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    Home»Mundo»Condenação de Bolsonaro reacende temor de sanções e pressiona economia brasileira
    Mundo

    Condenação de Bolsonaro reacende temor de sanções e pressiona economia brasileira

    Aquiles Emir13 de setembro de 202503 Mins Read
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    Investidores tendem a cobrar caro para investir aqui

    A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro não ficou restrita ao noticiário doméstico. Repercutiu em Washington, Bruxelas e Pequim, onde investidores, diplomatas e analistas tentam medir até que ponto a instabilidade política brasileira pode afetar o comércio internacional, os investimentos e a imagem do país em fóruns estratégicos.

    Nos Estados Unidos, parlamentares republicanos e democratas já falam em possíveis novas sanções contra autoridades brasileiras, ampliando o uso da Global Magnitsky Act, que permite congelamento de ativos e restrição de vistos a estrangeiros envolvidos em “corrupção ou violações de direitos humanos”. Para analistas, mesmo medidas focadas em indivíduos podem ter efeitos colaterais na economia ao elevar os custos de compliance e acender dúvidas sobre segurança jurídica.

    “Se o Brasil continuar a ser visto como um terreno de disputa judicial e política sem regras claras, os investidores estrangeiros tendem a cobrar mais caro para aportar capital aqui. Isso significa juros mais altos, câmbio pressionado e dificuldade de captar recursos externos”, afirma o contador e professor universitário André Charone, mestre em negócios internacionais.

    Tarifas já em curso – A tensão não é apenas retórica. Em agosto, o governo americano anunciou tarifas de até 50% sobre importações brasileiras, ainda que com exceções a setores estratégicos, como energia e aeronáutico. O gesto foi lido como sinal de desconfiança em relação à política brasileira e como parte da estratégia de Donald Trump de pressionar parceiros comerciais.

    “Essas tarifas funcionam como um aviso: se houver deterioração institucional, mais setores podem ser atingidos. A agropecuária e a siderurgia estão na linha de frente, e isso pode afetar o preço dos alimentos e a competitividade das exportações brasileiras”, observa Charone.

    Impactos diretos – Especialistas apontam três canais principais de impacto sobre a economia:

    André Charone é contador, professor universitário, Mestre em Negócios Internacionais pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA).
      1. Comércio exterior – Tarifas e barreiras reduzem competitividade e podem deslocar produtos brasileiros em mercados-chave.
      2. Câmbio e inflação – O real tende a se desvalorizar diante da fuga de capitais, elevando preços de insumos e importados.
      3. Investimentos – Empresas adiam ou cancelam planos diante da incerteza, aumentando o risco-país.

    “É um efeito dominó: o dólar sobe, o custo das importações cresce, e o consumidor final paga a conta. Isso pode pressionar a inflação e forçar o Banco Central a manter juros altos por mais tempo”, explica Charone.

    Europa e alternativas – Enquanto isso, a União Europeia tenta avançar na ratificação do acordo Mercosul–UE, que poderia servir como contrapeso à deterioração da relação com os EUA. Ainda assim, analistas lembram que a ratificação é incerta, especialmente com pressões de partidos verdes e agrícolas no bloco europeu.

    Para Charone, o Brasil deveria acelerar essa agenda. “O país precisa mostrar que é confiável e que não depende de um único parceiro. Diversificar mercados e investir em diplomacia econômica é a melhor forma de blindar a economia dos humores políticos de Washington”, avalia.

    Cenários – No curto prazo, três cenários estão no radar:

      • Controle com desgaste – sanções individuais e tarifas pontuais, com impacto gerenciável.
      • Escalada punitiva – ampliação tarifária e mais nomes na lista de sanções, elevando o risco de fuga de capitais.
      • Acomodação parcial – diálogo diplomático reduz tensões, e acordos como o UE–Mercosul ganham força.

    “O que está em jogo não é só a imagem do Brasil, mas sua capacidade de atrair investimentos e manter estabilidade econômica. O mundo observa, e cada gesto político interno tem hoje um preço global”, conclui Charone.

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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