GIRO ECONÔMCO
Preconceito geográfico com teor racista?
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), publicou em suas redes sociais, neste domingo (19), resposta às críticas que vem recebendo desde a sessão da última terça-feira (15), quando suas falas foram interpretadas por jornalistas e estudiosos como desconhecimento sobre o pensamento do filósofo Aristóteles e até mesmo da Constituição.
Para o ministro, trata-se de um preconceito regional, por ser do Maranhão, com viés racista:
Eis sua postagem em algumas redes sociais:
Um aspecto em algumas “críticas” a mim endereçadas em JORNAIS, desde que cheguei ao STF, chama muito a minha atenção: o ódio à minha procedência regional. Alguns exemplos de expressões escritas em tais jornais: “jurista de província”; “pessoa destituída de qualquer qualificação”; “oratória grandiloquente de província”.
Como derivação desse indisfarçável preconceito regional, de matriz racista, fazem tudo para desqualificar o meu conhecimento sobre Aristóteles e outros pensadores. Sim, eu estudei a sua obra, sob a orientação do erudito professor Agostinho Ramalho Marques Neto, na UFMA. E no mestrado na UFPE, nas aulas do professor João Maurício Adeodato.
Mas como? No Maranhão e em Pernambuco se estuda Aristóteles? – perguntarão os preconceituosos.
Aí vamos a uma nova sequência de impropérios contra as minhas citações em voto – de improviso – em sessão do STF: “frases que constam em qualquer manual de ensino médio”; “citações de algibeira”; “não estão literalmente em Aristóteles” – (e nunca ouviram falar de paráfrase?).
O exercício das minhas funções públicas exige me submeter ao debate e às críticas. Mas é também meu dever indicar quando acho que certas expressões ofendem as leis, a dignidade, a decência.
Quem sabe o alerta serve para que melhorem a qualidade ética e técnica das “críticas”? E para que escrevam textos menos raivosos e mais consistentes.
Da minha parte, seguirei citando a Constituição Federal, as leis, Aristóteles, Max Weber, Hobbes, e tudo que eu achar pertinente, inclusive Chico César e Fábio Porchat.
E também seguirei tendo orgulho da minha “província”, do Nordeste e da Amazônia, onde aprendi a não me submeter aos gritos e imposições de quem se acha intérprete das “metrópoles” do Brasil ou de países estrangeiros.
Sou magistrado, e por isso zelo pela independência funcional diante de todos os poderes públicos e privados, pois sem ela não existe Poder Judiciário.




