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    Home»Agronegócio»Bovinos respondem por 17% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil
    Agronegócio

    Bovinos respondem por 17% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil

    Aquiles Emir22 de junho de 201803 Mins Read
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    O rebanho bovino brasileiro emitiu 392 milhões de toneladas de gases de efeito estufa em 2016, o que equivale a 17% de todas as emissões de gás carbônico do Brasil, ou seja, 79% de tudo o que foi emitido no setor agropecuário. Se fosse equiparada a um país, a bovinocultura brasileira seria o 17° maior poluidor climático do planeta, à frente da Ucrânia.

    Os dados vêm de uma nova análise do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), divulgada pelo Observatório do Clima (OC). O documento aponta que o setor da agropecuária foi responsável por 22% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil em 2016.

    No ano da análise, as emissões diretas do setor agropecuário totalizaram 499,3 milhões de toneladas de CO2 equivalente, registrando um aumento de 1,7% em relação ao ano anterior.

    Confira alguns dados do relatório:

    • Entre 1970 e 2016, as emissões do setor agropecuário aumentaram 165%.
    • Nos últimos dez anos, as emissões registraram crescimento de cerca de 40%, enquanto a produção agrícola aumentou 130% e a produção de carne bovina, 180%.
    • O país é o terceiro maior emissor global por agropecuária, atrás apenas de China e Índia. 
    • Em 2017, a agropecuária representou 5,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, registrando crescimento de 13% em relação a 2016, ano da análise.

    Para o pesquisador da área de Clima e Cadeias Agropecuárias do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Ciniro Costa Junior, um dos responsáveis pela condução do estudo, o resultado revela que a agropecuária brasileira continua sendo pautada por mecanismos de baixa eficiência, que afetam o clima e a produtividade no campo.

    “Embora a agropecuária seja o principal motor da economia brasileira, o passivo climático deixado por ela é muito grande. E a falta de políticas públicas olhadas para o setor, que poderiam criar estímulos às boas práticas, amplia a discussão para que haja uma mudança significativa, para uma gestão de eficiência, que olhe de maneira mais assertiva e trate de soluções para as propriedades”, afirma.

    Para Costa Junior, a capacidade do Brasil liderar e orientar a definição de políticas públicas para o setor, propondo soluções para a pecuária de baixo carbono, deveria nortear as ações governamentais dos próximos anos.

    “Alguns estudos indicam que os setores da pecuária e do uso da terra poderiam ser responsáveis por até 30% da mitigação de carbono que o País precisa para reverter o quadro de mudanças climáticas. Isso é bastante interessante porque pode ser utilizado em estratégias para o cumprimento das metas do Acordo de Paris, assinado pelo Brasil em 2015”, aponta.

    Um dos exemplos citados por Costa Junior é o da cana-de-açúcar. Em São Paulo, as emissões pela queima de resíduos da cana foram reduzidas em 70% com o Protocolo Agroambiental, que determinou a eliminação da queima para colheita de forma gradativa até 2017.

    “O fim da queima da cana de açúcar é um exemplo positivo, que mostra um potencial de mudança que pode ser reproduzido em estratégias para a agropecuária. É um modelo que mostra como o alinhamento entre os setores público e privado podem dar certo e gerarem resultados para a população”, acrescenta.

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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