Eleições no Chile e no Equador, troca de comando nos EUA, influência com a China, futuro do Mercosul…
“É um cara que tem uma imagem muito bem vista, como alguém de sucesso, alguém que conseguiu construir uma carreira”, pondera Lucas Mendes, professor de geopolítica da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e cofundador da página Geopolítica Hoje.

Já no Chile, o atual presidente Gabriel Boric não pode se candidatar a uma reeleição. Enquanto isso, a esquerda chilena aventa o nome da ex-presidente do país e ex-alta comissária de Direitos Humanos das Nações Unidas Michelle Bachelet para concorrer ao cargo.
“De outubro deste ano até agora, ela tem sido apresentada na mídia chilena como a grande representante do diálogo político, principalmente dentro da esquerda e com a oposição democrata cristã”, diz João Paulo Arrais, bacharel em relações internacionais pela PUC Goiás e especialista em relações internacionais pela Universidade de Brasília (UnB).
Ambos os analistas avaliam como positiva a escolha do nome de Bachelet para substituir Boric, que não anda com boa popularidade entre o eleitorado. “É a grande figura desse diálogo e da força de negociação da esquerda chilena até hoje”, comenta Arrais.
Entretanto, há alguns meses, após receber críticas da oposição, Bachelet declarou que não deseja ser candidata à presidência. Dona de uma carreira internacional promissora, conforme destacado por Mendes, a possibilidade de ocupar um cargo de maior expressão poderia também ser um impeditivo para a volta da líder chilena às eleições do país.
Possível efeito Trump na América Latina – Na segunda-feira (6), Donald Trump teve sua vitória oficializada pelo Congresso dos EUA. A posse do presidente eleito está prevista para 20 de janeiro.
“Trump já disse que vai criar barreiras alfandegárias, taxações. Alguns produtos ali do mercado europeu realmente correm risco de serem taxados nos Estados Unidos. O Trump está focando muito essa questão do superávit comercial. Então se o país faz comércio com os Estados Unidos e mais vende do que compra, o Trump tá tentando reverter isso”, pontua.

“De modo geral, a tendência é que o acordo realmente vá para frente e consiga funcionar. Mas esses detalhes vão pegar, e aí envolve os lobbies, lobbies de setores da sociedade europeia, da sociedade brasileira, para poder aparar as arestas. Mas como eu disse, a questão do Trump eu acho que vai ser o empurrão final para que esse acordo possa, de fato, entrar em vigor”, conclui.
Petro é alvo número 1 do ‘trumpismo’, diz analista – “Quando a gente vai pensar em geopolítica, na estrutura da América Latina, […] o Trump é um fator desagregador para a América Latina”, nota Mendes.
De acordo com o especialista, um dos principais alvos de Trump é o presidente colombiano, Gustavo Petro.
Petro “é um ambientalista, e o Trump tem posições muito anti-ambientalistas, pró-mercado do petróleo, a favor do fracking, que é superpoluidor”.
“Além disso, a Colômbia tem muitas bases americanas, soldados americanos ali, vez ou outra, que estão direto. Então é um país no qual os Estados Unidos têm os dois pés lá dentro. E gerar caos, gerar ruído, gerar desestabilização nesse cenário não é tão difícil assim”, alerta o especialista sobre eventuais efeitos que poderiam surgir na Colômbia.
Queda de braço com a China afasta Brasil da Rota da Seda?
A atuação chinesa na América Latina já é um acontecimento constatado. Não à toa, os chineses ultrapassaram os EUA e se tornaram o maior parceiro comercial do Brasil, por exemplo, além de assumirem papel importante na economia de vários países vizinhos.
“O governo Trump terá uma postura em relação à América Latina diferente da postura do Biden”, acredita Mendes, reafirmando a importância da região para a administração do republicano.
A dimensão dessa importância pode ser medida, por exemplo, pela escolha de Marco Rubio como secretário de Estado do próximo governo norte-americano.

“A avaliação que se tem dentro do governo é que essa escolha está baseada, primeiro, [no fato de] que a China já é o maior investidor no mercado brasileiro, o maior investidor internacional. É um país que, como eu disse, tem uma relação comercial muito profunda com o Brasil. A China já tem uma série de investimentos no PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]”, diz Mendes, apresentando o cenário
Portanto, segundo ele, se o Brasil “entrar na Rota da Seda, vai ser uma sinalização muito evidente de que nós estamos pulando para o lado da China”. O que, por sua vez, “poderia soar muito mal para os Estados Unidos” e poderia, inclusive, afetar a estabilidade política brasileira, finaliza.
(Sputnik Brasil)




