Iniciativas receberão até R$ 100 mil cada
O Fundo Socioambiental (FSA) Caixa e o Fundo Casa Socioambiental divulgaram nesta quinta-feira (26) o resultado da segunda chamada de projetos da “Teia da Sociobiodiversidade: Conectando Projetos, Transformando Comunidades”. Depois de um criterioso processo de análise e seleção que qualificou 1.319 iniciativas de 1.812 concorrentes, foram escolhidas as 203 que receberão até R$ 100 mil, cada, para executar iniciativas que têm a segurança alimentar como dimensão transversal.
Para consultar a lista, basta clicar aqui.
O Projeto Teia da Sociobiodiversidade foi criado para apoiar e monitorar 400 projetos relacionados a negócios da sociobiodiversidade e soluções baseadas na natureza, apoiando organizações de comunidades tradicionais e locais. O primeiro edital selecionou 202 iniciativas e a nova lista concluiu o objetivo proposto. Em termos qualitativos, o projeto se revelou uma verdadeira fábrica de ideias que exalta a criatividade de instituições sediadas em todas as regiões brasileiras.
Os projetos selecionados na 2ª chamada impactarão na vida de aproximadamente 750 mil pessoas, beneficiando diretamente 15,6 mil famílias que vivem majoritariamente da agricultura, extrativismo, pesca artesanal, predominando quilombolas, indígenas, entre outras populações tradicionais e rurais.
Diversidade e inclusão – Os projetos selecionados abrangem majoritariamente sete segmentos de ação, que podem ser divididos da seguinte forma:
- Agroindústrias e beneficiamento comunitário;
- Implantação e manejo de sistemas agroflorestais e quintais produtivos;
- Criação animal de base agroecológica;
- Turismo comunitário e etnoconservação;
- Viveiros e restauração ecológica;
- Comercialização e logística;
- Gestão de resíduos e energia renovável.
O perfil das entidades selecionadas na segunda chamada é variado, com amplo predomínio das Associações, que foram autoras de 80% das propostas aprovadas. Juntas, Cooperativas e ONGs somaram 14% do total. O percentual restante foi difuso, reunindo Movimentos, Coletivos, Fundos Locais e Redes de Articulação. A predominância de associações nos projetos selecionados reflete a estrutura organizacional mais comum entre as iniciativas comunitárias.
A distribuição dos projetos pelo País evidencia a capilaridade da chamada, com expressiva presença de submissão de propostas de todas as regiões. A Região Nordeste foi a que teve maior número de iniciativas selecionadas. Das 659 ideias apresentadas, 91 foram aprovadas. Em seguida aparece a Região Norte, com 50 projetos escolhidos entre 357 propostas analisadas.
Semeando esperança – A Região Sudeste apresentou 448 projetos, tendo 32 aprovados. No Centro-Oeste a quantidade de propostas chegou a 150, com 17 iniciativas selecionadas. Dos 198 projetos analisados da Região Sul, 13 foram aprovados. Vale lembrar que o Fundo Socioambiental Caixa ainda executa diversas ações relacionadas à recuperação do Rio Grande do Sul, que sofreu uma grande enchente em 2024.
Entre as ações previstas para apoio às instituições selecionadas está o fortalecimento de capacidades e rede colaborativa, com a realização de 40 oficinas virtuais (oito por tema, com três horas cada) e cinco encontros presenciais com representantes das iniciativas. Também será executado um plano de comunicação para ampliar a visibilidade dos grupos locais e dos resultados.
Ao todo, o Teia da Sociobiodiversidade selecionou 405 entidades, entre organizações e associações de comunidades locais e tradicionais, que receberão até R$ 100 mil cada, totalizando R$ 40 milhões em recursos destinados ao fortalecimento de iniciativas de baixo impacto ambiental. O evento com autoridades acontece nesta quinta-feira (26), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.
O Fundo Casa Socioambiental foi selecionado a partir da Carta Convite que a Caixa publicou para conhecer projetos no setor. Depois de analisar as soluções propostas, a decisão foi tomada, levando em conta as ações sugeridas e a experiência que a instituição possui na promoção, conservação e sustentabilidade ambiental, além do respeito aos direitos socioambientais e à justiça social. Desde 2005, o Fundo Casa cria conexões entre pessoas e organizações por meio do apoio financeiro e fortalecimento de iniciativas socioambientais da sociedade civil.
Confira abaixo a lista dos projetos selecionados no Maranhão
- Associação Comunitária de Remanescentes de Quilombo da Vila Fé em Deus Avicultura Sustentável: Segurança Alimentar e Geração de Renda para Famílias da Comunidade Quilombola Vila Fé em Deus (São Luís)
- O projeto busca fortalecer a avicultura sustentável na comunidade quilombola Vila Fé em Deus, promovendo segurança alimentar, geração de renda e autonomia produtiva das famílias. A iniciativa inclui a construção e reforma de aviários, o manejo agroecológico de frango caipira e processos formativos em produção, gestão e comercialização, incentivando o trabalho coletivo, a troca de saberes e a inserção em mercados locais.
