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    Home»Maranhão»Defensoria Pública quer reconhecimento na Justiça de adoção de adolescente por irmãos
    Maranhão

    Defensoria Pública quer reconhecimento na Justiça de adoção de adolescente por irmãos

    Aquiles Emir24 de novembro de 202104 Mins Read
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    Não existe, ainda, precedente no Judiciário Brasileiro

    A mãe ele nunca conheceu, pois foi abandonado quando tinha apenas 1 ano; com o pai (falecido em 2019), que soube quem era somente na adolescência, nunca houve nenhum tipo de vínculo social ou afetivo. Quem o menino de 16 anos considera pai e mãe, na verdade, são os próprios irmãos paternos mais velhos, que, recentemente, apresentaram uma demanda bastante peculiar no núcleo da Defensoria Pública na Zona Rural de São Luís: um pedido de adoção germana.

    “Quando sofreu abandono por parte dos pais biológicos, ainda criança, o menino foi encaminhado pelo Conselho Tutelar da Capital a uma casa de apoio para crianças e adolescentes em situação de risco. Esse fato acabou chegando ao conhecimento dos demais familiares, em especial desses irmãos paternos, que, visando garantir a manutenção do laço familiar, ficaram responsáveis pelo garoto desde então, e lhe proporcionaram um lar, com amor, carinho, afeto e proteção integral”, relata o defensor público.

    Importante frisar que não existe, ainda, precedente no Judiciário Brasileiro sobre a admissibilidade de adoção conjunta de irmãos, em favor de outro irmão, devido às vedações do artigo 42 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que trata da adoção de crianças e adolescentes. Apesar disso, sensibilizado pela situação do menino e comovido com o pedido dos irmãos mais velhos, o defensor Alex Pacheco desenvolveu estudo e construiu tese sobre o assunto. “O intuito é, em breve, entrar com uma ação judicial. A petição está praticamente pronta. Sei que, para convencer a Justiça, ainda mais com algo inédito, imprescindível que utilizemos de todos os recursos que tenhamos à disposição”, destaca Alex Pacheco.

    Requisitos e estudo de caso – No desenvolvimento da análise que fará parte da petição, o defensor se baseou nos princípios do melhor interesse e proteção integral do menor, na mutação constitucional, na evolução do conceito de família e nas relativizações excepcionais, admitidas pela jurisprudência, em analogia aos critérios para admissibilidade da chamada adoção avoenga, aquela em que avós passam a ser os responsáveis legais pela criança ou pelo adolescente.

    Além disso, o titular do núcleo da Zona Rural solicitou apoio do Núcleo Psicossocial da DPE, com a realização de visitas e checagens in loco, para melhor sustentação e defesa da ação. “Nesse caso, para se admitir, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) exige a análise de diversos requisitos. Foram essas as questões que levaram à elaboração do nosso estudo”, ressalta o defensor.

    Um dos pontos analisados diz respeito aos motivos que levaram os irmãos a pedir a adoção do caçula. “A pretensão da adoção é fundada em motivos legítimos. Não existem interesses sucessórios, econômicos ou fraudulentos. A motivação da adoção é apenas reconhecer um status que já existe, cujo tratamento entre adotantes e adotando é na condição de ‘pais e filho’. Não há quaisquer vantagens financeiras em favor do adotando e dos adotantes em virtude da adoção”, pontua Alex Pacheco.

    Analisando as consequências da adoção para o adolescente, a Defensoria Pública considera que ela é completamente vantajosa para o menino, pois pode atender ao desejo manifesto de ter os irmãos como seus verdadeiros pais, informação que poderá passar a contar nos documentos, como a certidão de nascimento. “A adoção transformaria a família anaparental existente em família adotiva e eudemonista. A medida atenderia ao melhor interesse e proteção integral do adolescente, além de também conferir a busca da felicidade do adotando e dos adotantes”, enfatiza o defensor público.

    Todas essas indagações, agora, são avaliadas e apuradas pela equipe da Defensoria Pública, para que o processo inédito tenha um desfecho feliz para a família maranhense. “Não é pela falta de precedentes que nós deixaremos de agir. A Defensoria sempre esteve ao lado de quem mais precisa, então, se for para o bem dessa criança, nós vamos à luta”, conclui o defensor Alex Pacheco.

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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