Objetivo é dar nova oportunidade para quem vivia na rua
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), órgão vinculado ao Sistema Federação das Indústrias (Fiema), iniciou, nesta segunda-feira (14), o curso de qualificação profissional em Pedreiro de Alvenaria, voltado para pessoas em situação de rua. As aulas estão sendo ministradas no Centro de Educação Profissional e Tecnológica do Senai (CEPT) Distrito Industrial, no Tibiri.
O curso é uma parceria com a Defensoria Pública do Estado (DPE/MA), por meio de seu Núcleo de Direitos Humanos (NDH), que criou o projeto “Da rua para uma nova vida: alimentando sonhos, gerando oportunidades”.
Ao todo, 25 pessoas nesta situação foram selecionadas pela Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (Semcas) e pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD Estadual), vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (SES).
A iniciativa visa a promover a formação, capacitação e empregabilidade dos alunos, contribuindo, assim, para a alocação desses cidadãos no trabalho formal e uma nova oportunidade de reconstruir suas vidas.
Samir Ribeiro Silva, 34 anos, é um dos participantes e relata sua experiência para superação de vida:
“Vivi oito anos na rua. Entrei nessa pela curiosidade de conhecer as drogas e a bebida. Durante esse, tempo vivi no Centro Histórico de São Luís, no Mercado Central, no Mercado do Peixe. Me alimentava com as doações que o pessoal trazia à noite. Era uma vida louca, que o morador de rua não tem ciência de nada. Mas isso ficou no passado. Faz seis anos que saí dessa loucura!, relata.
Após voltar para casa, passou a estudar e trabalhar e isso foi um tratamento para ele. “A combinação casa, trabalho, escola e igreja foi fundamental. Hoje, estou nesse projeto que vai ser muito bom e gratificante, porque vai me ajudar e aos demais, que estão buscando melhorias de vida”.

“O Senai abraçou essa causa e trabalha com primazia, porque não é uma formação só técnica, pois envolve a parte teórica e a parte prática. O SENAI tem esse diferencial no mercado de trabalho e a gente prima muito por essa metodologia de educação profissional”, destacou
São atendidas pelo programa da Defensoria pessoas como o Raimundo Bartolomeu, 64 anos, que passou 20 anos na rua e há dez anos mudou de vida com a ajuda das políticas públicas e já possui sua moradia própria. “Foi uma experiência ruim, sem segurança, é um momento de loucura. O que me levou a morar na rua foi o preconceito, pois fui aprovado em uma empresa em 1º lugar, mas não assumi simplesmente por ser negro”, diz ele, que à época tinha 19 anos.
Ele diz como reagiu a essa injustiça: “Eu praticamente me isolei do mundo, me entreguei na vida, não era mais um ser humano e nem um cidadão. Morei na sarjeta e me senti discriminado. O que me levou a sair foi a vontade de mudar de vida, por sentir que havia chegado ao meu limite, ao perguntar o que eu queria da minha vida. Procurei ajuda e enfrentei meu vício, fui sorteado e hoje tenho a minha casa, já fiz um curso de culinária e hoje estou aqui no curso de pedreiro e estou superando. Hoje, tenho a oportunidade que não recebi antes”, destacou Bartolomeu.




