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    Home»Turismo»Empreendedorismo indígena fortalece turismo comunitário e amplia renda no Maranhão
    Turismo


    Empreendedorismo indígena fortalece turismo comunitário e amplia renda no Maranhão

    Aquiles Emir20 de abril de 202605 Mins Read
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    Iniciativas em Arame, Barra do Corda e Grajaú 

    Ildeny Guajajara aprendeu a fazer artesanato ainda criança, observando a mãe transformar saberes ancestrais em fonte de renda para a família, no Território Indígena Araribóia, no Maranhão. Hoje, aos 23 anos, a estudante da Licenciatura Intercultural Indígena da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) mantém viva uma prática que atravessa gerações.

    Na aldeia Barreirinha, em Arame (MA), onde vive, o artesanato deixou de ser apenas expressão cultural para ganhar visibilidade com a chegada do turismo. “É uma forma de mostrar o nosso trabalho para Arame, mas para outras cidades também, trazendo reconhecimento, valorização e respeito aos nossos talentos”, afirma. 

    A atividade movimenta não apenas o trabalho individual, mas envolve outras famílias da comunidade, que produzem desde biojoias, cestaria e, mais recentemente, o trabalho com mel que tem ampliado as possibilidades de renda no território.

    No Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, histórias como a de Ildeny ajudam a lançar luz sobre um movimento em curso no Maranhão. Com mais de 57 mil indígenas, de acordo com dados do IBGE, o estado tem visto crescer iniciativas que articulam geração de renda e valorização cultural por meio do empreendedorismo. 

    Nesse cenário, o Sebrae tem atuado na identificação e no fortalecimento de oportunidades alinhadas às realidades dos territórios indígenas. A atuação inclui o apoio à estruturação de roteiros de turismo de base comunitária, a qualificação de artesãos e a organização das atividades produtivas, sempre a partir das demandas e decisões das próprias comunidades.

    O Dia do Povos Indígenas é uma data para celebrar e honrar as tradições dos povos originários (Sebrae/Divulgação)

    Experiências a partir do território – Localizado na porção central do Maranhão, o Polo Turístico Serras Guajajara, Timbira e Kanela destaca-se pelas cachoeiras e rios, pela forte presença dos povos originários e por comunidades rurais de tradição agroextrativista. As caraterísticas dos territórios indígenas da região têm sido exploradas para aproveitar a potencialidade turística de cada comunidade. 

    O artesanato é um dos focos do trabalho, com um mapeamento que busca identificar a produção local e os principais desafios do setor. Segundo Ildeny, um exemplo dessas dificuldades é saber atribuir valor ao próprio trabalho. “A gente teve dificuldade na precificação, de colocar um preço justo. Nem muito caro, nem muito barato”, relata. 

    Para ela, a virada começou com o acesso a capacitações voltadas à gestão e comercialização, que ajudaram artesãos indígenas a se posicionarem melhor no mercado, especialmente em feiras e eventos fora da aldeia. 

    O turismo de base comunitária tem sido outra frente de atuação na região. Na prática, esse processo começa dentro das próprias comunidades. A aldeia Arymy, em Grajaú, é uma das comunidades que têm sido acompanhadas para o desenvolvimento de experiências turísticas, a partir da atuação da Rede de Agentes de Roteiros Turísticos do Sebrae. A comunidade participou de uma oficina de roteirização e escuta ativa para elaboração do roteiro. 

    Roteirização – No processo de roteirização, os elementos culturais aparecem como parte central da vivência oferecida aos visitantes. A experiência pode incluir, por exemplo, o preparo de comidas típicas feitas na lenha, o contato com técnicas tradicionais de pesca, a possibilidade de banho e brincadeiras no rio, além de oficinas de arco e flecha, que reforçam práticas tradicionais de caça. Também fazem parte dessas vivências a pintura corporal, com grafismos que carregam identidade e significado cultural, ampliando o contato com os elementos simbólicos de cada povo. 

    “Participar da oficina foi um verdadeiro divisor de águas para nós. Antes, sempre recebíamos as pessoas de coração aberto, porque a hospitalidade faz parte de quem somos, mas fazíamos isso de forma muito intuitiva, sem pensar em começo, meio e fim. A oficina nos trouxe a visão de planejamento e estratégia. Mudou a nossa forma de entender o tempo do visitante e o nosso próprio tempo. Aprendemos a organizar a narrativa da nossa história e a criar percursos que façam sentido”, explica Danilo Lopes Guajajara.

    Segundo ele, o principal avanço foi incorporar planejamento sem perder a essência. “Transformar a vivência em experiência turística significa convidar o de fora para calçar os nossos sapatos e aprender com a nossa forma de ver o mundo, sempre com regras definidas por nós. É manter o controle do nosso território e da nossa cultura em nossas próprias mãos”, ressalta.

    Ideias de negócios turísticos têm nascido a partir escuta das comunidades indígenas (Sebrae/Divulgação)

    Participação – A ampliação da participação em mercados é outro resultado desse processo. A participação de representantes do do Polo Serras Guajajara Timbira Kanela em eventos dentro e fora do estado tem sido incentivada, como a ABAV Expo e a Expoturismo. O intuito é apresentar o polo e troca de experiências com outras regiões

    Gemilson Guajajara, de Barra do Corda, já participou dessas viagens. Para ele, a oportunidade foi uma porta de entrada para novos clientes. “Eu acho muito bom poder participar dessas novas experiências, que são oportunidades que eu nunca tive antes. Desde que comecei a participar dos eventos organizados pelo Sebrae, tenho aprimorado minhas práticas de trabalho, aprendendo como melhorar meus processos e expandir meu negócio”, afirma. 

    De acordo com o gerente da Unidade de Negócios do Sebrae em Grajaú, André Veras, as ações já apresentam resultados concretos nos territórios. “Temos observado aumento na geração de renda, maior organização das atividades produtivas e ampliação da presença desses empreendedores em feiras e eventos de mercado, com novas conexões comerciais e crescimento do faturamento”, destaca. A atuação, segundo ele, parte da escuta e da construção conjunta, buscando fortalecer atividades que já existem nos territórios e ampliar o acesso a mercados, tecnologias e oportunidades”, ressalta. 

    As iniciativas avançam de forma gradual nos territórios e vão além do aspecto econômico: buscam dar protagonismo às origens, com respeito e valorização das tradições dos povos originários.

    Para saber mais, siga os canais digitais do Sebrae – Agência Sebrae de Notícias (https://ma.agenciasebrae.com.br/) Instagram (@sebraemaranhao) e YouTube (Sebrae Maranhão – https://www.youtube.com/sebraemaranhao).

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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