Boa parte dos discursos ressaltou a urgência da unidade em torno de uma nova candidatura presidencial de Lula, para derrotar o governo Jair Bolsonaro. O PCdoB aproveitou a ocasião para também tornar pública sua adesão a esse projeto político-eleitoral.
Lula declarou sentir “grande satisfação e emoção” em estar na comemoração do centenário do PCdoB. Em seu discurso, ele citou passagens vividas com comunistas como João Amazonas, Renato Rabelo, Haroldo Lima e Gustavo Petta, além de agradecer a parceria. “Não é fácil um partido sobreviver cem anos, dos quais grande parte na clandestinidade. Todo meu carinho pelo PCdoB.”
Com críticas à “elite escravista” do Brasil e ao presidente “fascista”, Lula demostrou ânimo para mais uma eleição ao Planalto. Na visão do ex-presidente, “o mais difícil não é ganhar a eleição” de outubro. “Se eu voltar, vou ter que fazer mais e melhor do que fiz na primeira vez.”
Apesar da ênfase desse discurso, chamou atenção o fato de o ex-presidente estar usando um relógio de luxo avaliado em R$ 80 mil. A foto dele acenando para os pobres com o acessório de luxo foi reeditada pelo PT, e agora aparece apenas a mão.
Lula afirmou que os governos encabeçados por ele e Dilma Rousseff, de 2003 a 2016, elevou o salário mínimo em 74% e promoveu “a maior política de inclusão social que este país já teve”. No palanque do Festival Vermelho, ele renovou esse compromisso. “Temos que colocar o povo pobre no orçamento do Estado”, disse Lula. “Eu viajei o mundo para mostrar que o pobre não é problema, mas solução.”

“Vamos recuperar a dignidade e a soberania”, conclamou ele, que se comprometeu a, se eleito, ter como primeiro ato a convocação dos 27 governadores “para discutir um plano de recuperação do Brasil, com um pacto federativo. Nós vamos recuperar este país!”. Ele também provocou o atual presidente: “Bolsonaro, pode se preparar, porque nós estamos chegando”.
Unidade – A presidenta da União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro), Ângela Guimarães, declarou que “ revolução será protagonizada por quem trabalha, por quem tira seu sustento do suor que cai do rosto”. E citou versos do cantor e compositor Caetano Veloso – que, por sua vez, remetia ao poeta soviético Vladimir Maiakovski: “Gente é pra brilhar / Não pra morrer de fome”.
Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), lembrou o Manifesto Comunista. “Há 174 anos, um manuscrito dirigido por Karl Marx e Friedrich Engels proclamava: ‘trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo, uni-vos’! A unidade é um fator fundamental”.