Ambos os governos convocam seus embaixadores
Para Charles Pennaforte, que também é coordenador do Laboratório de Geopolítica, Relações Internacionais e Movimentos Antissistêmicos (LabGRIMA), a movimentação diplomática do Brasil mostra o desejo de não se manter na defensiva em relação ao tema. “Analisando de uma maneira mais tranquila, a gente nota que Israel tenta sair na defensiva, já que existe de modo geral uma repulsa internacional pelo o que acontece emGaza”, afirma Pennaforte.
A atitude do governo de Netanyahu, aponta o especialista, evidencia dois fatos, o primeiro é que “Israel está isolado”.
“Até mesmo Joe Biden [presidente dos Estados Unidos] está sendo muito criticado internamente pela atuação de Israel, que contou com apoio total e irrestrito [dos EUA].”
A outra é a força de Lula como “líder do Sul Global”. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, fez uma comparação idêntica há alguns meses, “só que o peso da Turquia é regional, a liderança de Erdogan não é a equivalente a de Lula”, afirma.
Um histórico Complicado – Segundo Segundo Paulo Velasco, cientista político e professor de relações internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a relação Brasil-Israel é “marcada por desencontros”. Em 2014, por exemplo, Yigal Palmor, porta-voz da chancelaria de Israel, chamou o Brasil de “anão diplomático” após o governo Dilma (2011–2016) apontar o uso desproporcional de força por parte de Israel em um conflito na Faixa de Gaza.
Ainda assim, nenhuma fala presidencial brasileira gerou repercussões tão grandes quanto a feita por Lula no sábado (17). Israel não só declarou o presidente brasileiro persona non grata até que peça desculpas, como chamou o embaixador brasileiro Frederico Meyer para se explicar e o levou a uma visita ao Museu do Holocausto, que documenta os crimes contra a humanidade cometidos pelo regime de Adolf Hitler.




