A Margem Equatorial Brasileira, faixa costeira que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, e considerada a nova fronteira da exploração petrolífera no país, foi tema da primeira reunião do ano do Conselho Temático de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada em Brasília. A discussão foi acompanhada remotamente pela Federação das Indústrias do Maranhão (Fiema), em encontro presidido pelo diretor da entidade e presidente do Coinfra (MA), João Batista Rodrigues, com participação de empresários, lideranças sindicais e representantes da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).
A exploração da Margem Equatorial é apontada como vetor de desenvolvimento econômico e social, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Estimativas indicam potencial entre 20 e 30 bilhões de barris recuperáveis, volume equivalente a cerca de metade das reservas do pré-sal. No Maranhão, que abriga as bacias do Pará-Maranhão e Barreirinhas, a atividade é vista como oportunidade para impulsionar a economia e ampliar a geração de empregos.
A reunião foi conduzida pelo presidente da Fiepa, Alex Carvalho, que preside o Coinfra nacionalmente, e contou com a participação da diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia dos Anjos, que destacou a importância da nova fronteira para garantir a autossuficiência energética do país.
“A exploração de novas fronteiras é essencial para garantir a autossuficiência energética do país e a soberania energética em um contexto de transição energética. Se as ações não forem tomadas passaremos a ser importadores de novo”, afirmou.
Ainda segundo a diretora, a demanda global por petróleo e gás deve se manter mesmo em cenários de redução de emissões.
“A atividade exploratória atual, baseada no pré-sal, é incompatível com a demanda do país e insuficiente para garantir o abastecimento de longo prazo”, disse.
Durante o debate, o diretor da Fiema, João Batista Rodrigues, questionou a Petrobras sobre a previsão de exploração na bacia de Barreirinhas, no litoral maranhense. “Temos uma expectativa grande em relação ao potencial do Maranhão, especialmente em Barreirinhas”, afirmou.
Em resposta, a companhia informou que ainda aguarda a concessão das licenças ambientais para avançar na região e em outras faixas da Margem Equatorial.

No Maranhão, projeções indicam impacto relevante.
Com base em simulações do Observatório Nacional da Indústria, o estado pode ter incremento de até R$ 10,9 bilhões no PIB, o que representaria crescimento de quase 30% em relação a 2024. Nesse cenário, a geração de empregos nos setores de indústria, comércio e serviços pode ultrapassar 50 mil postos.
Ao longo da reunião, também foram discutidos entraves regulatórios e logísticos. Representantes da CNI apresentaram os desdobramentos da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, com potencial de reduzir prazos e ampliar a segurança jurídica.
O licenciamento ambiental foi apontado como um dos principais entraves ao desenvolvimento. O encontro também abordou a necessidade de ampliar o uso do sistema hidroviário brasileiro, considerado estratégico para o escoamento de cargas, com defesa de projetos de concessão mais estruturados para o setor.
Participaram da reunião na Fiema: Celso Gonçalo, vice-presidente executivo da FIEMA e presidente do Conselho Deliberativo do Sebae-MA; Milton Campelo, presidente do Sindicanálcool; Adênio Queiroga, presidente do Sindigraf; Ana Cristina Fontoura, consultora do IEL; Geraldo Carvalho, coordenador de Ações Estratégicas da FIEMA; Álvaro Veloso, executivo do CIEMA; Moisés dos Santos Rocha, professor da UEMA; Rogerio Moreira Lima, diretor de inovação da ABTELECOM (Associação Brasileira de Telecomunicações), e Rannielle Aquino, da Zona de Processamento de Exportação (ZPE Bacabeira).




