na avaliação do campeão mundial, a dependência excessiva de um único atleta pode se tornar um problema para a seleção.
“Caso contrário, tudo vai depender do Neymar. O Neymar é o jogador-chave hoje, vamos ver o que acontece”, completou.
Lições de 1970, 1994 e 2002 – Apesar das dúvidas em torno da equipe atual, Paulo Sérgio lembrou que algumas das campanhas mais vitoriosas da história do futebol brasileiro começaram cercadas de questionamentos.
O ex-atacante revelou uma conversa que teve com Pelé sobre a preparação para a Copa de 1970. Segundo ele, nem mesmo a equipe considerada uma das maiores de todos os tempos carregava o status de favorita absoluta antes do torneio.
“Fico muito no Brasil e, há alguns anos, conversei com o Pelé — que Deus o tenha. Ele me contou que em 1970, quando os rapazes foram para a Copa, a pressão existia, mas eles não eram os favoritos absolutos antes do torneio”.
Paulo Sérgio destacou ainda que o mesmo cenário se repetiu nas campanhas vitoriosas de 1994 e 2002. Na sua visão, a ausência de favoritismo pode até ajudar a reduzir a pressão sobre o grupo.
“Em 1994, nós também não éramos favoritos. Em 2002, as críticas antes do torneio a Ronaldo, Ronaldinho e Kaká eram enormes — e, mesmo assim, os caras conseguiram”.




