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    Home»Poder e Política»Reportagem de O Globo lembra atuação de Eliziane Gama para cassação de Dilma Rousseff ocorrida há dez anos
    Poder e Política


    Reportagem de O Globo lembra atuação de Eliziane Gama para cassação de Dilma Rousseff ocorrida há dez anos

    Aquiles Emir31 de agosto de 202605 Mins Read
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    "Mais perto e alinhada com o presidente Lula do que nunca", comemora a senadora
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    Adesão ao petismo por sobrevivência política

    O jornal O Globo deste domingo (30) traz uma reportagem de Caio Sartori sobre um dos temas que mais incomodam a senadora Eliziane Gama (PT), que está em campanha pela reeleição com apoio do presidente Lula, mas que há exatos dez anos tiveram forte atuação no Congresso para a cassação da ex-presidente Dilma. Hoje aliada do presidente, ela foi uma das políticas mais atuantes contra o atual presidente e sua sucessora.

    De acordo com a reportagem, “encerrado em 31 de agosto de 2016, o impeachment de Dilma Rousseff (PT) contou com votos favoráveis de dez deputados ou senadores que hoje compõem chapas majoritárias apoiadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos estados. O episódio foi traumático para o partido, que também enfrentava naquele momento as investigações da Operação Lava-Jato, mas as mudanças radicais na política brasileira desde então fizeram esses personagens estarem hoje ao lado do petista na tentativa de chegar a governos estaduais ou ao Senado”, ou seja, por pura sobrevivência política.

    De lá para cá, depois do impeachment, Lula foi preso, o partido perdeu a eleição de 2018 para Jair Bolsonaro e conseguiu a volta por cima há quatro anos. Com o retorno ao Planalto, reconquistou aliados que havia perdido e atraiu novos parceiros.

    Sartore lembra que a senadora pelo Maranhão Eliziane Gama, que era deputada federal pelo antigo PPS quando se deu esse traumático episódios na vida nacional, “é um dos casos mais bruscos de mudança nesses dez anos”. A parlamentar foi também uma das mais atuantes na CPI do Petrolão, que investigou desvios na Petrobras, e chegou a sugerir uma acareação entre Lula e Dilma, a fim de que o Brasil soubesse “qual dos mentia mais”.

    Eliziane ganhou holofotes durante a CPI da Covid, presidida pelo senador Omar Aziz, que também tenta agora o Executivo de seu estado, o Amazonas, e faz parte do time de Lula. 

    Simone Tebet deixou seu estado e foi buscar abrigo em São Paulo

    Ex-opositores – Entre os parlamentares pró-impeachment que hoje estão com apoio do PT, há nomes de projeção nacional como Simone Tebet, que era senadora pelo MDB do seu estado, Mato Grosso do Sul, e agora disputa uma vaga no Senado por São Paulo, filiada ao PSB.

    Nestes dez anos, Simone Tebet concorreu à Presidência em 2022 ainda como emedebista, apoiou Lula no segundo turno e foi chamada para ministra do Planejamento do presidente Lula. 

    Na votação do processo de cassação de Dilma, Tebet mencionou as “consequências nefastas” da política fiscal da ex-presidente. Colocou-se contra “todo o mal que ela causou e está causando à população brasileira” e declarou o voto favorável à cassação.

    Outro caso emblemático no Senado é o de Renan Calheiros (MDB), que presidia a Casa. Aliado histórico do PT, ele não foi da ala emedebista que costurou o impeachment, mas deu voto a favor. Hoje, tenta a recondução ao Senado em Alagoas na chapa lulista.

    Deputado federal pelo PSD do Rio, o agora candidato ao Senado Pedro Paulo era do MDB, mesmo partido do então vice-presidente Michel Temer e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, principal artífice do impeachment, embora fossem de alas diferentes. Dez anos depois, não hesita em dizer que o voto favorável à cassação na Câmara, uma década atrás, foi um erro.

    “Errei e me arrependo desse voto. O tempo mostrou que não houve crime de responsabilidade, e o impeachment abriu a porta para o radicalismo que tomou conta do país”, afirma o agora arrependido, que divide a chapa no Rio com a petista Benedita da Silva nesta eleição.

    Quem também votou a favor como deputado, elegeu-se senador dois anos depois e agora anseia a recondução à Casa é Veneziano Vital do Rêgo (PB). Está no MDB, mas deu o voto ainda filiado ao PSB.

    Ocupação de espaço – Na visão do cientista político Josué Medeiros, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a centro-direita tradicional percebeu que, depois do impeachment, quem se aproveitou do espaço vazio não foi ela própria, e sim a extrema direita de Jair Bolsonaro.

    “Quando Bolsonaro começa a governar, vem a pandemia, a questão das vacinas, depois a tentativa de golpe de Estado. Isso foi produzindo um deslocamento. O Bolsonaro não destruiu o PT; destruiu os partidos de direita, tomou os votos deles. Algumas lideranças desses partidos perceberam que sua sobrevivência depende de estar do lado de quem tem condições de barrar o avanço eleitoral e social de Bolsonaro”, analisa.

    Os demais casos de parlamentares pró-impeachment que agora estão com Lula são de nomes que tentam o Senado: Júlio Cesar (PSD), no Piauí; Rafael Motta (PDT), no Rio Grande do Norte; e André Moura (União), em Sergipe.

    A data de 31 de agosto se refere à conclusão do processo no Senado, que culminou na cassação definitiva de Dilma. Ela estava afastada temporariamente desde 12 de maio daquele ano.

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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