A primeira grande obra de infraestrutura – uma estrada de ferro entre o Paraná e o Mato Grosso – feita pelos batalhões do Exército é datada de 1901. Quatro anos depois, a corporação trabalhou na fortificação do Porto de Santos. De lá para cá, o Exército tem desempenhado um papel importante para a infraestrutura de transporte do Brasil, atuando em obras de construção e manutenção de grandes corredores logísticos. Entre as principais estão, por exemplo, a construção da Ferroeste (PR), o Porto de São Francisco do Sul (SC), a terraplenagem do terminal 3 do aeroporto de Guarulhos (SP), a recente duplicação de trechos da BR-101 no Nordeste e da BR-163, uma das rotas mais estratégicas de escoamento de grãos entre o Centro-Oeste e o Norte do país.
Segundo o diretor de obras de cooperação do Exército, general Daniel Dantas, o fato de a corporação possuir batalhões em todas as regiões do país facilita o trabalho, pois a administração pública pode contar com a estrutura em momentos de crise. “Estamos à disposição dos governos federal, estaduais e municipais. Às vezes, um problema administrativo ou algum empecilho judicial emperra determinada obra, e o governo acaba repassando para a gente concluir.”
Foi isso que aconteceu com a BR-163. Segundo o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), “o segundo contrato para as obras na rodovia estava sendo rescindido porque as empresas contratadas não haviam apresentado o desempenho esperado e precisava-se de uma mobilização rápida”. Além disso, era necessária a presença do Estado na região, uma vez que o posto da PRF (Polícia Rodoviária Federal) mais próximo fica a cerca de 700 km de distância do local da obra.
BR-163 – A pavimentação do trecho de 65 km da BR-163, entre os municípios de Novo Progresso (PA) e Itaituba (PA), assumida pelo Exército no ano passado, só deve ser concluída em março de 2020. A justificativa da instituição é que só é possível realizar as intervenções no verão amazônico, entre maio e outubro, período em que não há chuvas na região. No inverno, a corporação consegue trabalhar apenas na manutenção da via.
Do total de 730 km da rodovia entre a divisa do Mato Grosso e o Pará até Miritituba (PA), ainda resta asfaltar 100 km, distribuídos em dois trechos. O primeiro é justamente o que está sob a responsabilidade do Exército. O orçamento da obra é de R$ 128,5 milhões, liberados pelo governo federal devido à falta de empresas interessadas em assumir as obras entre as cidades paraenses. Os outros 35 km estão sendo asfaltados por empresas privadas.



