O defensor público Alberto Tavares explicou a situação à representante, ressaltando que, desde o ano de 2014, a empresa WPR São Luís, que representa a WTorres na capital, por várias vezes, utilizou expedientes ilegais e arbitrários para desocupação da área.
“A relação sempre foi conflituosa, a chegada da WPR foi traumática e com o tempo essa relação foi ficando cada vez mais violenta, sobretudo após ameaças, intimidações, por meio da atuação de jagunços na área e agora através de empresa de segurança, e demolições abusivas de algumas casas. A comunidade se encontra irredutível da decisão de permanecer em suas posses”, enfatizou Alberto.
O defensor informou ainda que parte dos moradores possui documento de propriedade, desde 1998, fornecido pelo governo estadual, sobre os mais 600 hectares da comunidade.
O morador Clóvis Amorim, que faz parte do movimento de pescadores da comunidade, fez questão de afirmar que a maioria dos moradores continua com a mesma posição de antes da reunião. “Sabemos que a empresa por meio moral e legal não tem como se instalar no Cajueiro. Eles estão nos chamando de novo porque estão percebendo que não tem outra maneira de fazer o porto, a não ser que negocie com a gente. Mas não vamos aceitar os termos deles e a empresa não se instalará no local”, concluiu o pescador.
A permanência da comunidade e o livre uso de suas áreas de posse estão atualmente garantidos por sentença, proferida pela Vara de Interesses Difusos e Coletivos da capital, em Ação Civil Pública da Defensoria.
Também presente ao encontro, o professor Horácio Antunes, do Grupo de Estudos sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente da UFMA, ressaltou que todo o processo de licenciamento ambiental do empreendimento apresenta irregularidades. “Para citar um exemplo, a audiência pública para discutir o projeto aconteceu no Comando da Polícia Militar, longe das comunidades diretamente afetadas e com nítido caráter intimidatório”.
Além de várias ações individuais para reparação de danos causados pela empresa WPR São Luís, outras três ações coletivas, de autoria da Defensoria Pública Estadual, questionam a legalidade do processo de licenciamento ambiental, inclusive a localização do empreendimento, que estaria em desacordo com a atual lei de uso e ocupação do solo de São Luís, que silencia quanto à implantação de novos portos na área.
(Da DPE)




