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    Home»Negócios»Tradição e ancestralidade: a estética afro como motor de pequenos negócios no Maranhão
    Negócios


    Tradição e ancestralidade: a estética afro como motor de pequenos negócios no Maranhão

    Aquiles Emir21 de novembro de 202504 Mins Read
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    Neide Baldez é proprietária da Tok Africano, loja de acessórios afro em São Luís (Sebrae/Divulgação)).
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    Estética afro se transforma em identidade

    A identidade cultural do povo negro é reflexo da resistência de tradições historicamente marginalizadas e reprimidas. Saberes, costumes e estéticas de origem africana, antes submetidas a um processo de apagamento estrutural, têm se tornado símbolos de orgulho e empoderamento  – movimento que vem ganhando força nos últimos anos com o crescimento do empreendedorismo negro no país.

    Dados do Sebrae referentes ao quarto trimestre de 2024 mostram que mais de 16 milhões de donos de negócios do Brasil são pessoas negras (pretos e pardos), o que representa um aumento de 22,1% nos últimos 10 anos. A pesquisa também revela que Maranhão é o estado do nordeste com a maior taxa de empreendedorismo entre negros: 16,5% possuem o próprio negócio dentro desse recorte populacional.

    Boa parte desses donos de negócios investem em produtos ou serviços que atuam na valorização da identidade negra, resgatando a própria ancestralidade como forma de empoderamento econômico, a exemplo das empreendedoras maranhenses Neide Baldez e Rosilda Melo. Neide é proprietária da Tok Africano, loja que aposta em produtos como bijuterias, faixas, bolsas e turbantes feitos com estampas exclusivas e tecidos africanos autênticos.

    O negócio, segundo Neide, nasceu de um processo pessoal. O autoconhecimento e a afirmação da própria identidade como mulher negra a motivaram a investir em produtos que representassem a beleza das suas raízes, possibilitando a outras pessoas a mesma transformação de autoestima pela qual passou. “A Tok Africano nasceu da minha história, mas se tornou um espaço de acolhimento e orgulho para muitas outras pessoas”, acrescentou.

    A empreendedora destaca que o simbolismo dos acessórios afro vai além do aspecto estético –  gera uma conexão emocional que ajuda pessoas negras a ocuparem espaços com mais orgulho e autenticidade. “Para muitas clientes, usar um turbante, um brinco ou uma estampa africana é um ato emocional: é se ver bonita, pertencente e respeitada. Eu sempre digo que cada peça da Tok Africano carrega cuidado, representatividade e resistência. E quando a cliente veste, ela completa essa narrativa com a própria história dela”, afirmou Baldez.

    Trabalhando mecha por mecha, Rosilda reforça a beleza natural e a ancestralidade dos cabelos crespos e cacheados (Sebrae/divulgação)

    Assim como Neide, Rosilda Melo também trabalha com o fortalecimento da autoestima de pessoas negras, mas em um segmento diferente: o de beleza capilar. Trancista, Rosilda mantém vivo um estilo que perdura há milênios como representação de memória e resistência.

    Segundo a empreendedora, muitas mulheres a procuram por não conseguirem enxergar beleza em seus cabelos crespos ou cacheados. Outras passam por transição capilar e buscam se sentirem mais seguras nesse processo. Mas todas carregam um desejo em comum: se sentirem valorizadas na própria identidade.

    “O que mais me gratifica na minha profissão é trabalhar autoestima. Elevar a autoestima não só de jovens que chegam para fazer tranças, mas de muitas mulheres que não conseguem enxergar a própria beleza e a beleza dos seus cabelos. Ver como elas se olham depois que finalizo uma técnica é muito especial, porque meu trabalho não é só sobre estética. É sobre cuidado, identidade e valorização”, enfatizou Rosilda.

    Economia criativa afro – No Dia da Consciência Negra, comemorado nesta quinta-feira (20), empreendedoras como Neide e Rosilda mostram como a estética afro se transforma em resistência e geração de renda, fortalecendo a economia local de forma consistente e sustentável. 

    Reijane Almeida, gestora do programa Plural do Sebrae no Maranhão, estratégia que estimula o empreendedorismo entre grupos historicamente sub-representados, explica que os pequenos negócios afro representam uma força estratégica para o desenvolvimento econômico e social do país.

    De acordo com ela, o empreendedorismo negro movimenta cadeias produtivas completas e, principalmente, reduz desigualdades históricas ao resgatar narrativas que valorizam a ascentralidade africana. 

    “No campo da estética e da identidade, iniciativas como o trabalho de trancistas, designers e criadoras de acessórios afro representam muito mais do que produtos ou serviços. Elas afirmam cultura, pertencimento e protagonismo. São negócios que resgatam narrativas, valorizam a ancestralidade e constroem autoestima, especialmente para a juventude negra”, destacou.

    Reijane completa que esse movimento é essencial para impulsionar a economia criativa do estado. “Esses empreendedores geram empregos, estimulam o consumo consciente, atraem eventos, ocupam espaços de mercado e fazem girar a economia criativa. Quando investimos no empreendedorismo negro, todo o ecossistema ganha  – ganha o bairro, ganha a cidade, ganha o país”, finalizou.

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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