Maranhense dirige empresa de drones e robótica
A convite da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema) e do Centro das Indústrias do Estado do Maranhão (Ciema), a empresária maranhense Fabia Silva proferiu palestra “Rompendo Paradigmas da Indústria”, nesta quarta-feira (24), na Casa da Indústria Albano Franco. Há mais de trinta anos radicada na Espanha, ela tratou de temas como inovação, internacionalização de empresas, financiamento de projetos e de modelos empresariais que precisam ser superados.
A vinda da executiva a São Luís foi resultado de articulação da Secretaria de Representação Institucional no Distrito Federal (SERIDF) e o Sistema Fiema. Durante a palestra, empresários, autoridades e instituições técnicas ouviram da empresária o convite para mapeamento de projetos locais que possam concorrer a recursos em instituição europeia.
Na ocasião, o superintendente da Fiema, César Miranda, destacou o papel do Sistema Indústria em aproximar o setor produtivo das transformações tecnológicas. “A FIEMA e o CIEMA têm a missão de conectar a indústria maranhense ao que há de mais relevante em inovação, tecnologia e competitividade no mundo”, explicou.
Na sua palestra, Fabia falou sobre a sua trajetória na Europa, onde criou empresas como a Dronak Robotics, Global Future AI e Globazia, que tratam de tecnologia, educação e internacionalização de empresas, respectivamente. A Dronak Robotics, por exemplo, atua com drones e robótica. Os veículos aéreos não tripulados atuam em áreas como agricultura, indústria, segurança e meio ambiente, logística e portos, energia e saúde do trabalhador. Os drones são projetados e produzidos pela Dronak e podem atuar em terra, ar e água.
A empresa utiliza inteligência artificial para análise dos dados coletados. A empreendedora descreveu como converteu robôs em captadores de dados que agregam valor à cadeia produtiva, transformando informação bruta em serviços de inteligência para diversos setores. Outro exemplo citado foi a criação de drones movidos a hidrogênio e um hidrolisador capaz de usar águas residuais para produzir combustível, o que demonstra a busca por soluções de menor impacto ambiental.
Fabia explicou que a empresa nasceu com uma lógica diferente da venda tradicional de tecnologia. Em vez de comercializar os equipamentos, ela defende o aluguel das soluções, com treinamento dos clientes e devolução dos aparelhos ao fim da vida útil para upgrade, reciclagem ou descarte responsável. Para ela, esse modelo reduz lixo tecnológico e amplia o controle sobre o ciclo de uso dos produtos.
Paradigmas – No centro da exposição, Fabia voltou ao tema dos paradigmas que, em sua avaliação, ainda travam a indústria. Para ela, o principal paradigma que a indústria precisa romper é o pensamento excessivamente local.

Em sua avaliação, ainda falta às empresas uma visão global e internacionalizada capaz de ampliar a capacidade de comunicação com outros mercados e gerar produtos com maior valor agregado. Ela também critica o pensamento unilateral e defende uma abordagem multidisciplinar, que permita cruzar conhecimentos de diferentes áreas para impulsionar a inovação e abrir novas possibilidades de aplicação tecnológica.
A empresária destaca que essa mudança de mentalidade é decisiva para que o Maranhão e o Brasil avancem. Segundo ela, a riqueza natural e o capital intelectual da região são fortes, mas ainda pouco comunicados ao mundo.
Ao falar de internacionalização, a empresária anunciou que empresas maranhenses podem buscar inserção fora do país por meio de parcerias, redes de cooperação e projetos estruturados para atrair investimento. Fabia convidou os empresários maranhenses a submeterem propostas para financiamento de projetos em um fundo público-privado que tem aporte de € 80 milhões, o que equivale a mais de R$ 470 milhões. “As propostas precisam ser bem desenhadas e alinhadas às exigências do mercado internacional”, antecipou.
No plano prático, Fabia recomenda três ações para gestores, universidades e empresários locais: integrar centros de pesquisa e universidades às demandas industriais; formar profissionais em competências digitais e em inteligência artificial aplicadas, e cultivar capital relacional para abrir portas em mercados externos. Ela afirmou que projetos com propósito e impacto regional têm mais chances de atrair investidores e programas de cooperação internacional.
“Uma pequena empresa local pode escalar internacionalmente se souber transformar tecnologias em soluções com propósito e impacto regional. A tecnologia só transforma quando as pessoas a entendem”, sintetizou.




