Luanda Martins Campos encontrou nos livros uma forma de se expressar e transmitir a tradição oral africana
Em sua edição de julho, a revista Maranhão Hoje, disponível em sua versão digital neste site, traz em sua seção Gente de Expressão, reportagem com a escritora maranhense Luanda Martins Campos, que diz como conseguiu vencer as barreiras impostas pelo racismo por meio da literatura. Segundo ela, a falta de representatividade e o preconceito e pelas crenças limitantes tornam muito difícil para a população negra conquistar seus espaços de direito na sociedade.
“A escrita, o estudo e as artes são grandes aliados na hora de quebrar essas correntes” diz ela. Luanda lançou sua obra pela UICLAP, plataforma democrática de publicação e venda de livros, e utilizou suas vivências pessoais como inspiração para escrever.
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MARANHÃO HOJE – ED. 123 JULHO 2023
Luanda é pedagoga, professora da educação básica em São Luís, Maranhão, além de militante do Movimento negro e contadora de histórias pretas. Mestra em Gestão de ensino da educação básica, realiza formações sobre a Educação das relações étnico-raciais e História e cultura africana e afrobrasileira na infância.

Como pesquisadora, já havia publicado artigos e capítulos de livros, mas, ao terminar o mestrado, decidiu dar uma pausa na escrita acadêmica e investir na escrita popular usando a linguagem infantil. Assim nasceu sua obra “Na casa da vó Bá”, publicada pela UICLAP.
Filha de uma professora e um marceneiro, passou a infância na casa da avó quilombola. Decidiu resgatar em um livro suas memórias das tradições orais africanas, transmitidas em uma casa grande com quintal, bichos, plantas e muro baixo.
Quando foi para a faculdade de Pedagogia, decidiu que deveria estudar a educação ancestral baseada na oralidade africana. Abordou este tema em sua monografia e depois em seu mestrado. Luanda acredita que tem a oportunidade de divulgar esta cultura:
O livro “Na casa da vó Bá” atinge pessoas de todas as idades, tendo conquistado inclusive o espaço acadêmico das universidades. Afinal, a construção da identidade negra deve começar na infância, mas não deve ficar restrita a essa fase. “A literatura negra é literatura de resistência, escrita por pessoas negras e com enredos que superam as generalizações e estereótipos de África e africanidades. Vence barreiras porque está sendo consumida nas escolas e por famílias negras e não negras”, afirma Luanda.
Luanda defende que os negros devem estudar sobre a sua ancestralidade e fortalecer as lutas coletivas do movimento negro por educação, saúde e território. A luta contra o racismo é de toda a sociedade e a escrita é uma grande ferramenta nesta missão. “Digo que devemos escrever sobre quem nós somos e usar nossa escrita para contribuir com a construção de uma sociedade equitativa que respeite as diferenças e dê voz a quem por muito tempo ficou marginalizado na história”, pontua a autora, que segue escrevendo seu segundo livro infantil, que também será publicado pela UICLAP.





