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    Home»Poder e Política»Bate-boca na CPI: Flávio Bolsonaro chama Renan Calheiros de vagabundo e é chamado de ladrão

    Bate-boca na CPI: Flávio Bolsonaro chama Renan Calheiros de vagabundo e é chamado de ladrão

    Aquiles Emir12 de maio de 20210
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    Depoente é ameaçado de prisão após entrar em contradição

    Acabou em bate-boca a sessão desta quarta-feira (12) da CPI da Pandemia, que ouviu o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fabio Wajngarten. Os trabalhos já se encaminhavam para o final quando o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), mesmo não sendo membro da comissão, pediu a palavra para defender o depoente que, naquele momento estava ameaçado de prisão, e disse que um homem honesto estava sendo ameaçado por “um senador vagabundo”, referindo-se ao relator Renan Calheiros (MDB-AL).

    Após ser chamado de vagabundo, Renan disse que considerava o xingamento um “elogio” vindo de um parlamentar como Flavio. “Vagabundo é você, que roubou dinheiro de pessoal no seu gabinete”, afirmou Renan Calheiros, “Você que é”, emendou.

    Na sequência, Flávio Bolsonaro disse que Renan quer “aparecer”, usar a CPI como “palanque” e usou um palavrão: “se f…”.

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    Senador Flávio Bolsonaro xinga o senador Renan Calheiros, relator da CPI da Covid, de vagundo e Omar Aziz suspende a sessão pic.twitter.com/bW8HjHlSVM

    — O TEMPO (@otempo) May 12, 2021

    Depoimento – O motivo da convocação de Wajngarten, foi uma entrevista à revista Veja, em que relata ter a Pfizer enviado uma carta a seis autoridades brasileiras no dia 12 setembro do ano passado, oferecendo a vacina que estava em desenvolvimento. Além do presidente Jair Bolsonaro, receberam a correspondência o vice-presidente, Hamilton Mourão; os ministros Paulo Guedes (Economia), Eduardo Pazuello (Saúde), Walter Braga Netto (Casa Civil) e o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster.

    O ex-secretário disse ter tomado conhecimento do comunicado pelo empresário Marcelo de Carvalho, proprietário da RedeTV!, e no dia 09 de novembro entrou em contato com a farmacêutica. “Minha atitude proativa em relação ao laboratório produtor da vacina foi republicana e no sentido de ajudar. Nunca participei de negociação”, disse ele.

    Wajngarten afirmou ter recebido no Palácio do Planalto o representante da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo. O ex-secretário afirmou, no entanto, que o presidente Jair Bolsonaro não participou do encontro e que não foram discutidos temas como “cronograma ou valores” para a compra do imunizante.

    Questionado pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), negou que tenha havido procrastinação do presidente Jair Bolsonaro para a compra das vacinas. “Não havia segurança jurídica para a assinatura porque havia uma lacuna legal. Três cláusulas impediram, empacaram e emperraram que a negociação avançasse de forma mais rápida: resolução de conflitos em Nova York, e não no Brasil; isenção completa de responsabilização e indenização; e edição de uma medida provisória para o país elencar ativos e bens em caso de processos internacionais — afirmou.

    Segundo a Veja, o ex-secretário “guarda e-mails, registros telefônicos, cópias de minutas do contrato” para comprovar o que está dizendo. Wajngarten, no entanto, nega que mantenha essa documentação.

    Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza oitiva do ex-secretário especial de Comunicação Social da presidência da República. A Comissão Parlamentar de Inquérito investiga ações do governo federal no enfrentamento da pandemia e aplicação de recursos da União transferidos para estados, Distrito Federal e municípios para essa finalidade. A reunião acontece no formato semipresencial por decisão do presidente do Senado Federal. À mesa, em pronunciamento, ex-secretário especial de Comunicação Social da presidência, Fabio Wajngarten. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

    Bolsonaro e vacinas – O senador Renan Calheiros inquiriu Fabio Wajngarten sobre uma série de declarações de Jair Bolsonaro contrárias à imunização.

