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    Home»Poder e Política»CPI quebra sigilos telefônicos dos ex-ministros Eduardo Pazuello e Eduardo Araújo
    Poder e Política

    CPI quebra sigilos telefônicos dos ex-ministros Eduardo Pazuello e Eduardo Araújo

    Aquiles Emir10 de junho de 202104 Mins Read
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    Membros e ex-membros do governo e empresários investigados

    A CPI da Pandemia aprovou nesta quinta-feira (10) a quebra dos sigilos telefônico e telemático dos ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores). Também são alvos da transferência de dados a secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro, o assessor internacional da Presidência da República, Filipe Martins, o empresário Carlos Wizard e o virologista Paolo Zanotto. Os dois últimos são apontados como integrantes de um “gabinete paralelo” que orientava o presidente Jair Bolsonaro no enfretamento ao coronavírus.

    O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) é o autor de 21 dos 23 requerimentos aprovados. Para ele, Eduardo Pazuello “é personagem essencial” na investigação, por ter recorrido a “indefensáveis escusas” para não comprar vacinas. Ainda segundo o autor do requerimento, o ex-ministro “não envidou os esforços necessários para conter o colapso da saúde” em Manaus (AM) em janeiro deste ano.

    A quebra dos sigilos de Ernesto Araújo busca apurar “uma lamentável negligência do ex-chanceler para conseguir vacinas e insumos para o Brasil”. “A transferência dos dados permitirá avaliar os esforços que foram ou não envidados, a autonomia ou não de sua atuação, a existência ou não de planejamento”, argumenta Alessandro Vieira.

    Gabinete paralelo – Outros dois alvos da quebra de sigilo são Carlos Wizard e Paolo Zanotto, apontados como integrantes do “gabinete paralelo”. Alessandro Vieira argumenta que Wizard era “mais do que um mero conselheiro” do ex-ministro Eduardo Pazuello. Segundo o parlamentar, há “indícios de que (o empresário) tenha mobilizado recursos financeiros para fortalecer a aceitação das medidas que o presidente da República julgava adequadas, mesmo sem qualquer comprovação científica”.

    O autor do requerimento lembra ainda que, durante reunião com Jair Bolsonaro, o virologista Paolo Zanotto recomendou “tomar um extremo cuidado” com o uso de vacinas. O virologista também admitiu ter enviado uma carta a Arthur Weintraub, ex-assessor do presidente da República. Na correspondência, ele sugere a formação de um shadow cabinet (gabinete das sombras) para orientar o Palácio do Planalto na pandemia.

    A transferência de sigilo telefônico e telemático da médica Nise Yamaguchi estava na pauta, mas não chegou a ser votado. Ela também estava na reunião entre Paolo Zanotto e outros integrantes do “gabinete paralelo” com Jair Bolsonaro.

    Os senadores aprovaram ainda a quebra dos sigilos do tenente-médico da Marinha Luciano Dias Azevedo. Segundo o senador Alessandro Vieira, o militar “foi o autor da minuta de decreto que teria como objetivo alterar a bula da cloroquina”. O tema foi discutido durante reunião no Palácio do Planalto.

    O presidente da CPI, Omar Aziz, entre o vice, Randolfe Rodrigues, e o relator, Renan Calheiros, nesta quinta-feira (Edilson Rodrigues/Agência Senado)

    Outros alvos – A CPI da Pandemia aprovou a quebra dos sigilos telefônico e telemático da secretária de Gestão do Trabalho e Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro. Em mensagem enviada à Prefeitura de Manaus no ápice da pandemia, ela avaliou que seria “inadmissível” a não utilização de medicamentos como cloroquina e ivermectina, drogas sem eficácia comprovada contra a covid-19.

    Os senadores também quebraram os sigilos do assessor internacional da Presidência da República, Filipe Martins. Segundo Alessandro Vieira, “há suspeitas fundadas” de que Martins integrava o “famigerado gabinete do ódio”. De acordo com o parlamentar, a “máquina de mentiras e difamação” do Palácio do Planalto pretende “destruir a reputação de qualquer pessoa que defenda a aquisição de vacinas ou combata o chamado ‘tratamento precoce’”.

    Um requerimento do senador Humberto Costa (PT-PE) prevê a transferência de dados do auditor afastado do Tribunal de Contas da União (TCU), Alexandre Figueiredo Costa e Silva. O servidor produziu um “estudo paralelo” segundo o qual metade dos óbitos por covid-19 no Brasil não teria ocorrido. A informação falsa foi citada pelo presidente Jair Bolsonaro para minimizar o impacto do coronavírus.

    A CPI da Pandemia aprovou as seguintes quebras dos sigilos telefônico e telemático:

    Ministério da Saúde

    • Francieli Fontana Sutile Tardetti Fantinato, coordenadora-geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI)
    • Hélio Angotti Neto, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde
    • Arnaldo Correia de Medeiros, secretário de Vigilância em Saúde
    • Antonio Elcio Franco Filho, ex-secretário-executivo-adjunto
    • Camile Giaretta Sachetti, ex-diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos
    • Flávio Werneck, ex-assessor de Relações Internacionais
    • Zoser Plata Bondin Hardman de Araújo, ex-assessor especial

    Laboratórios

    • Francisco Emerson Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos
    • Túlio Silveira, representante da Precisa Medicamentos

    Crise no Amazonas

    • Marcellus Campelo, ex-secretário de Saúde do Amazonas
    • Francisco Ferreira Filho, ex-coordenador do Comitê de Crise do Amazonas

    Pessoas jurídicas

    Quatro pessoas jurídicas são alvos de transferência de dados mais abrangentes:

    • Associação Dignidade Médica de Pernambuco (bancário e fiscal)
    • Profissionais de Publicidade Reunidos (bancário, fiscal, telefônico e telemático)
    • Calya/Y2 Propaganda e Marketing (bancário, fiscal, telefônico e telemático)Artplan Comunicação (bancário, fiscal e telemático)

    (Agência Senado)

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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