- Associação Comunitária WEWETYJ Mulheres Krikati e Guajajara: Plantando Sementes e o Amanhã
- O projeto fortalecerá a sociobioeconomia na Terra Indígena Krikati, envolvendo famílias dos povos indígenas Krikati e Guajajara, com enfoque no protagonismo do coletivo de mulheres agentes ambientais. Qualificará o viveiro comunitário para produção de mudas nativas, medicinais e alimentares, implantação de quintais produtivos e reforma da casa de farinha, ampliando a geração de renda, a segurança alimentar e a autonomia das famílias, além de promover a recuperação de nascentes e a conservação ambiental com base em práticas de agronegócios tradicionais.
- Associação Cultural e Educacional do Tambor de Crioula São Benedito do Quilombo Oiteiro dos Nogueiras Tambor, Memória e Natureza – Turismo Quilombola no Oiteiro dos Nogueiras
- O projeto fortalecerá o turismo de base comunitária no Quilombo Oiteiro dos Nogueiras, com enfoque na valorização do Tambor de Crioula e da memória ancestral. Prevê a construção de uma Casa de Taipa como espaço de visitação, formação de jovens como guias, ações de educação ambiental, trilhas ecológicas e realização de vivências culturais, ampliando a geração de renda e o protagonismo da juventude, além de promover a recuperação de nascentes.
- Associação da Casa Familiar Padre Josino Tavares Implantação de uma Fábrica de Polpas de Frutas na Casa Familiar Rural
- O projeto tem foco no beneficiamento de frutas por meio da implantação de fábrica de polpas, da capacitação de jovens e famílias em produção, Padre Josino Tavares manejo e processamento, ampliando a geração de renda, o fortalecimento dos quintais produtivos e a permanência no campo, além de valorizar o extrativismo e a conservação da floresta em pé
- Associação de Moradores do Povoado Poço de Dentro Babaçu Sustentável
- O projeto fortalecerá o extrativismo sustentável do babaçu na Comunidade Poço de Dentro (MA), com enfoque no protagonismo de 30 mulheres. Isso se dará por meio do aproveitamento integral do coco e seus subprodutos, ampliando a geração de renda, a segurança alimentar e a inclusão de diversidade de gênero, além de promover a recuperação ambiental e a conservação da biodiversidade dos babaçuais.
- Associação de Moradores e Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Povoado Maracassume 1 Raízes e Sabores da Baixada: Fortalecendo a
Casa de Farinha e os Quintais do Assentamento PA Maracaçumé I, Município de Penalva- O projeto fortalecerá a sociobioeconomia no Assentamento PA Maracaçumé I (MA), por meio do fortalecimento da Casa de Farinha Comunitária e dos quintais agroecológicos, beneficiando cinquenta famílias agricultoras, com destaque para mulheres e jovens, ampliando a valorização dos produtos locais, a segurança alimentar e a geração de renda.
- Associação dos Humildes Trabalhadores Rurais Quilombolas do Povoado Barreira Funda Protagonismo Feminino e Sociobiodiversidade: Estruturação da Casa de Farinha Quilombola de Barreira Funda
- O projeto visa fortalecer o protagonismo das mulheres quilombolas do Povoado Barreira Funda por meio da construção e estruturação da Casa de Farinha Comunitária. A iniciativa prevê a construção do espaço, instalação de equipamentos, implantação de área agroecológica, capacitação em gestão comunitária e práticas sustentáveis e vivência cultural.
- Associação dos Moradores do Quilombo Rural da Ilha de Camaputiua Formação agroecológica, uso sustentável da biodiversidade através do
extrativismo/beneficiamento de produto do babaçu- O projeto visa fortalecer a produção e o beneficiamento do babaçu na comunidade de Camaputiua, valorizando a produção de bolos e biscoitos a partir do babaçu. Prevê a construção de unidade produtiva adequada às normas sanitárias, equipada com máquinas e equipamentos específicos, garantindo maior capacidade de produção, qualidade dos produtos e acesso ampliado ao mercado.
- Associação dos Moradores Quilombolas de Entre Rios Inovando na Produção de Farinha no Quilombo de Entre Rios
- O projeto pretende aumentar a produção e a renda de cinquenta famílias, com atenção especial a mulheres e jovens, por meio da modernização da produção de farinha e capacitação das comunidades. O projeto prevê aquisição de máquinas e equipamentos, insumos, materiais didáticos e serviços
- Associação Indígena Multicultural da Aldeia Nawyra Fortalecimento da Agroecologia e da Sociobiodiversidade na Aldeia Nawyra
- O projeto visa implantar sistemas agroflorestais, criar viveiro comunitário de mudas, realizar oficinas de capacitação e valorizar o artesanato indígena. A iniciativa busca promover segurança alimentar, geração de renda sustentável, conservação da biodiversidade e fortalecimento da identidade cultural, contribuindo para a resiliência climática e melhores condições de vida para as famílias da aldeia.