    “O presidente da República nunca escondeu sua oposição à vacinação dos brasileiros. Disse que não compraria vacinas da China. Chamou a CoronaVac de ‘vacina chinesa do João Doria’. Comemorou com a frase ‘mais uma que Jair Bolsonaro ganha’ a suspensão temporária dos estudos de fase 3 da CoronaVac. Disse que a vacinação não seria obrigatória em seu governo. Sua declaração que ganhou mais repercussão foi a seguinte: ‘Se você virar um jacaré, é problema seu”, registrou Renan.

    Questionado sobre o impacto dessas declarações sobre as campanhas de imunização no Brasil, o ex-secretário de Comunicação poupou críticas a Jair Bolsonaro. “Os atos do presidente pertencem a ele. Não posso especular, não posso imaginar o que passava pela cabeça dele no momento em que falou isso”.

    Wajngarten disse que não concorda “com todas as frases” ditas por Jair Bolsonaro. Mas ponderou que, se estivesse na posição do presidente da República, “eventualmente faria exatamente a mesma coisa”.

    Comunicação na pandemia – Segundo Fabio Wajngarten, a Secretaria de Comunicação e o Ministério da Saúde realizaram 11 campanhas informativas, educativas e publicitárias sobre a pandemia, a um custo total de R$ 285 milhões. Ele disse “jamais” ter sofrido pressão de Jair Bolsonaro para direcionar o teor das campanhas de conscientização.

    “Se tivesse ocorrido qualquer interferência, eu pegaria minha mala e voltaria para minha família e para minha empresa. O presidente nunca pediu que fizesse campanha sobre nenhum tipo de nenhum tema. Jamais. Nenhuma interferência do presidente da República em nenhuma campanha do governo. A impressão que se tem de que o governo não comunicou é uma impressão equivocada”.

    Fabio Wajngarten afirmou “desconhecer” a existência de “um ministério paralelo” para orientar o presidente da República sobre o enfrentamento da covid-19. E disse que o então ministro Eduardo Pazuello foi “corajoso” ao assumir a Saúde durante a pandemia de coronavírus.

    “Fanfarronice” – Em um momento da reunião, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), chegou a advertir Fabio Wajngarten para que respondesse diretamente os questionamentos dos parlamentares. Segundo Aziz, o ex-secretário de Comunicação estaria “tangenciando” perguntas elaboradas pelos integrantes da comissão. O presidente ameaçou dispensar o depoimento da testemunha, requisitar à revista Veja a transcrição da entrevista publicada em abril e reconvocar o ex-secretário de Comunicação como investigado.

    “O senhor só está aqui por causa da entrevista. Senão, a gente nem lembraria que o senhor existiu. Não tem outra razão para o senhor estar aqui. Você chamou o [ex-ministro Eduardo] Pazuello de incompetente. Disse que a Pfizer tinha cinco escritórios de advocacia, e o governo estava perdido. Está aqui tangenciando sobre as perguntas. Depois, a gente toma uma medida mais radical, e aí vão dizer que somos isso e aquilo. Por favor, não menospreze nossa inteligência. Ninguém é imbecil aqui. O senhor não está respondendo. O senhor está mentindo aqui para todos nós”, acusou.

    O relator da CPI, senador Renan Calheiros, chegou a sugerir a prisão de Wajngarten.

    “Eu queria requisitar o áudio da revista Veja para nós verificarmos se o secretário mentiu ou não mentiu. Se ele não mentiu, a revista Veja vai ter que pedir desculpas a ele. Se ele mentiu, ele terá desprestigiado e mentido ao Congresso Nacional, o que é um péssimo exemplo. Eu queria dizer que vou cobrar a revista Veja: se ele não mentiu, que ela se retrate a ele. Se ele mentiu à revista Veja e a esta comissão, eu vou requerer a prisão do depoente. Apenas para não dizerem que nós não estamos tratando a coisa com a seriedade que essa investigação requer”.

    O senador Humberto Costa (PT-PE) classificou a entrevista de Fabio Wajngarten à revista Veja como uma “fanfarronice”. O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) saiu em defesa do depoente.

    (Agência Senado)

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