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    Home»Poder e Política»Fabiano Contorato, da base do governo, vai presidiri CPI do Crime Organizado no Senado
    Poder e Política

    Fabiano Contorato, da base do governo, vai presidiri CPI do Crime Organizado no Senado

    Aquiles Emir4 de novembro de 202505 Mins Read
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    Fabiano Contarato (ao centro) com Hamilton Mourão, que será vice-presidente, e Alessandro Vieira, relator da CPI Andressa Anholete/Agência Senado (Fonte: Agência Senado)
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    Alessandro Vieira foi escolhido para relator

    O senador Fabiano Contarato (PT-ES) presidirá a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar o crime organizado. Ele foi eleito pelos membros da comissão nesta terça-feira (04), na primeira reunião do colegiado, e o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) será o relator, responsável por conduzir o inquérito e propor medidas, como indiciamentos e projetos de lei.

    A vice-presidência ficou com o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que também concorreu à presidência. Mourão teve cinco votos favoráveis, enquanto Contarato teve o apoio de seis senadores.

    Contarato afirmou que atuará de forma independente e que a segurança pública “não deve ser uma pauta apenas da direita”. Ele destacou que apoiou projetos de segurança pública que tiveram resistência dos parlamentares governistas. É o caso da Lei 14.843, que restringiu as saídas temporárias de presos, e do Projeto de Lei (PL) 1.473/2025, que chega a dobrar a punição para adolescentes em conflitos graves com a lei.

    “Faço um apelo às lideranças progressistas: é hora de ocupar esse espaço de debate com coragem, técnica e empatia, porque enquanto hesitamos, o medo avança. Progressismo, para mim, é enfrentar a realidade de frente, não ignorá-la. Eu acredito na ressocialização, mas não em impunidade disfarçada de compaixão”, disse ele.

    Plano de trabalho – Os senadores também aprovaram o plano de trabalho para a CPI elaborado por Alessandro. O relator afirmou que o relatório deve diagnosticar a situação do crime organizado no país e detectar as políticas públicas mais efetivas contra o problema. O Brasil tem cerca de 88 organizações criminosas, segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).

    “A segurança pública é uma atividade complexa, mas não tem segredo, desde que a gente tenha o espírito público suficiente para fazer o nosso trabalho […] O que o Brasil enfrenta é a consequência de décadas de omissão e de corrupção”, disse Alessandro.

    A comissão investigará os seguintes tópicos relacionados ao crime organizado:

      • Ocupação de território;
      • Lavagem de dinheiro, com ênfase em criptomoedas; bens patrimoniais; bancas de advocacia e segmentos econômicos lícitos, como combustíveis, lubrificantes, bebidas, garimpo, mercado imobiliário e cigarros;
      • Sistema prisional;
      • Corrupção ativa e passiva;
      • Rotas de mercadorias ilícitas;
      • Crimes de tráfico de drogas e de armas, sonegação tributária e roubo, entre outros.
      • Integração entre os órgãos de segurança pública e as Forças Armadas, com destaque para as fronteiras;
      • Experiências bem-sucedidas de prevenção e repressão ao crime organizado;
      • Recursos públicos disponíveis.

    Autoridades – A CPI ouvirá especialistas e autoridades que lidam com o combate a esses criminosos. Para isso, os senadores aprovaram sete requerimentos do relator. Entre eles, está o convite aos governadores dos estados mais seguros e seus secretários de Segurança prestarem depoimento (REQ 1/2025 – CPICrime):

      • Rio Grande do Sul
      • Santa Catarina
      • Paraná
      • Distrito Federal

    Também serão ouvidas as mesmas autoridades do Rio de Janeiro e de São Paulo, em razão da atuação de facções nesses estados, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), respectivamente.

    Cinco governadores e secretários de Segurança Pública dos estados mais perigosos do país também serão convidados:

      • Amapá
      • Bahia
      • Pernambuco
      • Ceará
      • Alagoas

    Já do governo federal, a CPI deve receber (REQ 2/2025 – CPICrime):

      • Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski;
      • Ministro da Defesa, José Mucio Monteiro Filho;
      • Diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Augusto Passos Rodrigues;
      • Diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa;
      • Diretor de Inteligência Penal da Senappen, Antônio Glautter de Azevedo Morais; e
      • Diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Fernando Corrêa.

    Especialistas – A CPI também convidará especialistas em organizações criminosas, como o promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo (MPSP) Lincoln Gakiya, que há 20 anos investiga o PCC. Ao todo serão cinco especialistas  (REQ 3/2025 – CPICrime) e cinco jornalistas investigativos (REQ 7/2025 – CPICrime).

    Eleição – O senador Eduardo Girão (Novo-CE) criticou a atuação de senadores do governo para assumir a liderança da CPI. Ele afirmou que abrir CPIs é um direito da minoria, sendo necessário o apoio de apenas um terço dos senadores para sua abertura.

    “Mais uma vez o governo Lula, que não assinou e não queria que essa CPI existisse, toma de assalto essa comissão. No momento que coloca algum senador do Partido do Trabalhadores que tem que investigar o próprio governo Lula, a gente perde a legitimidade. Mas vamos dar o voto de confiança, estar juntos para tentar fazer o nosso melhor”.

    Já o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) rechaçou a ideia de que a CPI poderia ser prejudicial ao governo federal. Para ele, a experiência de Contarato e Alessandro como delegados de polícia contribuirá para os trabalhos da comissão.

    “O governo Lula quer se blindar de quê? Foi o responsável pela Operação Carbono Oculto, que desbaratou o esquema de financiamento de parte do crime organizado [com a sonegação de impostos e adulteração de gasolina e afins em postos de combustível]”.

    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu que a CPI seja “suprapartidária” e “não politizada”.

    Operação no Rio – Proposta pelo relator Alessandro, a comissão terá 120 dias para investigar especialmente o crescimento das facções e milícias (RQS 470/2025). A instalação da CPI ocorreu uma semana após a operação policial que deixou 121 mortos nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.

    Onze senadores integrarão a CPI, que terá R$ 30 mil para desembolsar em suas investigações.

    Composição da CPI do Crime Organizado

    • Presidente: Fabiano Contarato (PT-ES)
    • Vice-presidente: Hamilton Mourão (Republicanos–RS)
    • Relator: Alessandro Vieira (MDB–SE) 

    Titulares

      • Alessandro Vieira (MDB–SE) 
      • Angelo Coronel (PSD–BA) 
      • Fabiano Contarato (PT–ES)
      • Flávio Bolsonaro (PL–RJ) 
      • Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
      • Jorge Kajuru (PSB-GO)
      • Magno Malta (PL-RS)
      • Marcio Bitar (PL-AC)
      • Marcos Duval (Podemos-ES)
      • Otto Alencar (PSD-BA)
      • Rogério Carvalho (PT-SE)

    Suplentes*

      • Eduardo Girão (Novo–CE) 
      • Esperidião Amin (PP–SC) 
      • Jaques Wagner (PT–BA) 
      • Randolfe Rodrigues (PT–AP) 
      • Sergio Moro (União–PR) 
      • Veneziano Vital do Rêgo (MDB–PB) 

    *Falta uma indicação pelo PSD

    (Agência Senado)

     

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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