Associação é a primeira produtora de polpa em quilombo
A Associação da Comunidade Quilombola de São José dos Portugueses, no município de Cândido Mendes, região noroeste do Maranhão, conquistou junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) o certificado de registro de estabelecimento, como produtor e fabricante de polpa de frutas. Com isso, seus integrantes estão habilitados a disponibilizar seus produtos no mercado formal, inclusive para a alimentação escolar via PAA, PNAE e outros mercados institucionais em todo Brasil.
A Associação é a primeira em território quilombola a receber o registro no Maranhão e a segunda no Brasil. A conquista é um importante marco para a geração de renda e desenvolvimento social do Alto Turi, uma das regiões mais pobres do estado. A ação também é importante para a oferta de alimentos agroecológicos à população da região, com uma agroindústria, a EcoPolpa, regularizada oficialmente com todas as exigências e protocolos sanitários, podendo fornecer alimentos contextualizados para a região.
“A comunidade, às vezes, ficava esmorecida, mas sempre confiante que daria certo, e agora vamos poder levar nosso produto para todo o Brasil. A comunidade inteira está muito feliz com essa conquista, e é assim que vamos aos poucos, construindo mais vitórias pelo nosso povo quilombola, mesmo em uma região tão sacrificada”, comenta um dos idealizadores do Projeto que possibilitou essa conquista, o agricultor e quilombola Marinaldo Silva Oliveira.
Desigualdade social – Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IDHM de Cândido Mendes é de 0,561, um dos mais baixos do Brasil e do Maranhão, sendo contemplado no projeto + IDH do estado.
A região do Alto Turi, onde está localizado o município, tem fortes resquícios de um passado escravocrata, no qual grande parte da população negra precisou se reorganizar para conseguir terra e alimentação. Os baixos índices de renda e educação contrastam com a realidade ambiental, especialmente com a grande diversidade de frutos não aproveitados por falta de estrutura.
O fortalecimento socioprodutivo das comunidades tradicionais, com políticas públicas que favoreçam o acesso aos mercados é um bom caminho indicado pela associação. “Esperamos o desenvolvimento, de o que fazemos aqui tem reflexo no desenvolvimento da nossa cidade”, comenta a presidenta da Associação, Raimunda Nascimento e Coelho.

Nesse período, a comunidade iniciou um projeto para a realização do sonho de fortalecer os produtos da sociobiodiversidade local e construir uma agroindústria, a EcoPolpa, com o apoio do Fundo para a Promoção de Paisagens Produtivas Ecossociais (PPP-ECOS), gerenciado pelo ISPN e apoio financeiro do Fundo Amazônia.
Hoje, já são 30 famílias diretamente envolvidas na execução do projeto e a perspectiva é aumentar esse número para 170. Com essa meta, os moradores locais poderão comercializar suas frutas para a agroindústria, aumentar suas rendas e contribuir para o desenvolvimento sustentável da região. Nesse sentido, a oferta de produtos locais será fortalecida, mudando uma situação onde grande parte das polpas vem do Pará, uma contradição para uma localidade tão rica em diversidade frutífera.
A comunidade faz o manejo sustentável de 2.100 hectares com frutas nativas. Com a EcoPolpas as famílias podem continuar com o sonho de comercializar pelo menos, R$ 120 mil em polpas ainda em 2022. Isso possibilitará que a população local tenha mais acesso a produtos feitos na própria região, mais saudáveis e em sintonia com suas realidades. “A nossa perspectiva agora com essa certificação, além de alavancar as vendas dos nossos produtos, é tornar nossa comunidade mais produtiva, viva e produtiva”, falou entusiasmado Abnaldo.