- Associação Quilombola dos Produtores Rurais do Povoado Santa Helena do Município de Itapecuru-Mirim – Cozinha Comunitária de Juçara: Sabores e Cultura de Mulheres Quilombolas
- O projeto visa estruturar e ampliar o Centro Cultural da comunidade de Juçara para atender três comunidades quilombolas e fortalecer a geração de renda das mulheres. As atividades incluem a construção de uma cozinha comunitária equipada e de um depósito, além da produção cooperada de alimentos tradicionais e realização de oficinas de boas práticas sanitárias, panificação, rotulagem e gestão comunitária.
- Associação Real Brasil Jardim Botânico Real Brasil: Vida, Ciência e Floresta
- O projeto visa criar um jardim botânico florestal com espécies nativas composto por espécies nativas da região do Leste Maranhense, área de transição entre os biomas Amazônia e Cerrado. As atividades incluem produção e plantio de mudas, catalogação das espécies, implantação de uma trilha educativa e realização de oficinas temáticas em parceria com universidade
- Clube de Mães Nova Esperança do Quilombo Cachoeira Do Quintal à Mesa: Mulheres Quilombolas e a Sociobiodiversidade no Quilombo Cachoeira
- O projeto visa estruturar uma cozinha comunitária para fortalecer a produção e comercialização de alimentos das mulheres quilombolas da comunidade. As atividades incluem a criação de um espaço adequado para o beneficiamento de produtos tradicionais, como bolos e pães à base de milho, macaxeira e tapioca.
- Clube de Mães Trabalhadoras Rurais Quilombolas Lar de Maria Delícias do Babassu: fortalecimento produtivo, formativo e comercial das mulheres quilombolas de Pedrinhas
- O projeto tem como objetivo o fortalecimento da agroindústria comunitária das mulheres quilombolas da Comunidade Pedrinhas (MA), com foco na produção de derivados do babaçu. As atividades incluem capacitações em boas práticas, comunicação e comercialização, melhoria da infraestrutura com instalação de energia solar e assessoria para ampliar as vendas e participação em feiras
- Cooperativa Mista dos Assentamentos de Reforma Agrária da Região Tocantina Ltda Cuidar da natureza e das pessoas no cerrado maranhense: semear, reflorestar e comunicar
- O projeto visa recuperar a biodiversidade nas margens do rio Pindaré, com foco na formação e inclusão de mulheres e jovens da comunidade, que atuarão como protagonistas nos mutirões de plantios e gestão do viveiro. A expectativa é estimular a ampliação das práticas agroecológicas, produção mudas e de alimentos saudáveis, também inserir o território no circuito de feiras e de entrega de cestas agroecológicas com produtos alimentícios e com a inserção de mudas que serão produzidas no viveiro comunitário
- Instituto Aye Entretecer florestas, águas e saberes entre mulheres e
juventudes no cerrado amazônico maranhense –- O projeto atuará junto a 40 famílias da Aldeia Lagoa Comprida (TI Arariboia) e da Comunidade Extrativista Água Preta, em Buritirana (MA), fortalecendo mulheres e juventudes na proteção e manejo sustentável do Cerrado Amazônico. As atividades incluirão a realização de uma exposição fotográfica sobre mapeamento territorial e manejo florestal; um Encontro de Guardiãs Indígenas e Extrativistas, com troca de sementes, mudas e saberes; oficinas de Restauração e Etnoagroecologia para capacitar a
comunidade em manejo agroflorestal e regeneração da paisagem; e a estruturação de um viveiro comunitário para o grupo de mulheres viveiristas
Ka’aipwwy
- O projeto atuará junto a 40 famílias da Aldeia Lagoa Comprida (TI Arariboia) e da Comunidade Extrativista Água Preta, em Buritirana (MA), fortalecendo mulheres e juventudes na proteção e manejo sustentável do Cerrado Amazônico. As atividades incluirão a realização de uma exposição fotográfica sobre mapeamento territorial e manejo florestal; um Encontro de Guardiãs Indígenas e Extrativistas, com troca de sementes, mudas e saberes; oficinas de Restauração e Etnoagroecologia para capacitar a
- Instituto Quilombola do Maranhão Casa de Farinha – Construção do Bem Viver nas Comunidades Quilombolas
- O projeto fortalecerá a autonomia econômica, principalmente de mulheres e jovens, das comunidades quilombolas do município de Bequimão (MA) por meio da estruturação de dois espaços comunitários de beneficiamento e comercialização de farinha de mandioca, articulados a ações de organização produtiva, identidade dos produtos, apoio logístico e acesso a mercados locais e regionais.




