Time de Buista ameaça campeões mundiais
Não foi por falta de aviso. Nas últimas semanas, cada entrevista, antes e depois dos jogos, o técnico Bubista e seus jogadores devem muito bem ter falado a palavra “competitividade” por mais de uma centena de vezes.
Nesta sexta-feira (3), em Miami, Cabo Verde pode ter sido eliminado pela Argentina pela fase de 16-avos da Copa do Mundo da FIFA 2026™, mas se despede do torneio exatamente como se anunciou. Eles levaram os atuais campeões mundiais realmente ao limite.
E quer saber do que mais? Eles podem sentir orgulho, sim. Obviamente não vão negar isso. Mas, quando você para e os escuta novamente – ainda vivendo a descarga emocional depois de uma partida eletrizante dessas –, percebe-se que, no fundo, eles também saem com a sensação de que poderiam ter dado um passo a mais.
“Eu não gosto de vitórias morais, porque ficamos muito perto… talvez tivéssemos a oportunidade de levá-los aos pênaltis. Infelizmente esbarramos numa última barreira no final”, afirma à FIFA o zagueiro Pico Lopes.
“Mas, no geral, estou muito orgulhoso do que vivemos aqui. Mostramos nossa personalidade para voltar ao jogo e pressioná-los até o fim.”
Depois de uma fase de grupos em que a Argentina passou com sobras, alimentando de certa a percepção externa de que teria um caminho acessível no mata-mata, Cabo Verde tratou de derrubar essa narrativa enfaticamente.
Que o diga Lionel Messi, que não economizou elogios ao adversário:
“Acharam que ia ser tranquilo, mas foi totalmente o contrário. Eles nos pressionaram bem. Isso é mata-mata, ninguém te dá nada de graça. Eles já haviam ido bem contra Espanha e Uruguai. Sabíamos que seria complicado”, analisou Lionel Messi.
Exatamente: levando apenas em conta o tempo regulamentar, Cabo Verde teria passado invicto no confronto com três países que somam, entre eles, seis títulos da Copa do Mundo. Contra a Argentina, eles obrigaram os atuais campeões a encontrar soluções que não vinham sendo necessárias.
“Acho que fizemos o suficiente para ganhar o jogo. Infelizmente, o futebol é assim. A Argentina conseguiu marcar o terceiro gol em um lance de bola parada. Jogamos contra o atual campeão do mundo de igual para igual”, afirmou o goleiro Vozinha.
“Isso com um grande respeito ao Messi e a todos os jogadores da Argentina. Mas, quando entramos em campo, sabemos a qualidade do adversário, e temos que estar focados em nós, no nosso trabalho”, completou Vozinha, uma das figuras emblemáticas do torneio.
No primeiro tempo, a Argentina impôs seu ritmo a partir do momento que Messi abriu o placar. Até o intervalo, a sensação era de controle absoluto dos campeões. Cabo Verde parecia encurralado.
Mas a volta do intervalo mudou tudo. A equipe entrou com outra postura, pressionou, passou a ganhar os duelos e buscou o empate com Deroy Duarte.
“No intervalo, conversamos sobre isso. Estavam todos dizendo: ‘Pessoal, areditem’. Tivemos muita confiança ao longo de todo o torneio e sabíamos que podíamos fazer algo diferente”, diz Duarte à FIFA. “Conseguimos isso no segundo tempo e levamos o jogo para a prorrogação.”
Novo empate – Depois de sofrer o 2 a 1 logo no início do tempo extra, os Tubarões Voltaram a empatar com uma pintura de Sidny Lopes Cabral, o lateral-esquerdo que, àquela altura, já havia virado ponta.
“Para um torcedor neutro, foi um jogo muito bom, lá e cá, com todos atacando e defendendo. Tivemos de aguentar bastante em alguns momentos, mas respondemos e lutamos até o último instante”, diz Pico. “Mostramos também, como naquele lance do Sidny, que também temos qualidade”, disse Sidney Lopes)
Essa partida tomada por um vaivém de intensidade acabou definida por um cabeceio de Cristian Romero, que desviou em Diney Borges e resultou no 3 a 2.
Cabo Verde já havia garantido seu capítulo na história desta Copa ao avançar à fase eliminatória em sua estreia. Mas a atuação em Miami elevou essa campanha a outro patamar.
“É incrível. Acho que ninguém esperava que fizéssemos uma partida assim. Partindo dessa condição de azarão, é lindo colocar nosso país no mapa e mostrar nosso jogo”, afirmou Deroy Duarte.
Ao escutar tudo isso e ver o que eles fizeram nestes 120 minutos inesquecíveis, o técnico Bubista avaliou: “É ter orgulho dos nossos jogadores que foram dignificantes no Mundial. Mostramos, acima de tudo, nossa identidade”.
(Com imagens e informações da Fifa)




