Reportagem da revista Maranhão Hoje mostra como juízes federais Roberto Veloso e Carlos Madeira se preparam para disputar Prefeitura de São Luís
AQUILES EMIR
Embora não tenha sido o primeiro magistrado a se despir da toga para subir em palanques, desde a eleição de Flávio Dino (PCdoB) ao Governo do Maranhão em 2014, há um interesse cada vez maior de juízes por disputas eleitorais. Em 2018, além do governador maranhense, que estava em busca de reeleição, em pelo menos dois estados havia ex-juízes disputando o cargo de chefe do Poder Executivo – Marlon Reis (Tocantins) e Wilson Witzel (Rio de Janeiro) – e hoje são dois nesses cargos, o do Maranhão e o do Rio.
Para a eleição de 2022, quando será escolhido o sucessor de Edivaldo Holanda Júnior, pelo menos dois togados estão engatilhados para serem lançados, Roberto Veloso e Carlos Madeira, e ambos demonstram muita simpatia pelos projetos a que querem submetê-los.
Carlos Madeira deve se aposentar nos próximos dias e estará livre para seguir outra carreira, mas ele ainda está em dúvida se assume uma candidatura pelo MDB, se vai advogar e se assumir como empresário, já que sua família é proprietária de um dos maiores complexos turísticos de São Luís, o parque aquático Valparaíso, uma espécie de miniatura do Beach Park de Fortaleza (CE). Ele tem a simpatia dos ex-governadores João Alberto e Roseana Sarney e, apesar de vários encontros para debater o assunto, ainda não deu resposta.
Já seu colega Roberto Veloso diz que vai aguardar o desfecho, no Congresso Nacional, da reforma da Previdência Social, para definir se irá ou não disputar a Prefeitura de São Luís na eleição do próximo ano. Segundo ele, filiação partidária e lançamento de candidatura vai depender do que será definido em termos de aposentadoria para os magistrados, ou seja, não vai renunciar ao cargo para se aventurar na política partidária.
Às vésperas de completar 55 anos e estando há 24 anos como magistrado, Roberto Veloso diz que vai aguardar a definição sobre idade e tempo de contribuição para o juiz se aposentar e se puder fazer já no próximo ano, no tempo hábil de disputar a eleição, lança sua candidatura.
Veloso é pretendido por diversos partidos, dentre eles o PSL e o MDB, mas diz que ainda não definiu por qual disputaria a sucessão municipal. Indagado por qual tem mais inclinação, disse que não gostaria de ser deselegante com os dirigentes dessas legendas por isto não menciona qual a que mais atende suas expectativas. “No tempo certo, a população saberá qual será meu partido, se isto realmente vier a ocorrer”, disse.
Caso não haja tempo hábil de se aposentar e entrar na disputa do próximo ano, Veloso vai se preservar para o pleito de 2022, quando estarão em jogo cargos de governador, vice-governador, senador e deputado (estadual e federal), ou seja, um leque bem mais amplo de opções a escolher.
Biografias
- Carlos Madeira – Natural de São Luís, exerceu a advocacia até 1987, quando iniciou carreira no Ministério Público do Maranhão. Foi promotor de justiça e juiz de Direito do Estado, atual juiz federal da 5ª Vara da Seção Judiciária do Maranhão, cargo que ocupa desde 1996. Lecionou na Escola de Magistratura de Rondônia e na Faculdade da Amazônia. Graduado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Foi ele quem conseguiu tirar da negativação no SPC e Serasa, membros das associações comunitárias do extinto Polo de Confecção de Rosário, para o qual emprestaram seus nomes a fim de serem contratados financiamentos do Banco do Nordeste.
- Roberto Veloso – Graduado em Direito pela Universidade Federal do Piauí, Roberto cursou e concluiu mestrado e doutorado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco. É membro da Academia Maranhense de Letras Jurídicas e a coordenou o Curso de Especialização em Direito Eleitoral da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Antes da magistratura federal, atuou como promotor de Justiça do Maranhão e juiz dos tribunais regionais eleitorais do Piauí e do Maranhão. Como presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), trabalhou pela ampliação da participação dos juízes federais na Justiça Eleitoral e a transparência dos processos administrativos do Conselho da Justiça Federal (CJF).
(Extraído da revista MARANHÃO HOJE)




