Alguns tentam impressionar pelo dinheiro
Enquanto muitas pessoas acreditam que exibir sucesso financeiro, roupas de grife e uma vida luxuosa pode aumentar seu poder de atração, a matchmaker internacional Vìvien Pölzer afirma que a realidade costuma ser exatamente o oposto. Vivendo há mais de trinta anos na Alemanha e especializada em relacionamentos interculturais, a brasileira observa um comportamento recorrente entre homens e mulheres que buscam um parceiro estável e comprometido, mas acabam transmitindo sinais que afastam justamente o perfil que desejam encontrar.
Segundo ela, um dos erros mais comuns é transformar encontros amorosos em uma espécie de vitrine de conquistas pessoais.
“Muitas pessoas chegam a um encontro querendo impressionar através do dinheiro, do status, das marcas que usam ou do currículo profissional. O problema é que homens e mulheres emocionalmente maduros normalmente não estão procurando isso. Eles querem conhecer a pessoa, sua história de vida, seus valores e sua visão de mundo”, explica.
Outro ponto que chama atenção em seus atendimentos é a forma como muitas pessoas conduzem os primeiros encontros.
“Alguns passam horas falando apenas sobre si mesmos, suas viagens, seus bens, suas conquistas e seus relacionamentos anteriores. Esquecem que o encontro deveria ser uma oportunidade para conhecer quem está sentado à sua frente.”
Para a matchmaker, relacionamentos sólidos começam com curiosidade genuína.
“Antes de tentar mostrar quem você é, procure descobrir quem é a outra pessoa. Quais são seus valores? Sua história? Seus objetivos? Como ela enxerga a vida? São essas respostas que ajudam a construir uma conexão verdadeira.”
A especialista ressalta que esse comportamento não é exclusivo das mulheres.
“Os homens também cometem exatamente o mesmo erro, apenas de uma forma diferente. Enquanto algumas mulheres acreditam que exibir um estilo de vida luxuoso pode aumentar seu valor aos olhos de um parceiro, muitos homens tentam impressionar através do dinheiro, dos carros, das viagens, dos restaurantes caros e da imagem de poder que conseguem projetar.”
Segundo Vìvien, essa postura frequentemente cria conexões superficiais e pode transmitir uma mensagem equivocada.
“Muitos homens acreditam que demonstrar riqueza fará com que sejam mais desejados. Em alguns casos, usam essa imagem para exercer influência, acelerar a intimidade ou demonstrar poder. O problema é que isso atrai pessoas interessadas na aparência daquele estilo de vida, e não necessariamente na pessoa por trás dele.”
Ela explica que muitas mulheres exibem símbolos de status acreditando que isso demonstrará independência e sucesso, mas que o efeito nem sempre é o esperado.
“Algumas imaginam que mostrar um padrão de vida elevado fará com que encontrem um parceiro mais generoso ou provedor. Na prática, muitos homens interpretam isso de outra forma e acabam acreditando que serão avaliados apenas pelo que podem oferecer financeiramente. Da mesma forma, homens que usam o dinheiro para impressionar costumam transmitir uma imagem de poder que nem sempre corresponde à sua verdadeira personalidade.”
Para Vìvien, tanto homens quanto mulheres podem cair na armadilha de usar bens materiais como ferramenta de validação.
“Quando alguém sente necessidade de provar constantemente seu valor através do que possui, normalmente existe uma insegurança por trás desse comportamento. A verdadeira atração nasce da confiança, da autenticidade e da capacidade de construir uma conexão genuína.”
Segundo Vìvien, quem procura um parceiro comprometido deve começar construindo essa solidez desde o primeiro encontro.
“Observar mais e falar menos costuma revelar muito mais sobre a compatibilidade de um casal do que qualquer tentativa de impressionar.”
Para ela, elegância está muito mais ligada ao comportamento do que ao valor dos objetos.
“A verdadeira elegância não está na etiqueta da roupa, mas na postura, na inteligência emocional, na capacidade de ouvir e na autenticidade.”
Vìvien também faz um alerta para quem acelera etapas por insegurança ou medo da solidão.
“O desespero para encontrar alguém faz muitas pessoas ignorarem sinais importantes, criarem expectativas irreais e tomarem decisões precipitadas. Relacionamentos saudáveis são construídos com estratégia, observação e inteligência emocional”, diz.
Para a matchmaker, pessoas que desejam atrair parceiros maduros, generosos e comprometidos precisam entender que a verdadeira sofisticação está na forma de se posicionar e não na necessidade de provar sucesso a qualquer custo.
No fim das contas, relacionamentos continuam sendo encontros entre histórias, valores e expectativas. Em um mundo cada vez mais voltado para a aparência e para a necessidade constante de impressionar, talvez o maior desafio seja justamente encontrar espaço para a naturalidade, para a escuta e para aquilo que não pode ser medido por status ou bens materiais. É nesse território mais humano e menos performático que muitas das conexões mais profundas costumam nascer.




